zap
   

especiais

seções

colunistas

blogs

enquete

Na sua opinião, o Pantanal já sente os efeitos do desmatamento?
Sim
Não
Não sei
Ver resultados

tempo

newsletter

receba nosso newsletters
   
Rádio Independente

expediente

Pantanal News ®
A notícia com velocidade, transparência e honestidade.

Diretora-Geral
Tereza Cristina Vaz
direcao@pantanalnews.com.br

Editor
Armando de Amorim Anache
armando@pantanalnews.com.br
jornalismo@pantanalnews.com.br

Webmaster
Jameson K. D. d'Amorim
webmaster@pantanalnews.com.br

Redação, administração e publicidade:
Aquidauana:
Rua 15 de Agosto, 98 B
Bairro Alto - CEP 79200-000,
Aquidauana, MS
Telefone/Fax (67) 3241-3788
redacao@pantanalnews.com.br

Escritório:
Corumbá:
Rua De Lamare, 1276 - Centro
CEP 79330-040, Corumbá, MS
Telefone: (67) 9235-0615
comercial@pantanalnews.com.br
pantanalnews4@terra.com.br

 
Artigos - 19/12/2016 - 13h23

Às Verdadeiras Heróicas e Anônimas Amazonas




Fotos: Divulgação

Isabela de Godin



Louis Godin



Os Coudreau e seus Marinheiros



Expedição Roosevelt - Rondon
Por Hiram Reis e Silva*

 Hiram Reis e Silva, Cidreira, RS, 19 de dezembro de 2016.

Njáls Saga

(Passagem das Lanças)

 

Tudo é sinistro de se ver, agora,

Uma nuvem vermelha escurece o céu,

O firmamento está manchado com o sangue de homens,

Enquanto as Valquírias cantam sua canção. (DAVIDSON)

Voltei encantado ao perlustrar, em novembro deste ano, novamente o fantástico cenário do Rio Negro e, mais uma vez, a imagem mais bela, mais forte e que me arrebatou por inteiro foi a das corajosas mulheres daquela bela, mas inóspita região. Encantadoras e generosas na sua hospitalidade, fortes e destemidas ao enfrentar, muitas vezes sozinhas, os desafios da mata hostil, são elas verdadeiras amazonas a arrostar o cotidiano agreste sem esmorecer. 

Estas verdadeiras valquírias merecem, com certeza, nosso mais grato reconhecimento e homenageando-as quero fazer aqui um tributo às guerreiras de toda nação brasileira. Reporto quatro passagens interessantes de arrojadas mulheres que no remoto pretérito deram mostras de seu valor e cujas ações ficaram gravadas indelevelmente no inconsciente coletivo do planeta.

‒ Isabela de Godin (1749)

Jean Godin des Odonais era primo de Louis Godin, célebre astrônomo e membro da Academia de Ciências de Paris. Em 1735, Jean, graças ao primo astrônomo, fez parte da expedição geodésica (chefiada por Charles Marie de La Condamine) enviada ao Peru para medir o arco do meridiano terrestre. Embarcou em La Rochelle, a 16 de maio de 1735, e chegou a Quito, em 22 de maio de 1736.

Em Riobamba Jean conheceu Isabel de Casa Mayor. Dom Pedro de Casa Mayor, pai de Isabel, era Vice-rei da província de Otavalo e viúvo de uma rica peruana. Bela e culta, Isabel encantou Jean, que a desposou em 27 de dezembro de 1741. A equipe de La Condamine permaneceu na área por oito anos. La Condamine voltou para a França, mas Jean Godin permaneceu com a esposa Isabel dilapidando a fortuna da mulher.

Em março de 1749, partiu só, para Caiena (Guiana Francesa), na oportunidade Isabel estava grávida e impossibilitada de acompanhá-lo na jornada. Ficaram separados pelo destino durante 21 anos. A França e Espanha, na época, estavam em guerra contra os ingleses e os holandeses. Isabel depois de esperar muito tempo pela volta do marido resolveu ir ao seu encontro e considerando que cruzar a Região de Darien (hoje área fronteiriça entre a Colômbia e Panamá) ou contornar o continente pelo cabo Horn seria muito arriscado resolveu, então, ir por terra, enfrentando os três mil quilômetros de distância entre o Peru e Caiena.

Somente em 1º de outubro de 1769, Isabel conseguiu empreender, com os dois irmãos, um sobrinho, um fiel servo e três servas, a longa viagem até Caiena. Pouco antes de partir, a equipe foi reforçada com um médico francês e dois de seus empregados. A partir de Canelos, arrasada pela varíola, a pequena expedição mergulhou no horror.

Os carregadores e guias, tomados de pânico por causa da doença, fugiram. Alguns indígenas lhes serviram provisoriamente como guias, os abandonaram da mesma forma. O médico francês acompanhado de Joaquim, fiel servo de Isabel, foi procurar socorro em uma missão próxima e jamais voltou. Ao retornar, Joaquim, encontrou apenas cadáveres. Isabel e seus companheiros, depois de aguardar três semanas, tinham resolvido continuar o caminho atravessando a floresta. Todos, exceto Isabel, morreram de fome, de sede e de cansaço.

A corajosa amazona prosseguiu sozinha sua aventura, sem conhecer a direção a seguir, alimentando-se unicamente de frutos e de ovos. Depois de oito dias, ela chegou ao Rio Bobonaza, onde indígenas a acolheram e levaram-na à missão espanhola de Loreto. O missionário Franciscano recusou-se, inicialmente, a recebê-la, tal o seu aspecto e seus andrajos. Pensou que se tratava de uma índia fugitiva, e só abriu a porta da Missão depois que ela cobriu o corpo com um tecido de palha. Madame Godin contou sua história e como estivesse muito fraca foi colocada em uma canoa que a transportou para o leste. Depois, um bergantim português transportou-a ao Oiapoque, onde, a 22 de julho de 1770 conseguiu chegar e dali partiu para a Guiana. Em Caiena nem o próprio marido a reconheceu.

‒ Marie Octavie Coudreau (1889-1906)

[...] É para permitir-me reunir os restos mortais do meu marido com os de seus velhos pais; meu bem-amado Henry Coudreau não deve permanecer para sempre em uma terra estrangeira. (COUDREAU)

Em 1895, o professor, geógrafo e notável explorador Henry Anatole Coudreau deu início, no Estado do Pará, ao mapeamento de alguns dos mais importantes afluentes do Rio Amazonas com o propósito de prospectar áreas ideais para a implantação do agronegócio. Henry perlustrou sucessivamente o Tapajós, o Xingu, o Tocantins, o Araguaia, o Itaboca, o ltacaiuna, bem como a região compreendida entre o Tocantins e o Xingu, o Jamundá e o Trombetas.

Recém casado, sua esposa Marie Octavie Coudreau o acompanhou na Viagem ao Trombetas, em 1899, para ela a primeira expedição pela “terra brasilis” e para ele a última. Henry, naquela ocasião, se encontrava debilitado e enfermo pelas agruras impostas pelos “ermos dos sem fim” do “inferno verde”. Vitimado pela malária, ele faleceu nos braços de Madame Coudreau às 18h00 do dia 10.11.1899. Os expedicionários construíram um caixão com algumas tábuas da própria embarcação e o enterraram em um Pontal com vista privilegiada para o Lago Tapagem. 

Após a morte do esposo, Marie continuou seu trabalho de exploração. A primeira missão da arrojada exploradora foi no Rio Cuminá, afluente do Trombetas, que realizou de 20.04.1900 a 07.09.1900. Aqueles que tiveram a oportunidade de ler os relatos do Padre Nicolino e do Marechal Rondon sobre as dificuldades enfrentadas para a consecução de tal empreendimento, vencendo a fome, o cansaço, as doenças, a transposição de corredeiras, cachoeiras e pedrais e outras tantas provações impostas pela selva tropical podem aquilatar a força e a determinação invulgar desta mulher admirável.

‒ Angelina a Heroína dos Seringais (1902)

Quando do primeiro combate da Volta da Empresa, em que Plácido de Castro foi emboscado pelas tropas do Coronel Rojas, um fato inusitado, marcou com sangue aquela pugna de bravos, pelo arrojo de uma heroína acreana. Próximo à beira do Rio vivia num rancho tosco de madeira, um seringueiro com sua mulher Angelina Gonçalves de Souza. Naquele dia encontrava-se atacado de beribéri que o reduzira a pele e ossos, atirado numa rede. Ali estava “febrilento”, prostrado, amargurado, irritado, por não poder participar com os companheiros na Revolução. Nisso chegou um soldado boliviano e vendo-o enfermo, quase um cadáver, aproveitou para atirar-lhe uma provocação de deboche vitorioso:

–  ¡Mira! ¿Y tú? Te faltan las gambias? Porque não te escapaste también?

Mesmo em extrema fraqueza, o pobre seringueiro, ferido na sua dignidade íntima, reagiu, e num derradeiro esforço soltou na cara do atrevido, algumas palavras de revolta e ódio. Foi o que bastou para que um grupo de soldados de Rojas, saltasse sobre a carcaça cadavérica do infeliz seringueiro, e o agarrando à unha, arrastaram-no porta a fora, às cusparadas, pontapés e por fim crivaram-no de balas a queima-roupa. Nesse momento, Angelina que estava lá dentro do rancho, ouvindo aquela barulhada toda, passou a mão na espingarda do marido e quando o viu morto numa poça de sangue, investiu desvairada, enlouquecida para cima dos soldados assassinos e num furor de raiva e de vingança, conseguiu disparar um tiro. Assim como uma “tigra” defendendo o seu covil, partiu para o ataque contra os executores do seu marido. E luta com eles. Tomada por uma fúria de desespero, de loucura e ódio, que se multiplicam em forças inexplicáveis, atordoa-os, aos gritos, aos socos, às mordidas, a pontapés. Por fim subjugaram a fera humana, e a levaram de arrasto para o Comandante. 

Logo ali, estavam dois médicos bolivianos atendendo o Coronel Rojas, ferido de raspão pelo tiro disparado pela seringueira... A soldadesca se enfureceu. Clamou por vingança. Queria a punição imediata... Mas quem decidia era o Comandante. E este num gesto de grandeza humana, falou com energia, determinando que a libertassem imediatamente:

–  Mujeres así no se mata. (FIGUEIREDO)

- A Anônima Mulher do Soldado (1914)

Curioso episódio também foi observado em relação à mulher de um dos soldados regionais do destacamento que acompanhou Roosevelt, desde Tapirapoan (Rio Sepetuba) às margens do Rio da Dúvida. Grávida já de nove meses, essa mulher acompanhou a pé todas as marchas da Expedição Científica Roosevelt-Rondon, por terra, o que era motivo de admiração geral. 

Aconselhada em Tapirapoan a alojar-se ali para seguir depois de dar à luz, recusou-se peremptoriamente e declarou que estava acostumada a andar no sertão nesse estado de gravidez, sem se cansar. A convicção de suas afirmativas levou o Comandante do destacamento à tolerância de a deixar seguir, embora contra o voto do médico. Pois bem, essa mulher extraordinária não só marchou diariamente quatro a cinco léguas a pé, como também só interrompeu a marcha um dia (24 horas) para dar à luz. No dia seguinte do parto, prosseguia a marcha a pé carregando o filho ao colo. (MAGALHÃES)

BRASIL, Altino Berthier ‒ Desbravadores do Rio Amazonas ‒ Brasil ‒ Ed. Posenato Arte & Cultura, 1996.

 

COUDREAU, Marie Octavie. Voyage au Cuminá – França – Imprimeur-Éditeur, 1901.

 

FIGUEIREDO, Osório Santana ‒ Plácido de Castro, o Colosso do Acre ‒ Brasil ‒ Gráfica Editora Pallotti, 2007.

 

DAVIDSON, Hilda, R. Ellis. Deuses e Mitos do Norte da Europa ‒ Brasil ‒ Madras, 2004.

 

MAGALHÃES, Major Amílcar Botelho de ‒ Impressões da Comissão Rondon ‒ Brasil ‒ Editora Brasiliana, 1921.

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões.

Compartilhe


Deixe o seu comentário

Todos os campos obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.

Nome:

E-mail:

Seu comentário:
Sistema antispam

Digite aqui o código acima para confirmar:


 

area
Comentários
 
Últimas notícias do canal
24/04/2017 - 09h53
Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira – Parte V
20/04/2017 - 15h12
Adolescentes em risco de suicídio e o jogo da Baleia Azul
18/04/2017 - 15h00
Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira – Parte IV
18/04/2017 - 14h55
Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira – Parte III
18/04/2017 - 14h50
Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira – Parte II
 
Últimas notícias do site
27/04/2017 - 15h06
Rádio Independente de Aquidauana recebe "Moção de Congratulação" do deputado estadual Paulo Siufi por processo de migração para FM
27/04/2017 - 15h03
Em MS, 27% dos contribuintes ainda não entregaram declaração do IR 2017
27/04/2017 - 07h10
Chuva em municípios de MS passou dos 50 mm e derrubou temperaturas
27/04/2017 - 06h31
Confira as ocorrências dos Bombeiros das últimas horas
27/04/2017 - 06h24
No primeiro frio do ano, quinta-feira amanhece com mínima de 9°C em MS
 

88

Untitled Document
 ® 2009  

CPN - Central Pantaneira de Notícias
PantanalNEWS - Marca registrada 1998-2009
Todos os direitos reservados.