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Artigos - 15/12/2016 - 14h38

A Epopeia do Juruá – Parte V




Fotos: Divulgação










Por Hiram Reis e Silva*

 Hiram Reis e Silva, Bagé, RS, 15 de dezembro de 2016.

Em mais de uma oportunidade, o Tenente-Coronel de Engenharia Rfm Lauro Augusto Andrade Pastor Almeida havia-me perguntado por que eu ainda não resolvera descer o Rio Juruá. Embora meu destino e minha meta sejam, sem dúvida, percorrer todos os grandes afluentes da magnífica Bacia do Rio-Mar, somente aqueles que têm conhecimento da série de obstáculos que venho enfrentando para realizar minhas épicas jornadas, desde a Descida do Solimões, podem compreender minha relutância neste caso.

 

Quando apresentei, nos idos de 2008, minha proposta para descer o Rio-Mar (Solimões/Amazonas), desde Tabatinga, AM, até Belém, PA, ao Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), onde sou Professor, o Comando, o Corpo Docente e Discente me apoiaram e elaboramos entusiasmados as diretrizes que norteariam este grande projeto multidisciplinar e interdisciplinar com uma face pedagógica bastante definida de total interesse não só para alunos e professores do CMPA, mas para a sociedade brasileira, que discutia e discute seriamente as questões ambiental, indígena e desenvolvimento sustentável da nossa floresta. Cada disciplina apresentou seus objetivos gerais e específicos, o procedimento que eu, como pesquisador, deveria seguir para colher as informações que atendessem plenamente as metas propostas e como estes conteúdos seriam trabalhados em sala pelos alunos do Colégio Militar de Porto Alegre.

 

Eu pretendia partir de Tabatinga, AM, percorrer todo o Solimões e o Amazonas de caiaque, e chegar a Belém, PA, em quatro meses depois de percorrer aproximadamente 3.300 km. Na época, as Organizações Militares de ensino a que o Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) estava diretamente subordinado, determinaram que eu refizesse meu planejamento e o limitasse apenas ao período das férias escolares. Reprogramei a descida para dois meses com o objetivo de percorrer todo o Rio Solimões nos meses de dezembro e janeiro (Tabatinga/Manaus).

 

Novamente minhas expectativas foram frustradas! O Escalão Superior entendeu que o projeto devesse ser executado apenas durante o mês de férias a que eu tinha direito. Parti em busca de uma alternativa, não tinha nenhum sentido concluir a jornada em Tefé percorrendo apenas metade do Solimões. A solução, finalmente encontrada, com o apoio irrestrito do Comandante do CMPA, meu grande amigo Coronel Paulo Contieri, foi a de pedir rescisão do contrato de professor com o Colégio Militar de Porto Alegre nos meses de dezembro e janeiro e tentar a recontratação a partir de fevereiro de 2009.

 

Eu sabia que o adicional de salário que percebia como Professor do Colégio Militar iria fazer muita falta. Os custos de enfermagem e produtos farmacêuticos com a esposa inválida eram muito altos, as perspectivas eram extremamente desfavoráveis, mas eu já não podia, absolutamente, recuar.

 

Quando surge um problema, você tem duas alternativas
‒ ou fica se lamentando, ou procura uma solução.
Nunca devemos esmorecer diante das dificuldades. Os fracos se intimidam.
Os fortes abrem as portas e acendem as luzes. (Dalai Lama)

 

Foi neste triste momento de desencanto e desânimo que recebi um e-mail de meu velho amigo, General Joaquim Silva e Luna, naquela época Chefe do Estado Maior do Exército, no qual ele me incitava com seu lema predileto: “Prossiga na Missão!”. O velho camarada, parceiro de tantos desafios enfrentados na BR-174 (Manaus, AM/Boa Vista, RR), no início da década de 80, me animou com sua lacônica mensagem. Mesmo enfrentando a falta de apoio por parte da Força Terrestre e de quaisquer patrocínios institucionais consegui, finalmente, cumprir a Missão antes do prazo previsto e com todas as metas alcançadas.

 

Vento Xucro

(Jayme Caetano Braun)

 

Vento xucro do meu Pago

Que nos Andes te originas

Quando escuto nas campinas

O teu bárbaro assobio,

E sinto o golpe bravio

Do teu guascaço selvagem

Eu te bendigo a passagem,

Velho tropeiro do frio. [...]

 

Também sei que tu repontas

Das velhas plagas Andinas

As tradições campesinas

Entreveradas por diante,

E como um centauro errante

Vagueias no continente

Remexendo a cinza quente

Da nossa História distante.

 

Fiz questão de fazer esse pequeno preâmbulo para revelar alegremente que, a partir 2012, novos e salutares ventos permeiam pelos corredores e gabinetes das Organizações Militares que tratam efetivamente dos assuntos afetos ao Ensino e à Cultura de nosso Exército. O “Vento xucro do meu Pago” rompeu as fronteiras Rio-grandenses e resolveu arejar as instituições de ensino da Força Terrestre mostrando a todos que apenas “Remexendo a cinza quente da nossa História distante” podemos crescer como Nação e para isso temos de nos valer de pesquisadores. Nosso projeto, de dezembro de 2012 em diante, finalmente, estava sendo tratado como uma pesquisa de interesse da Força Terrestre e, por isso mesmo, minha contratação como Prestador de Tarefa por Tempo Certo (PTTC) passou de “Professor” para “Pesquisador”.

 

Graças ao apoio irrestrito do Comandante Militar da Amazônia (CMA), General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, do Chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEX), General de Exército Ueliton José Montezano Vaz e do seu Vice-Chefe, General de Divisão Antonio Hamilton Martins Mourão, companheiro de Turma (Tu AMAN/1975) da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) íamos contar, desta feita (dezembro de 2012 a março de 2013), com o apoio oficial das Organizações Militares da Bacia do Juruá/Solimões.

 

O Diretor Geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Autarquia Federal vinculada ao Ministério dos Transportes, General de Divisão Jorge Ernesto Pinto Fraxe (Tu Eng AMAN/1975) me incumbiu de atualizar seus Mapas Multimodais prenhes de incorreções além de outras missões afetas a um Reconhecimento de Engenharia e assumiu o compromisso de repassar recursos mais do que suficientes ao CMA (R$ 160.000,00) para o cumprimento missão. O General Villas Bôas montou uma verdadeira Operação Militar como podemos constatar na Ordem de Serviço abaixo, onde estão atribuídas as responsabilidades pelo apoio em cada fase da missão. O General José Luiz Jaborandy Jr., Chefe do EM CMA contatou-me pessoalmente por três vezes, através de videoconferência, hipotecando entusiástico apoio à Expedição.

MINISTÉRIO DA DEFESA

EXÉRCITO BRASILEIRO

COMANDO MILITAR DA AMAZÔNIA

(Comando de Elementos de Fronteira - 1948)

ORDEM DE SERVIÇO n° 012 - E3.IM/CMA, de 1° de agosto de 2012

EXPEDIÇÃO GENERAL BELLARMINO MENDONÇA

1. FINALIDADE

–  Regular as atividades a serem desenvolvidas por ocasião da Expedição General BELLARMINO MENDONÇA, destinada a realizar um reconhecimento do Rio JURUÁ, com foco nos aspectos de interesse geográfico e histórico da região.

2. REFERÊNCIAS

–  Diretrizes do Cmdo CMA.

3. OBJETIVOS

a. Obter dados atualizados sobre o Rio JURUÁ;

b. Atualizar e corrigir informações que constam em cartas e mapas;

c. Realizar uma reconstituição dos principais fatos históricos que marcaram a região;

d. Reportar, em livro, as experiências e levantamentos realizados durante a Expedição.

4. CONSIDERAÇÕES GERAIS

a. A Expedição General BELLARMINO MENDONÇA realizará um reconhecimento, no período de 1° DEZ 12 a 31 DEZ 13, ao longo do Rio JURUÁ e de alguns de seus afluentes, para atualização de dados, informações e levantamentos de área.

b. A Expedição terá a participação de uma equipe composta pelo Cel Eng R1 HIRAM REIS E SILVA (Chefe) – do CMPA , pelo Cel Inf R1 IVAN CARLOS GINDRI ANGONESE (no trecho FOZ DO BREU, AC – CRUZEIRO DO SUL, AC) – do CMPA, e pelos Sd MÁRIO ELDER GUIMARÃES MARINHO e MARÇAL WASHINGTON BARBOSA SANTOS - ambos do 8° BECnst, sob a coordenação do Cmdo CMA.

c. Os trabalhos da equipe visarão atualizar e corrigir informações de cartas e mapas, corrigir nomenclatura de acidentes naturais, levantar necessidades de aeródromos e portos hidroviários, verificar as condições de navegabilidade da hidrovia no período considerado e ao longo do ano e levantar as necessidades dos Distritos e Municípios quanto à saúde, segurança e educação.

d. Durante o percurso, será realizado um estudo sobre os principais eventos históricos que marcaram a região, particularmente aqueles que tiveram a participação de militares.

e. Ao final da Expedição, será apresentado um livro com registros das experiências e dos levantamentos realizados no período, editado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

f.  O Cmdo CMA apoiará a equipe, por intermédio das OM, quando esta estiver em suas respectivas áreas de responsabilidade, a fim de facilitar o atingimento dos objetivos propostos.

g. O acompanhamento do desenrolar da missão será executado por intermédio do Centro de Operações, em coordenação com a 3ª Seção CMA e com o Assessor de História do Cmdo CMA.

h. Os períodos previstos para desenvolver as atividades são:

PERÍODO

OM Apoiadora

1° DEZ 12 a 12 FEV 13

61° BIS

13 FEV a 24 ABR 13

Cmdo 16ª Bda Inf Sl

25 ABR a 31 DEZ

CMPA

i.  Os Municípios a serem percorridos são, no Estado do ACRE: MARECHAL THAUMATURGO, PORTO WALTER, RODRIGUES ALVES e CRUZEIRO DO SUL; e no Estado do AMAZONAS: GUAJARÁ, IPIXUNA, EIRUNEPÉ, ITAMARATI, CARAUARI, JURUÁ, FONTE BOA, UARINI, ALVARÃES, MARAÃ, TEFFÉ, COARI, CODAJÁS, ANORI, ANAMÃ, BERURI, MANACAPURU, MANAQUIRI, IRANDUBA e MANAUS.

5. EXECUÇÃO

a. Período

-  1° DEZ 12 a 31 DEZ 13. [...]

As coisas iam de vento em popa. Tínhamos o tempo necessário para o cumprimento da missão, o pessoal qualificado para nos apoiar, uma embarcação com dois motores (rabeta e popa), o apoio incondicional da Força Terrestre e o suporte financeiro do DNIT que permitiria ao CMA adquirir os equipamentos eletrônicos necessários (computador, GPS, equipamento para rastreamento náutico, câmara fotográfica a prova d’água, etc...), que após a missão seriam entregues ao comando do CMA e aquisição de combustível, lubrificante e gêneros alimentícios.

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

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