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Meio ambiente - 03/03/2017 - 13h54

Comuns em áreas urbanas de MS, araras encantam pela beleza das cores

Cruzamento de espécies canindé e vermelha deu origem às araras híbridas. Ninhos urbanos de Campo Grande são monitorados pelo Instituto Arara Azul.




Por Gabriela Pavão do G1 MS / Redação Pantanal News

Araras híbridas flagradas no pátio da TV Morena em Campo Grande (Foto: Edmar Melo/ TV Morena)Araras híbridas são resultado de cruzamento de araras canindé e vermelha (Foto: Edmar Melo/ TV Morena)

Ver e ouvir araras passeando pelo céu de Campo Grande faz parte da rotina de quem mora na capital sul-mato-grossense e não é raro avistar uma delas no centro da cidade em meio a prédios e carros no trânsito. Um registro feito nesta sexta-feira (3) pelo repórter cinematográfico Edmar Melo mostra duas delas sobrevoando o pátio da TV Morena, logo no começo da manhã.

A população de araras em Campo Grande já passa de 400 indivíduos, segundo a bióloga Neiva Guedes, isso em ninhos conhecidos e monitorados pelo Instituto Arara Azul.

As aves chamam atenção pelo barulho e encantam pelas cores, as canindés (Ara ararauna) pelo azul e amarelo, as Ara chloropterus pelo vermelho vivo e as híbridas, espécie resultado do cruzamento entre as canindés e as vermelhas. Esta última é mais colorida e mescla tons de azul, verde, amarelo, vermelho e laranja.

Neiva Guedes faz o monitoramento das espécies em Mato Grosso do Sul desde 1989, quando teve o primeiro contato com araras-azuis no Pantanal. Na época, surgiu o projeto Arara Azul, que ajudou a tirar a espécie da lista de animais em extinção.

O projeto virou Instituto e, atualmente, abrange várias espécies, no Pantanal e em áreas urbanas do estado. Além de presidente do Instituto, Neiva também é professora do programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Uniderp.

Arara híbrida é mais colorida do que canindé e vermelha (Foto: Edmar Melo/ TV Morena)Arara híbrida é mais colorida do que canindé e
vermelha (Foto: Edmar Melo/ TV Morena)

Mistura de DNA
Neiva disse ao G1 que acompanha a migração das aves para a área urbana desde 2000 e que o surgimento das araras híbridas é recente no estado.

Ela acredita que o cruzamento das espécies pode ter ocorrido em cativeiro e que os filhotes foram soltos na natureza, mas ressalta que não pode afirmar como e quando surgiram as primeiras híbridas.

"Não sabemos de fato se alguém fez o cruzamento e depois liberou, mas o fato é que hoje a reprodução dessas híbridas está acontecendo naturalmente e, no futuro podemos ter novas espécies", explicou.

A arara vermelha é maior em tamanho do que a arara canindé, mas no caso das híbridas, Neiva diz que o tamanho dos filhotes variam.

"Esse híbrido acaba misturando o DNA das duas espécies e está no intervalo de tamamho entre a canindé e a vermelha. A arara-azul é a maior de todas, considerada a rainha das araras, e é mais rara de ser vista nas cidades. Já tivemos filhotes em Campo Grande com tamanho mais próximo da vermelha e filhotes mais próximos da canindé, o fato é que nenhum é igual a outra, cada uma é um bicho diferente", afirmou.

Migração
A bióloga explica que as araras vermelhas e canindé migraram para Campo Grande no período de grande seca, queimadas e escessez de alimentos na zona rural.

Sem ter o que comer, as aves foram para a cidade. Na época, Neiva acompanhou grupos de 20 a 47 indivíduos que foram para Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas.

E, desde então, a convivência entre as araras canindé, vermelha e híbridas tem sido harmônica, garante a bióloga, principalmente por Campo Grande ser uma cidade bem arborizada e com opções de alimentos para as aves. Nos últimos cinco anos, pelo menos 347 filhotes de araras nasceram na capital sul-mato-grossense.

"O que a gente tem de fato é o privilégio de estar em uma cidade e estar vendo todo esse processo acontecer. Talvez nossos bisnetos, tataranetos vejam novas espécies, porque hoje temos híbridas cruzando com vermelhas, vermelha com canindés e canindés com híbridas", afirmou.

Araras urbanas
A especialista fala que as araras são generalistas na alimentação e se alimentam de sementes e frutos de várias espécies, por isso, encontram grande variedade em Campo Grande.

"Não acreditei que elas viessem, mas são a alegria agora", afirma Márcia. (Foto: Priscilla Santos/ G1 MS)Ninho constrúido por moradores de casa na capital
(Foto: Priscilla Santos/ G1 MS)

Na cidade, acabam se estabelecendo na área urbana, onde encontram troncos de palmeiras mortas para fazer ninhos. O material em decomposição serve de base para o conforto dos filhotes.

Os resquícios de buritizais às margens de córregos e palmeiras plandas em várias regiões da cidade viram locais de reprodução. Segundo o Instituto Arara Azul, atualmente cerca de 100 araras vivem na capital e muitas delas moram em ninhos e dormitórios monitorados pelo projeto.

Com ajuda da população, estudantes e profissionais da área, as araras urbanas ganham ninhos, como no caso da família que construiu um ninho na palmeira de casa para abrigar as aves. Em outra situação, um morador investiu R$ 1 mil para proteger o ninho que as araras construíram na casa dele.

Preservação
O projeto Arara Azul começou em 1989 no Pantanal, onde atualmente 108 ninhos de arara-azul são monitorados, principalmente, durante o período de reprodução, que vai até março. Neiva ressalta que o projeto recebe ajuda de voluntários e moradores que percebem a importância de preservar a natureza e os animais e também orienta em casos de nascimento de filhotes em casas de moradores.

Interessados podem entrar em contato o Instituto Arara Azul pelo telefone (67) 3222-1205, pelo site ou pela fan page.

Araras híbridas flagradas no pátio da TV Morena em Campo Grande (Foto: Edmar Melo/ TV Morena)Araras híbridas flagradas no pátio da TV Morena em Campo Grande (Foto: Edmar Melo/ TV Morena)

 

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