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Meio ambiente - 18/04/2017 - 15h15

Fenômeno natural, decoada começa no rio Paraguai causando morte de peixes




Por Renata Volpe Haddad do Campo Grande News / Redação Pantanal News

Água do rio fica vermelha com a decoada. A falta de oxigênio acaba matando os peixes. (Foto: Direto das Ruas/ Arquivo)Água do rio fica vermelha com a decoada. A falta de oxigênio acaba matando os peixes. (Foto: Direto das Ruas/ Arquivo)Comum nesta época do ano por causa da cheia do Rio Paraguai e considerada fenômeno natural pelos pesquisadores, a decoada tem causado a morte de peixes no Pantanal pela falta de oxigênio e deixando a água com uma cor mais escura na região da Serra do Amolar.

"Normalmente, a decoada acontece no fim do mês de março com a primeira chegada das águas. Com a cheia, as águas invadem o campo e decompõem a matéria orgânica das margens, no caso, as plantas", diz o presidente do Ecoa, André Luiz Siqueira.

As bactérias responsáveis por essa deterioração, segundo ele, consomem o oxigênio e causam a morte dos peixes. Todas as espécies, segundo ele, sofrem com o processo. Alguns ainda tentam escapar.

"No Rio Paraguai há grandes bahias que recebem água limpa de outros rios que existem por perto, e alguns peixes tentam ir para esses locais para escapar do fenômeno. Esses peixes são os conhecidos peixes tontos, porque ficam debilitados com o fenômeno", pontua.

Alguns peixes ainda tentam fugir do fenômeno, mas outros não conseguem escapar. (Foto: Ecoa/ Divulgação)Alguns peixes ainda tentam fugir do fenômeno, mas outros não conseguem escapar. (Foto: Ecoa/ Divulgação)

 

Não há como evitar a decoada. Muitas vezes a quantidade de peixes que aparecem boiando na superfície assusta, mas o fenômeno ajuda a equilibrar o meio ambiente, por exemplo atraindo garças que migram para a região nesse período ara se alimentar dos animais mortos.

"Acaba acontecendo um controle natural do meio ambiente. Esse peixes também servem de alimentos para répteis e mamíferos", diz o presidente da Ecoa.

Sobre os ribeirinhos, a comunidade Barra do São Lourenço é a mais atingida. "Mas como eles já sabem a época e como acontece a decoada, a população acaba tratando a água da chuva ou buscam água limpa em riachos, por exemplo, já que a do rio Paraguai fica imprópria para consumo".

Segundo a pesquisadora da Embrapa Pantanal, Márcia Divina de Oliveira, a intensidade da decoada depende da cheia do rio e da seca do ano anterior. "A decoada é a mudança das características das águas e a intensidade vai depender muito da cheia do rio. Nem sempre o fenômeno causa a morte dos peixes", informa.

Como o rio Paraguai tem uma área grande, não é possível fazer um balanço de quantos peixes morrem com a decoada por ano. "O fenômeno começa sempre na região da Serra do Amolar, porque lá se encontram as águas vindas da parte alta, como Cuiabá e da região norte".

A decoada é mais comum no rio Paraguai, rio Miranda na região do Passo do Lontra e no rio Taquari.

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