zap
   

especiais

seções

colunistas

blogs

enquete

Na sua opinião, o Pantanal já sente os efeitos do desmatamento?
Sim
Não
Não sei
Ver resultados

tempo

newsletter

receba nosso newsletters
   
Rádio Independente

expediente

Pantanal News ®
A notícia com velocidade, transparência e honestidade.

Diretora-Geral
Tereza Cristina Vaz
direcao@pantanalnews.com.br

Editor
Armando de Amorim Anache
armando@pantanalnews.com.br
jornalismo@pantanalnews.com.br

Webmaster
Jameson K. D. d'Amorim
webmaster@pantanalnews.com.br

Redação, administração e publicidade:
Aquidauana:
Rua 15 de Agosto, 98 B
Bairro Alto - CEP 79200-000,
Aquidauana, MS
Telefone/Fax (67) 3241-3788
redacao@pantanalnews.com.br

Escritório:
Corumbá:
Rua De Lamare, 1276 - Centro
CEP 79330-040, Corumbá, MS
Telefone: (67) 9235-0615
comercial@pantanalnews.com.br
pantanalnews4@terra.com.br

 
Artigos - 04/09/2017 - 09h11

3ª Etapa da Expedição Centenária Roosevelt-Rondon (Parte III)




Fotos: Divulgação







Por Hiram Reis e Silva*

O distinto engenheiro Ricardo Franco por algum tempo opinou pela sua inutilidade; diversas considerações, porém, fizeram-no modificar o seu parecer e insinuar ao Governador Caetano Pinto [depois Marquês da Praia Grande] a conveniência da continuação do Forte, que o mesmo oficial levou a efeito quase sem dispêndio da Fazenda Real, servindo ele de Arquiteto, de Feitor e de Mestre carpinteiro e pedreiro, como o declara o referido Governador na sua comunicação com a secretaria do Estado. (Barão de Melgaço)

02/09/2017 - [17:04] - História

Hiram Reis e Silva (*), Bagé, RS, 30 de agosto de 2017

08.08.2017 (Forte Coimbra)

A alvorada magnífica permitia vislumbrar ao longe, ainda imerso no nevoeiro, aquele bastião monumental erguido pela férrea determinação de Ricardo Franco. Na chegada ao Forte Coimbra fomos gentilmente recepcionados pelo Cmt da 3° Cia Fron Cap Glauco Viana Coitinho que nos acompanhou, pela manhã em uma visita ao Forte. Para entendermos melhor o contexto que levou oCapitão-General Caetano Pinto de Miranda Montenegro, ao assumir o Governo da Capitania do Mato Grosso, a nomear como Comandante da Fronteira Sul o Tenente-Coronel Ricardo Franco vamos reportar o Capítulo II, da Sexta Parte, do livro do Gen Raul Silveira de Mello. 

SEXTA PARTE  
II CAPÍTULO

RICARDO FRANCO ENCONTRA FRAGÍLIMA
A DEFESA DE COIMBRA E DA FRONTEIRA SUL

A paliçada construída por Matias Ribeiro da Costa, em 1775, era uma obra de emergência. Os outros Comandantes, até 1797, nada mais fizeram do que retocá-la e melhorá-la, sem nada adiantar quanto ao seu valor defensivo. A crosta terrosa do sítio em que fora construída media uns dois palmos de espessura e assentava diretamente na rocha, de tal sorte que as estacas, mal firmadas, podiam ser derrubadas com um murro, como dissera o Major Joaquim José Ferreira. Certa vez, uma pedra, rolando do morro, de encontro ao Presídio, derrubou as estacas que achou pela frente, tal como bola no jogo do boliche. Este fato inquietou o então Comandante, advertindo-o de que tal expediente poderia ser usado de surpresa pelos castelhanos, em plena noite, e até pelos Índios, para estabelecerem a desordem na guarnição. Ricardo Franco, ao assumir o comando do Presídio em agosto de 1797, ficou admirado de como essa frágil posição se tivesse mantido, face às possibilidades oferecidas aos Índios Guaicurus, senhores da região, ou aos castelhanos de Assunção, aliados dos Paiaguás, de virem expugná-la e varrerem dali os portugueses. Foram certamente estes considerados e a responsabilidade de que estava investido que levaram Ricardo a formular o projeto de um Forte permanente, de alvenaria de pedra, e de propor a sua construção. Eis como se exprime ele a respeito, no ofício de 02.09.1797, a que me referi no capitulo anterior:

Ficam patentes os defeitos que oferece esta estacada [...]. Mas, quando ainda os não tivesse, bastaria ser uma débil e estreita estacada de 12 palmos de altura e menos de um de grosso [...].

para que nada de resistência pudesse oferecer à artilharia do inimigo. A obra, porém, que Ricardo Franco desejava levantar, em substituição à velha paliçada, por si só era bastante para aumentar a confiança e o valor dos homens da guarnição contra qualquer investida de inimigos. Não se pode acusar de todo os Capitães-Generais de desídia ([1]) ou descaso pela falta de atendimento às necessidades de defesa da Fronteira Sul, reclamadas sem cessar pelos Comandantes de Coimbra e da Povoação de Albuquerque. É sabido, todavia, que Luis de Albuquerque se interessara, em caráter de preferência, pela construção do Forte do Príncipe da Beira. Ali empenhara enormes somas de dinheiro, muito embora esse local, na margem direita do Guaporé, não mais sofresse contestação dos confrontantes, por estar resguardado pelos Tratados de Limites. Assim, porém, não acontecia a Coimbra e Albuquerque. Estas se achavam na margem Oeste do Rio Paraguai, fora das raias portuguesas. Não havia direito líquido sobre elas. A partir de 1777, as Comissões Demarcadoras deveriam definir, no terreno, a linha de separação dos territórios das duas metrópoles. Ora, prescrevendo o Tratado de Limites que as raias correriam pelo Rio Paraguai, era necessário que houvesse acordo nas demarcações para que fossem reconhecidas, como portuguesas, as ocupações destes na margem direita do Rio.

Todavia, os comissários de limites, durante longos anos de negaças ([2]) e desentendimentos, não conseguiram arrancar do impasse aqueles importantes casos controvertidos. Os Capitães-Generais, não obstante sustentarem perante a Corte os direitos subsistentes, e as razões vitais da manutenção de Coimbra e Albuquerque, temiam que o governo português, por outros motivos, não menos poderosos, chegasse a negociar a evacuação daquelas posições e entregá-las às autoridades castelhanas. Essa ideia não é gratuita. Ela andou bailando na cabeça dos governantes portugueses. Não fosse a resistência tenaz de Luis de Albuquerque, talvez ela tivesse vingado, à custa de compensações de outra ordem de interesses. O gabinete português chegou mesmo a prometer à Corte Madrilena, talvez para lograr outras vantagens, talvez por despistamento, que abandonaria aquelas posições. Fá-lo-ia, no entanto, em duas etapas. Primeiramente, evacuaria a região de Albuquerque para que viesse a servir às ligações fluviais de Chiquitos com Assunção e o Prata. Posteriormente, mediante novo acordo quanto ao tempo, destruiria o Presídio de Coimbra e abandonaria também essa posição.

Não padece dúvida a existência desse entendimento luso-castelhano. Azara, em suas cartas, faz menção dele e acusa as autoridades mato-grossenses de não lhe darem cumprimento. Sincero fosse ou não, o que é fato e que Luís de Albuquerque e seus sucessores não julgaram prudente realizar obras permanentes ou dispendiosas naquela região contestada. Nem a Povoação de Albuquerque nem Coimbra, até 1790 pelo menos, tinham consentimento para construírem obras de alvenaria, na suposição de as terem de abandonar aos castelhanos.

Esta assertiva figura na conversação entretida por José Antonio Pinto de Figueiredo, Comandante de Albuquerque, e o piloto Martin Boneo ([3]), no encontro que tiveram no Rio Paraguai em setembro de 1790. Declarou o Sargento-mor português àquele oficial espanhol, que o povoado de Albuquerque tudo produzia bem, e, portanto, no sentido de melhorar-lhe as condições de habitabilidade, propôs construir ali casas duráveis, de tijolo e telhas. A isso lhe respondeu o Capitão-General que tratasse tão só de conservá-lo nas condições em que estava, até que se realizassem as demarcações, pois poderia acontecer que esses terrenos passassem à Espanha e tudo o que ali fizessem ficaria perdido. Coimbra recebera idêntico aviso, afirmou Pinto de Figueiredo. Boneo certificou-se que Figueiredo não adiantara uma informação graciosa, porque, quanto a Coimbra, já antes lho havia dito o Comandante daquele Presídio:

hay mucha piedra de cal, y se halla buen barro para teja y ladrillo, que no se hacían por prohibición.

Por estes considerandos ([4]), verifica-se que demoraram as providências dos Capitães-Generais para tornar o Presídio de Coimbra uma posição eficiente e capaz de impor-se definitivamente, a exemplo do Príncipe da Beira. Seria, neste caso, o melhor e mais legítimo título do domínio português na margem Ocidental do Rio Paraguai. A ideia e o interesse de melhorar as condições defensivas de Coimbra e Albuquerque só tomaram vulto após a visita de Martin Boneo àquele Presídio. A esse tempo, não mais ocorria temor algum na Frente ([5]) do Guaporé. Aconteceu então que, excluído o ano de 1775, pela primeira vez volveu sua atenção para a Frente Sul o Governo de Vila Bela. Nos primeiros tempos, comandaram Coimbra oficiais de milícia, improvisados, homens dedicados e leais, capazes de todos os sacrifícios, mas grosseiros e sem luzes necessárias para apreciar devidamente uma situação tática e defrontar-se com tropas regulares inimigas. Foi, pois, somente a partir de 1790, sob a perspectiva de um ataque castelhano, que a Expedição Martin Boneo fizera prever, que o governo de Vila Bela decidiu inscrever na ordem de primeira importância os problemas de segurança da fronteira Sul. O primeiro Comandante à altura da nova situação enviado para ali, foi o Major Joaquim José Ferreira, do Real Corpo de Engenheiros, que ali esteve de 1790 a 1792. Agravando-se, porém, de novo, em 1797, as relações entre as metrópoles, decidiu Caetano Pinto enviar para o Presídio de Coimbra, no comando da Fronteira Sul, o oficial de maior relevo na Capitania, que era Ricardo Franco, então Tenente-Coronel. Foi este grande soldado que impôs, em definitivo, o domínio português na margem Ocidental do Rio Paraguai e assegurou defesa e respeito à Fronteira Sul da Capitania. Clique AQUI e leia matéria completa.

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. 

Compartilhe


Deixe o seu comentário

Todos os campos obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.

Nome:

E-mail:

Seu comentário:
Sistema antispam

Digite aqui o código acima para confirmar:


 

area
Comentários
 
Últimas notícias do canal
09/10/2017 - 13h44
Joaquim Francisco de Assis Brasil
09/10/2017 - 13h43
Assis Brasil, Acre
09/10/2017 - 13h34
O Assassinato de Chico Mendes
09/10/2017 - 13h31
Epopeia Acreana - Parte VII
09/10/2017 - 13h29
Epopeia Acreana - Parte VI
 
Últimas notícias do site
20/10/2017 - 09h52
Gás de botijão leva prévia da inflação oficial a 0,34% em outubro, diz IBGE
20/10/2017 - 09h30
Enem 2017: locais de prova já estão disponíveis no cartão de confirmação
20/10/2017 - 09h09
PMA prende jovem com rifles e munições ilegais
20/10/2017 - 08h40
Corumbá tem dois projetos selecionados para fase nacional do prêmio MPT na Escola
20/10/2017 - 08h07
PMA autua fazendeiro por degradação de matas ciliares
 

88

Untitled Document
 ® 2009  

CPN - Central Pantaneira de Notícias
PantanalNEWS - Marca registrada 1998-2009
Todos os direitos reservados.