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Artigos - 30/12/2016 - 13h22

Corsários Franceses no Rio - I Parte




Fotos: Divulgação

Mapa da Baía Rio Janeiro – Duguay Trouin, 1711



Ilha das Cobras em (James Forbes, 1765)



Jean-François Duclerc



Assassinato de Jean-François Duclerc
Por Hiram Reis e Silva*

 Hiram Reis e Silva, Bagé, RS, 30 de dezembro de 2016. 

Os Lusíadas - Canto X

(Luís Vaz de Camões)

152 

 

Fazei, Senhor, que nunca os admirados

Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses,

Possam dizer que são para aí mandados,

Mais que para aí mandar, os portugueses.

Tomai conselho só d’experimentados

Que viram largos anos, largos meses,

Que, posto que em cientes muito cabe.

Mais em particular o experto sabe.

 

A primeira Expedição francesa à “Terra Brasilis” foi comandada por Nicolas Durand de Villegagnon, nos idos de 1555. Desde então até o século XVIII, piratas e corsários de diversas nacionalidades atacaram e pilharam povoados ao longo do litoral brasileiro. A descoberta de ouro no sertão das Minas Gerais convergiu a atenção dos bucaneiros para o litoral da Região Sudeste, especialmente para o Rio de Janeiro que havia se transformado em um progressista entre­posto de fornecimento das Minas Gerais. Entre os assaltos mais famosos, podemos registrar, em agosto de 1710, o do corsário Jean-François Duclerc e, em setembro de 1711, o de René Duguay-Trouin. Os eventos que se seguiram desde a primeira invasão de Duclerc até a Expedição punitiva de Duguay-Trouin são dignos de compor um romance de “capa e espada” de Alexandre Dumas onde não faltaram sequer audaciosos lances amorosos atribuídos a Duclerc quando este era um privilegiado prisioneiro das forças locais. Esta pequena digressão histórica tem o objetivo de mostrar a importância e a necessidade da revitali­zação e construção de Fortificações e da urgente reor­ganização das Forças Militares luso-brasileiras.

Atividade Corsária

Para que possamos ter uma ideia da diferença entre pirataria e a atividade corsária vou reproduzir alguns tópicos de um artigo escrito pelo Professor Dr. Paulo Knauss quando era Diretor do Arquivo Público do Rio de Janeiro e Professor de Departamento de História da Universidade Federal Fluminense.

 Disputa colonial

 

[...] Durante as guerras da Itália, no início do século XVI, no momento de acirramento das relações entre a dinastia dos Habsburgos austro-hispânicos e a dinastia dos Valois franceses, a ação marítima demonstrou, mesmo sem ser preponderante, seu impacto no âmbito das relações internacionais euro­peias, confundindo-se ainda com a questão da expansão otomana sobre a Europa. A partir da primeira metade do século XVII, com a Guerra dos Trinta Anos e da conquista de autonomia política das Províncias dos Países Baixos diante da dominação dos Habsburgos, o Poder Naval afirmou definitiva­mente o seu papel nas relações entre os Estados europeus como elemento decisivo. [...] É com o Tratado de Tordesilhas de 1494, assinado entre Portugal e Espanha, que se inaugura propria­mente a disputa colonial, definida então como disputa de mares. [...] o Tratado Tordesilhas pro­clamava a exclusividade ibérica dos mares em oposição à liberdade dos mares e sua abertura a todos os sujeitos sociais da atividade marítima. Contrapunha-se à posição do “Mare Clausum”, a defesa do “Mare Liberum”. [...] 

Mare Clausum: termo latino que significa “mar fe­chado a dois”, ou seja, qualquer corpo d’água navegável que esteja sob a jurisdição exclusiva de dois países. No período entre os séculos XV e XVII, Portugal e Espanha foram pioneiros nas rotas de longo curso e adotaram um princípio que pressu­pu­nha além, do domínio militar dos mares, a coloniza­ção das regiões adjacentes. (Hiram Reis)

Mare Liberum: é o Extrato, publicado em 1609, da obra de Hugo Grotius, jurista holandês, publicada em 1606. O documento contesta a política de “Mare Clausum” da Espanha e Portugal, argumentando que, se tais países pudessem legitimamente gover­nar e dominar os mares, os holandeses estariam impedidos de navegar às Índias Ocidentais. Hugo Grotius defendia a liberdade dos mares como um aspecto fundamental na comunicação entre os povos e nações e que nenhum país tinha direito de mono­polizar o controle do Oceano dada sua grandeza e falta de limites estabelecidos. (Hiram Reis)

KNAUSS: Foi especialmente a França a grande rival da exclusi­vidade ibérica dos mares, motivando a organização da grande embaixada de João Silveira, diplomata português, na conjuntura de Tordesilhas. Possivel­mente não seria exagerado dizer que a reação foi proporcional à incapacidade da monarquia francesa de conter seus contingentes navais, movi­dos pelos interesses econômicos da atividade marí­tima privada e ação particular. É assim que, especialmente ao lon­go da primeira metade do sécu­lo XVI, a França foi o principal ator da política do Mare Liberum. Ao longo do século XVII, as potências navais da Europa foram reforçando seus postos portuários a fim de garantir a atividade mercantil associada à na­vegação oceânica, mas sempre num quadro político instável. [...] A Companhia recebia do Estado uma concessão de direitos sobre vasta área territorial e não sobre um negócio ou produto específico. O fato é que estas companhias nunca foram empresas desvinculadas completamente do Estado e do apoio do erário, nem no caso da célebre Companhia das Índias dos Países Baixos. No controle do mundo colo­nial, os repre­sentantes da Companhia monopolista, tais como Comissários, não assumiam apenas fun­ções econô­micas, mas afirmavam-nas a partir de suas funções políticas de Estado. [...] No século XVIII, portanto, desenrolou-se o processo de construção das garantias político-jurídicas da soberania de Estado sobre os territórios coloniais, que poderíamos caracterizar como “disputa de fronteiras”, sucedendo a conjuntura da disputa de mares e a da disputa de terras dos séculos ante­riores. [...] A política econômica definia assim a política exterior dos Estados europeus absolutistas e definia os mé­todos da política do poder, tendo sido a navegação seu maior triunfo. Nesse sentido, a própria realização mercantilista impunha um quadro de rivalidade entre os Estados europeus e o desenvolvimento da disputa colonial. [...]

Sentidos da Atividade Corsária

 

A história das ações coloniais francesas na América portuguesa acompanha a história da empresa naval da época. De um modo geral, esta se caracterizava pela grande associação entre a iniciativa privada e o Estado. Também aí se constata não apenas a função econômica do Mar mas, sobretudo, o papel político do Mar e que tem relação direta com a origem das armadas navais europeias da Época Moderna. [...] Ora, desde antes da afirmação dos Estados nacionais sob a égide da monarquia absolutista, a atividade da marinharia europeia se constituiu conjugando con­teúdos econômicos e militares, uma vez que a ação náutica implicava atuar num campo ameaçado pela concorrência guerreira de piratas e de rivais mediter­rânicos da África, como os mouros ou berberes, caracterizados como infiéis pelos cristãos. É assim que se organizou a “Empresa Corsária” que se tornou a estrutura alargada da marinharia nacional na Época Moderna europeia como instrumento de guerra. Nos seus primórdios medievais, é muito difícil distin­guir os limites jurídicos da pirataria, definida como ação ilícita [ou forma de banditismo], e do corso, definido como empresa militar a serviço do interesse de Estado. Ao longo da Época Moderna foi que se definiram as bases jurídicas da empresa corsária legalizada como recurso de afirmação do poder de Estado no quadro das rivalidades nacionais. Sua base legal sustentava-se na concessão da “Carta de Marca” à iniciativa náutica, emitida por diferentes instâncias estatais, de acordo com a época e o país, e que distinguia o corso com o “caráter de oficialida­de” e lhe atribuía distinção simbólica a partir da ho­norabilidade resultante da proximidade com a mo­narquia. Desse modo, o corso se constituiu no ante­cessor das marinhas nacionais europeias. (KNAUSS)

Carta de Marca: ou Carta de Corso (latim “cursus” – corrida), era um documento emitido pelo Estado que autorizava seu dono a atacar navios (Piratas) e Povoados (Bases) de nações inimigas. O documento transformava o proprietário da Carta em membro oficial da marinha do país, segundo a “Lei do Mar” (Tratado Internacional que criou esse instrumento jurídico internacional). As “Cartas de Marca” eram utilizadas por diversas nações e, principalmente, pe­la França e a Inglaterra. A “Carta de Marca” autori­zava o portador a ultrapassar as fronteiras nacionais para abordar, assaltar, apoderar-se ou destruir em­barcações inimigas que, em geral, eram as naus Piratas que infestavam os mares. (Hiram Reis)

KNAUSS: A história da disputa colonial é responsável pela res­significação das palavras. Enquanto na língua fran­cesa a palavra “corsário” caracteriza um tipo social historicamente demarcado, associado aos feitos he­roicos de construção da marinha nacional, em portu­guês a palavra ganhou um sentido pejorativo, tor­nando-se sinônimo de pirata, assumindo seu con­teúdo ilícito. [...] É preciso considerar que a política ibérica exclusivista dos mares demarcava como infratora às suas leis a ação dos representantes da liberdade dos mares, es­pecialmente os franceses, no caso da América portu­guesa. De fato, diante do “Mare Clausum”, os corsá­rios franceses ou de outros Estados europeus afirma­vam-se como ação infratora às leis lusitanas e ato ilícito, tal como a pirataria se caracteriza. Isso justifica a confusão semântica. Mas mesmo nestes casos, Portugal reconheceu em muitos casos o direi­to dos corsários, como no caso do pagamento de compensação de perdas feito a Villegagnon no século XVI, respeitando os códigos internacionais da época, conferindo-lhes um tratamento distinto dos piratas. Além disso, é evidente também da parte portuguesa a utilização militar da marinharia como instrumento na rivalidade náutica. [...] A perspectiva do lucro garantia a condição de reprodução do empreendimento corsário. Contudo, o corso fez do Estado um sócio inevitável da marinharia, caracterizando uma época da história naval. Sua relação com o Estado, entretanto, conferiu uma ambiguidade estrutural à atividade marítima privada com finalidade mercantil na Europa da Época Moderna, definindo-se como setor de acumulação e atividade militar substitutiva. Por sua vez, a ligação com o Estado colocou também o corsário entre o lucro e a glória, fazendo deste tipo social um fenômeno histórico. Nas Américas, ele assumiria características próprias. Ainda que as palavras distanciassem os capitães franceses e por­tugueses, do ponto de vista da organização da em­presa marítima, muito pouco os distinguiu. A grande diferença é que a participação da Coroa no caso lusi­tano foi muito mais acentuada que no caso francês, onde a iniciativa privada predominou. Contudo, a marinharia possuía os mesmos conteúdos marcados pelo interesse pelo lucro e pelas honrarias. [...] podemos, portanto, considerar que a cronologia das ações francesas no território da América que se definiu como portuguesa acompanhou as conjunturas da disputa colonial que retratam uma das dimensões do quadro das relações internacionais europeias na Época Moderna: a França Antártica corresponde ao tempo da disputa dos mares; a França Equinocial ao tempo da disputa de terras; e os ataques de Du Clerc e Duguay-Trouin antecipam a conjuntura da disputa de fronteiras. Além disso, se do ponto de vista de sua organização naval, elas se distinguem muito, do ponto de vista dos laços entre Estado e iniciativa privada para a exploração colonial elas se aproximam, o que permite atribuir-lhes a caracterís­tica de empresa corsária. (KNAUSS)

Comandante francês Jean-François Duclerc 

Jean-François Duclerc era filho de Jean Duclerc e cunhado de Antoine Debourg, Conselheiro do Conselho Soberano de Guadalupe. Duclerc iniciou sua carreira na Marinha Francesa, como Capitão de uma canhoneira. Após o ataque de Duclerc, o Governador Francisco de Castro Moraes nomeou Antônio Barbosa Leitão no posto de Tenente da Ilha das Cobras e Chefe do Forte de Santo Antônio da Ilha das Cobras. Um ano depois, apesar dos insistentes e veementes relatórios dos engenheiros militares solici­tando recursos para obras de manutenção e reapare­lhamento, a precariedade em que se encontravam as fortificações facilitou a ação de René Duguay-Trouin.

A Morte do Comandante Francês João Duclerc 

A Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (RIHGB), de 1899, no seu Tomo LXII, Parte II, reproduziu, nas páginas 193 a 198, o artigo “A morte do comandante francês João Duclerc” escrito pelo Médico e Professor de História do Colégio Pedro II, Manuel Duarte Moreira de Azevedo (1832-1903).

João Francisco Duclerc, jovem amoroso, empreen­dedor e intrépido, natural do Guadalupe, e senhor de Leogane, saiu de La Rochelle por ordem do Luiz XIV, em 10.05.1710, para apoderar-se da cidade do Rio do janeiro. Compunha-se a Expedição de seis navios e de mil e cem homens de guarnição. Nessa época, ocupava a cidade do Rio do Janeiro o espaço que se abria do Morro da Sé ou do Castelo ao de São Bento, e do Mar até o fosso cheio de água, que corria na direção da Rua chamada hoje de Uruguaiana. Contava doze mil habitantes. Além da vala, estendia-se uma vasta planície denominada Campo do Rosário, onde se erguiam as igrejas do Rosário e São Domingos. Ornamentava o morro da Conceição o Palácio Episcopal. Desembarcando em Guaratiba em 11 de setembro (1710), entraram os franceses, na sexta-feira 19 do referido mês (09.1710), na cidade pela azinhaga (trilha) de Mata Cavalos [Rua do Riachuelo], Caminho do Desterro [Rua Evaristo da Veiga], Caminho da Conceição d’Ajuda (Rua Chile), Rua do Parto [Rua S. José], Rua da Misericórdia, Largo do Carmo [Praça 15 de novembro], e chegaram à Rua da Cruz [Direita ou 1° de março]. Elevavam-se nesta Rua o Palácio dos Governadores, a Alfândega e o Trapiche, onde se guardava o açúcar, chamado do Dr. João da Motta e depois da Cidade. Junto do Palácio, como acontecera em outros pontos, encontrou Duclerc resistência. A Companhia dos ES­tudantes com o seu Capitão José da Costa Fernandes que estava de guarda na casa dos Governadores, investiu fortemente contra o inimigo. O Governador Francisco de Castro Moraes, à frente de dois mil homens, achava-se fortificado no campo do Rosário. O Coronel Gregório de Moraes, seu irmão, dispondo apenas de dezessete homens, e acompanhado de seu filho, o Capitão Francisco Xavier e sua Companhia, correu à Rua Direita para bater os franceses que, vendo-se perseguidos, renderam-se ao Trapiche. No combate, caiu mortalmente ferido Gregório de Castro que, no dia seguinte [sábado], foi sepultado na Igreja do Convento de Santo Antônio, junto ao altar da Conceição, havendo no sétimo dia ofício solene com a assistência do Governador, do Cabido [dos cônegos] e de muitas pessoas gradas (impor­tantes, nobres). Recitaram-se poesias junto à campa (sepultura) do ilustre guerreiro. Estando o inimigo sitiado no Trapiche, moveu-se o Governador e intimou-o a render-se. Perderam os franceses no conflito quatrocentos homens, tiveram duzentos e cinquenta feridos, dos quais alguns mais tarde morreram e seiscentos e vinte e um prisionei­ros. Contaram os portugueses cinquenta mortos, e sessenta e quatro prisioneiros. Duclerc foi remetido preso com o seu Ajudante de Campo e outros oficiais para o Colégio da Companhia de Jesus no Morro do Castelo, havendo sentinelas para vigiá-lo. Arderam no dia da peleja o Palácio dos Governadores, a Alfândega, o Trapiche e umas casas contíguas pertencentes ao mercador Gaspar Soares, perecendo nas chamas e sob as ruínas dos prédios incendiados o Almoxarife das armas Francisco Moreira da Costa, alguns estudantes e outras pessoas. Por motivo da vitória, houve “Te Deum”, procissão, orou o bispo, e fizeram-se outros festejos, declara­ndo-se Dia Santo e de Guarda perpetuamente para os moradores da cidade, com a obrigação de ouvirem Missa, o dia 19 de setembro, em que a Igreja celebra o martírio do S. Januário. (AZEVEDO, 1899)

Te Deum: hino litúrgico católico atribuído a Santo Ambrósio e a Santo Agostinho, que inicia com as palavras “Te Deum Laudamus” – A Vós, ó Deus, louvamos. (Hiram Reis)

AZEVEDO, 1899: Alegando não ser monge para estar encerrado no Colégio dos Jesuítas, e procurando indispor-se com estes, solicitaram eles a remoção de João Duclerc, que foi enviado para o Forte de São Sebastião, no Morro do Castelo. Mais tarde, por instâncias suas, foi residir, em fevereiro de 1711, na casa do Tenente Thomaz Gomes da Silva. Junto de sua residência foi postada uma guarda de dez soldados sob o mando do Furriel-mor do terço velho, tendo o preso a cidade por “ménage” (domicílio). Em 18.03.1711, das sete para as oito horas da noite, penetraram vários embuçados (encapuzados) no domicílio do prisioneiro, dois ficaram na porta e dois entraram. Acusando-o de desbocado e de requestador (galanteador) de mulheres honradas, assassinaram-no. Foi sepultado, no dia seguinte, na Capela do S. Pedro, na Igreja da Candelária. Têm escrito os nossos historiadores de modo diverso o nome de Duclerc, uns o chamam Carlos, como Macedo, Bellegarde, Abreu e Lima, Teixeira de Mello e mais alguns, e outros João Francisco, que é o nome exato, e vem mencionado no assentamento de óbito, que copiamos textualmente da seção de ma­nuscritos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Eis o assentamento:

Em 18 do março, das 7 para as 8 horas da noite de 1711 anos, mataram o General dos franceses, que entraram a tomar esta terra, o qual mataram dois rebuçados (envoltos na capa ou capote) que lhe entraram pela porta adentro, estando na cama, e dois ficaram guardando a porta na escada, e tinha sentinelas para que não galgasse, e não lhe valeram e chamou-se João Francisco, que era o nome da pia, e o nome de guerra “Moçú da Crê”, está enterrado na Capela de S. Pedro na Igreja da Nossa Senhora da Candelária, porque morava na Rua que se chama da Candelária, da Cruz para o campo, em umas casas que foram de João de Azevedo.

Explicam também os nossos cronistas e historiadores de modo diferente a morte do Comandante francês João Francisco Duclerc.

Diz Macedo:

Resultou este Assassinato de uma vingança particular.

Southey escreve:

Não foi isto por certo ato da fúria popular, só podia ser obra de vingança privada, sendo causa, segundo todas as probabilidades, o ciúme. Mas não se tirou devassa, como em todo caso se cumpria, com espe­cialidade, porém, num caso em que a Fé Nacional se achava comprometida.

Acrescenta o mesmo historiador:

Quanto à morte do Comandante, entenderam eles ter o Governo sancionado um assassínio, que deixa­ra de punir.

Antônio Duarte Nunes repete:

Ao General puseram prisioneiro no Colégio dos Padres da Companhia, depois o passaram para o Castelo, e ultimamente lhe concederam faculdade para tomar uma casa, onde o assassinaram, na noite de 18.03.1711, sem se averiguar quem fora, nem o saberem os soldados, que o guardavam.

Em Carta de 23.06.1711, participando o Governador Francisco de Castro Moraes ao Conselho Ultramarino de Lisboa o assassínio de João Duclerc, escreveu que passava este por desbocado o requestador (galan­teador) de mulheres honradas.

O Cônego Fernandes Pinheiro relata o fato do seguinte modo:

Não obstante a denegação (contestação) categórica de Francisco de Castro, cremos que não foi ele estranho a semelhante crime cometido com flagrante violação de todo o Direito Internacional. A presença de Duclerc o incomodava extraordinariamente, e não sabia como desfazer-se dele. Já em data de 09 de novembro do ano anterior (1710) reclamara da Corte providências a este respeito, e antes que lhe chegasse Provisão Régia, era o Comandante francês assassinado com circunstâncias tais, que se o não constitui autor desse atentado, pelo menos o acusam de cumplicidade.

Monsenhor Pizarro exprime-se assim:

Mr. Duclerc, pouco satisfeito do seu destino, muito contrário aos projetos que formara, intentou conspirar contra o povo, depois de passados alguns meses, e como se descobrisse a trama, foi assassi­nado na noite de 18.

Vindo atacar o Rio de Janeiro em 1711, enviou Duguay-Trouin (René Duguay-Trouin também grafado como Du Guay-Trouin) uma Carta a Francisco de Castro Moraes, na qual se lê:

Sei também, senhor, que foi assassinado o Sr. Duclerc, que os comandava; não quis usar de represália contra os portugueses, que caíram em meu poder, por não ser intenção de S. M. fazer guerra de modo indigno de um Rei cristianíssimo. Eu quero crer que sois honrado, e portanto não tereis tido parte nesse vergonhoso assassinato; mas isto não basta. S. M. quer que me nomeeis os autores do crime, para fazer-se exemplar justiça.

Respondeu o Governador:

A respeito da morte do Sr. Duclerc, cumpre-me declarar que, por solicitação sua, o pus na melhor casa desta terra, onde ele foi morto. Quem o matou? Eis o que se não pode verificar, por mais diligências, que se fizessem, tanto por minha parte como por parte da justiça. Asseguro-vos que se descobrir o assassino, será punido como merece. Em tudo isto nada se passou que não seja pura verdade, tal como vo-lo exponho.

O Sr. Dr. José Vieira Fazenda, digno bibliotecário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, dotado de espírito pesquisador, e assaz conhecido pelas suas investigações históricas nos indicou o manuscrito intitulado “Cópias Extrahidas do Conselho Ultrama­rino de Lisboa”, pertencente à biblioteca do referido Instituto, onde se lê a Carta, de 25.06.1711, de Francisco de Castro Moraes referindo que logo que se deu o fato, mandou o Ouvidor tirar devassa, mas nada se descobria; que esperava pelo Juiz de Fora para tirar segunda devassa; que ordenou prisão de quatro soldados, que formavam a guarda do prisio­neiro, conseguindo os outros evadirem-se, assim como os assassinos. Acusando o Conselho Ultrama­rino, em 11.02.1712, o recebimento da Carta de 25 de junho (1711), representou a El-Rei que, apesar de não estar na alçada do Governador tirar segunda devassa pelo Juiz de Fora, a revalidasse logo e que a ela se procedesse, e também para maior justificação do negócio, tirasse outra devassa o desembargador Antônio da Cunha Souto Maior, que se achava por sindicante no Rio do janeiro. E terminando repetia o Conselho Ultramarino.

Recomendando-lhe V. Majestade ponha o maior cuidado nesta matéria, como de tanto peso, e que será muito do seu real agrado obre nela com aquele zelo, que dele se espera.

Fica pois provado pelos documentos exibidos que Duclerc chamava-se João e não Carlos, não só pela Certidão de Óbito, que somos o primeiro a transcrevê-la “ipsis verbis” (com as mesmas palavras), como também pela exposição do Conselho Ultramarino, em que vem escrito João Duclerc. Quanto ao assassinato do Comandante francês, se não pudemos elucidá-lo completamente, consegui­mos provar que se abriu devassa, e se as pesquisas da justiça e do poder civil não se completaram, tal­vez viesse interrompê-las a segunda invasão dos franceses seis meses depois. Acresce que se foi o assassinato resultado de alguma vingança particular, provocada pelos galanteios de João Duclerc, só podemos acrescentar que, não empregando talvez Castro Moraes, homem fraco e irresoluto, a solicitude necessária para desvendar o crime, a posteridade tem lançado sobre seu nome alguma culpa sobre esse fato de tanta respon­sabilidade nacional, que não soube punir. (AZEVEDO, 1899)

Carta de Luiz d’Almeida C. Albuquerque

Senhor

O Governador Francisco de Castro Moraes dá conta a Vossa Majestade com toda a individuação do glorioso Triunfo, que conseguiram as Armas de V. M. gover­nadas por ele, contra as da França no assalto que deram a esta cidade em 19.09.1710: em que ficaram mortos e prisioneiros perto de mil franceses, que entraram nela entre Cabos e Soldados. Com que me não fica que dizer sobre esta matéria senão que o dito Governador se fez nesta ocasião digno de louvores grandes, e merecedor de todo o prêmio pela constância, zelo e atividade com que se empregou todo e não esqueceu nada do que pareceu conveniente para a defensa desta Praça no Mar, e na terra, mostrando em todos os acidentes desta invasão o quanto era bom Servidor e fiel Vassalo de V. M. cuja pessoa Deus guarde muitos anos como todos havemos mister. (AZEVEDO, 1899)

Os Franceses no Rio de Janeiro

A versão do romance histórico “Os Franceses no Rio de Janeiro”, de Manuel Duarte Moreira de Azevedo, narrando a execução de Duclerc na casa do Tenente Thomaz Gomes da Silva, baseia-se em relatos conheci­dos e, em especial, um documento que trata das ses­marias na Capitania do Rio de Janeiro onde o personagem, Francisco Moniz de Albuquerque (na vida real) foi agraciado com uma sesmaria, em 23.01.1714.

XI

DUCLERC

 

Achando-se no Colégio dos Jesuítas, conseguiu Duclerc permissão de retirar de bordo diversos objetos de seu uso, assim como de vender uma balandra que viera na flotilha que o conduzira à America. Como havia poucos cirurgiões na cidade, permitiu-se também o desembarque de alguns cirurgiões franceses para ajudarem no curativo dos feridos. (AZEVEDO, 1870)

Balandra: embarcação mercante de um só mastro. (Hiram Reis)

AZEVEDO, 1870: Depois de residir algum tempo no Colégio dos Padres da Companhia, concedeu o Governador ao General francês a faculdade de alugar uma casa para mora­dia, e de passear pela cidade com sentinela à vista. Aproveitando-se desse indulto, alugou Duclerc casa em uma das principais ruas da cidade, e em breve travou relações com muitas famílias. A casa de Fortes de Bustamante foi uma das primeiras em que o General francês encontrou gene­roso acolhimento e, ao apresentarem-no à filha do Juiz de Fora, sentiu-se Francisco Duclerc impressio­nado, e pareceu expandir-se seu peito enlevado por um sentimento de admiração; repetiu suas visitas e, no fim de um ou dois meses, reconheceu que Cupido, com seus dedos, que são setas, abrira-lhe o coração ao amor. Duclerc amou a filha de Fortes de Bustamante. Conheceu o Juiz de Fora que a beleza de sua filha não passara despercebida ao General francês, e como mais de uma vez mencionara este a genealogia ilustre de sua família, e os cabedais (bens) que possuía em França, e também a inteira esperança que tinha de breve ver-se libertado e restituído à pátria, abafou em seu peito Fortes de Bustamante, sempre egoísta e vaidoso, o pundonor e brios nacionais, e começou senão a favorecer, ao menos a não embaraçar a afeição que Duclerc manifestara por Thereza. Mas mostrava-se Thereza indiferente aos carinhos e afagos do General francês, e até lhe não deixava de causar estranheza o agrado com que seu pai recebia em sua casa a um inimigo da pátria, enquanto des­prezava a Frederico por ser um pobre mercador, es­quecido do serviço que este lhe prestara, defendendo com tanta galhardia sua vida e bens. Soube Frederico das quotidianas visitas de Francisco Duclerc à casa do Juiz de Fora e também lhe murmu­raram aos ouvidos que o General francês tencionava casar com a filha do Presidente da Câmara. Começou a correr pela cidade esse boato, e também a nova de que breve viria uma esquadra francesa vingar a derrota e libertar Duclerc e seus companheiros. Era um novo rival que se apresentava ao filho de Lúcia para contrariá-lo, e rival poderoso que o fez enraive­cer e entornou-lhe no coração o veneno do ciúme. Indo visitar a Frei Fabiano, disse-lhe Frederico irritado.

–  Corre, meu Padre, que o General francês é o noivo da filha de Fortes de Bustamante.

–  O glorioso Padre Santo Antônio me ilumine, pois, não percebo como o Juiz de Fora acha tão facilmente noivos para a filha; se morre um ele levanta outro do pó das ruas. E D. Thereza de Bustamante ama e quer por esposo esse foras­teiro?

–  Tem-lhe ódio, mas o pai não cogita na felicidade da filha; Duclerc é rico, dizem, e de nobre estirpe, e isso satisfaz a vaidade e egoísmo de Bustamante.

–  Ainda não creio, meu filho, acrescentou Frei Fabiano, nesse enlace; o Juiz de Fora há de respeitar o decoro nacional, não há de esposar sua filha com um inimigo, que veio insultar-nos em nossos próprios lares.

–  É certamente uma infâmia digna de vingança.

–  Não, redarguiu o leigo com calma, mas é um ato inconveniente e desonroso.

–  Meu Padre, Duclerc não é só meu rival, é também meu inimigo, bradou Frederico.

–  Mas inimigo que deve ser respeitado, porque está prisioneiro sob a proteção do estandarte, que tem por emblema as chagas de Cristo.

Frederico encarou no Frade leigo que com suaves conselhos continuou a tranquilizar-lhe o ânimo, e abafar-lhe o ciúme. Entretanto procedia Duclerc de um modo inconveniente, não cessava de repetir que fora atraiçoado, maltratado, que menosprezavam-no vigiando-o com sentinela à vista, que não tinha liberdade nem garantias apesar de haver deposto sua espada e rendido-se à discrição, e bradava que breve chegaria nova Expedição para vingá-lo e restaurar o nome francês escarnecido e vilipendiado pelos nossos. Viera com ele (Duclerc) um Frade Carmelita, homem violento e exaltado que, insuflado pelo General francês, começou a clamar contra a corrupção dos costumes, a predizer castigos celestes contra o povo que, crédulo e receoso, foi-lhe dando ouvidos, e em breve era o Frade tido por profeta, o que quer dizer que adquiriu decidida preponderância sobre a plebe rude e fanática. O modo violento em que se exprimia o General francês, o receio que a sua presença causava na cidade, a inquietação em que trazia os ânimos assustando-os com recentes invasões; a linguagem violenta de Frei Cosme, a sua pregação veemente e fanática levou Francisco de Castro de Moraes a representar a El-Rei pedindo-lhe que retirasse da Capitania não só a Duclerc, como aquele Frade Carmelita. Mas crescendo-lhe o temor que tinha do General inimigo, apesar de vencido e preso, por correr geralmente na cidade o boato da vinda mui próxima de nova esquadra inimiga, e demorando-se a resposta do soberano, lembrou-se Francisco de Castro Moraes de executar um plano atroz para mais depressa desembaraçar-se do inimigo vencido. Propalara-se que o General francês, abusando da hospitalidade que recebera em casa de um pobre homem, chamado Muniz de Albuquerque, ultrajara a honra de uma donzela. Julgou Francisco de Castro Moraes que o irmão dessa infeliz podia servir de instrumento para executar suas sinistras intenções; de feito resolveu escrever-lhe pedindo-lhe que viesse ao Palácio para ensinar-lhe a vingar-se dos sedutores, como era o General Duclerc; mas depois de haver escrito deitou o papel na secretaria, julgando mais judicioso e prudente mandar vir ao Palácio o ofendido, e dizer-lhe qual o seu intento. Assim fez. Compareceu Muniz de Albuquerque, e depois de longa conferência com o Governador Francisco de Castro Moraes, saiu do Palácio acompanhado de um soldado do Regimento Velho. Na noite do dia seguinte, em 18.03.1711, entraram dois rebuçados na casa em que residia Francisco Duclerc, e assassinaram-no sem que se opusessem as sentinelas que o vigiavam.

XII

 

A JUSTIÇA DE FRANCISCO DE CASTRO MORAES

 

No dia seguinte, Duclerc foi sepultado na Capela Funda de S. Pedro na Igreja da Candelária. Logo que se divulgou este assassínio, tocou-se a rebate (suspeita) sobre o caso; fizeram-se milhares de conjecturas; diziam uns que o General francês fora morto por ordem dos Jesuítas, outros pelos seus compatriotas por não haver mostrado plano nem energia no ataque da cidade; estes lembravam o nome de Francisco de Castro Moraes, como o autor do crime, o qual desse modo se quis livrar de inimigo tão inquieto e turbulento; aqueles, cientes da infame ação praticada contra a irmã de Muniz de Albuquerque, mencionavam o nome desse homem como o do autor do assassínio; porém o boato mais geral era que Duclerc havia sido vítima do ciúme de Frederico. Fingiu-se Francisco de Castro surpreendido quando referiram-lhe a notícia da morte do General francês, e movendo a justiça da Capitania, prometeu castigar severamente o autor e cúmplices de tão nefando crime, perpetrado contra os direitos internacionais e decoro da nação. Clamavam as velhas que Duclerc fora vítima do demônio que, sem ser visto, penetrara em casa do herege e sufocara-o.

–  Já sabe, comadre, dizia uma velha à sua vizinha, morreu o perro (cão, canalha) judeu, o desbra­gado (indecoroso) francês que veio conquistar-nos a terra.

–  Sei, acutilaram-no (feriram-no com o gume da espada) bem.

–  Qual; aquilo foi obra de Satanás, as sentinelas não viram entrar nem sair ninguém, e o herege apareceu morto.

–  O Anjo Gabriel nos acompanhe, cruz, santíssimo seja o nome de Jesus; que cheiro de enxofre se não havia de sentir quando Satanás entrou na­quela habitação.

–  Ah! Ah, acrescentou a outra sorrindo, dizem que depois de alto berro exalara o demo cheiro de enxofre, e desaparecera, tendo antes espalhado por toda a casa um clarão sinistro; quando entraram na câmara do francês estava o herege morto e estirado no leito.

–  Olhe, vizinha, Satanás que levou-lhe a alma, foi porque já a tinha endemoninhado; cruz, para longe, repetiu a mulher fazendo mais de uma vez o sinal da cruz.

–  Também aquilo não era gente para viver entre cristãos, redarguiu (rebateu) a outra.

E despediram-se as vizinhas depois de exorcizarem com sobejidão (exagero) de palavras ao infernal assassino do General francês. Desejando afastar de si toda a suspeita sobre o assassínio de Duclerc, ordenou Francisco de Castro de Moraes a Muniz de Albuquerque, que podia comprometê-lo, que naquela mesma noite se ausentasse da cidade, e simulou exercer excessiva vigilância para descobrir o autor do nefando crime. Quanto ao soldado do Regimento Velho, cúmplice de Muniz, nunca mais foi visto na cidade, nem em terras da Capitania, porém, constou tempos depois, haver sido degredado para as Índias por ordem do Governador Francisco de Castro de Moraes. Fortes de Bustamante vira desvanecerem-se mais uma vez as esperanças de uma feliz aliança para sua filha, e contrariado por isso, e por ver que Frederico persistia firme, resoluto e constante no seu amor por Thereza, ouvindo pronunciar o nome do moço como réu da morte de Duclerc, deu crédito a essa balela, e apressou-se em ir ao Palácio denunciá-lo como crimi­noso. Encontrara Francisco de Castro Moraes uma vítima para ocultar-se ao crime que mandara praticar; exultou ao ouvir pronunciar o nome do culpado e, momentos depois de haver recebido a denúncia, or­denou a prisão de Frederico, que foi lançado em ferros no Forte de São Sebastião. Instantes depois referiam a Frei Fabiano a prisão de Frederico acusado de assassino.

–  Não posso crer, bradou o Frade erguendo-se repentinamente do escabelo em que estava sentado. 

–  São contra ele os indícios; foi visto embuçado na noite em que se perpetrou o crime em frente à casa do assassinado; dizem que o ciúme armara-lhe o braço... (AZEVEDO, 1870)

    Escabelo: banco comprido, largo e com encosto em todo o seu comprimento. O assento serve de tampa para um baú. (Hiram Reis)

AZEVEDO, 1870: Lembrou-se então Frei Fabiano do que lhe contara Frederico sobre os amores de Duclerc com a filha do Juiz de Fora, e sucumbido, sufocado de dor, murmurou.

–  Meu Deus, será ele culpado!

As lágrimas assomaram-lhe aos olhos. (AZEVEDO, 1870)

Assassinato de Duclerc

A Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (RIHGB) publicou, na íntegra, em vários volumes, “Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro” de autoria do historiador, político e médico brasileiro José Vieira Fazenda, falecido em 1917. A RIHGB, de 1920, no seu Tomo 88, Volume 142, reproduziu o artigo “Assassinato de Duclerc” nas páginas 35 a 41.

Às 15h00 de sexta-feira, 19.09.1710, dia do S. Januário, começaram a repicar festivamente todos os sinos desta cidade. À noite, o povo dirigiu-se alegre­mente às igrejas, onde eram entoados solenes cânticos de ações de graças. Houve comédias e representações públicas em sinal de regozijo. Em 23 (09.1710), saiu da Sé pomposa procissão, feita pelo Cabido, e o Bispo D. Francisco de S. Jerônimo ordenou fosse no futuro o dia 19 considerado de guarda dentro dos muros da cidade, e que sempre se fizesse, nesta data, uma procissão que saindo da Catedral, recolheria à antiga Capela de S. José. Significava tudo isso a comemoração da vitória que sobre os franceses haviam ganho os habitantes da cidade de S. Sebastião. (FAZENDA)

Fontes:

 

AZEVEDO, Manuel Duarte Moreira de. Os Francezes no Rio de Janeiro: Romance Histórico – Brasil – Rio de Janeiro – B. L. Garnier, 1870.

AZEVEDO, Manuel Duarte Moreira de. A Morte do Comandante Francês João Duclerc – Brasil – Rio de Janeiro – Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (RIHGB) – Tomo LXII – Parte II, páginas 193 a 198, 1899.

FAZENDA, José Vieira. Assassinato de Duclerc – Brasil – Rio de Janeiro – Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – Tomo 88, março de 1903.

KNAUSS, Paulo. Os Corsários franceses no Brasil – Brasil – Rio de Janeiro – Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – Tomo 444 – julho/setembro, 2009. 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

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