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Artigos - 17/10/2016 - 07h00

Retornando à Lagoa Mangueira




Fotos: Divulgação










Por Hiram Reis e Silva (*)

 Hiram Reis e Silva, Bagé, RS, 13 de outubro de 2016.

A Lagoa

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Eu não vi o Mar. Não sei se o Mar é bonito.

Não sei se ele é bravo.

O Mar não me importa.

 

Eu vi a Lagoa. A Lagoa, sim.

A Lagoa é grande e calma também.

 

Na chuva de cores da tarde que explode, a Lagoa brilha.

A Lagoa se pinta de todas as cores.

 

(26.09.2016) Bagé – Santa Vitória do Palmar (SVP)

Parti de Bagé, às 09h00, e, às 12h00, cheguei à Estação Ecológica do Taim (ESEC) onde encontrei o amigo Henrique Horn Ilha, chefe da unidade. O Henrique recebeu-nos com a cortesia de sempre autorizando-nos, mais uma vez, a entrar na Reserva do Taim para documentar sua diversificada fauna. Minha jornada anterior, duas semanas antes, fora interrompida aqui mesmo na ESEC em decorrência dos ventos, superiores a 90 km/h, que forçaram, durante o deslocamento rodoviário, o cockpit do caiaque contra os racks do meu automóvel danificando seriamente sua estrutura e forçando-me a abortar a missão. Naquela ocasião, o Henrique estava de férias, e eu tinha deixado sobre a sua mesa dois de meus últimos livros (“Descendo o Rio Negro” e “Mares de Dentro I ‒ Laguna dos Patos”).

Cheguei ao Parque Eólico de SVP, por volta das 13h00, e graças aos engenheiros Leandro e Sá da Redram e ao gentil amigo Mauro Souza, proprietário da Fazenda Lagoa da Palha e membro do Grupo Jet de SVP, fiquei confortavelmente alojado no apartamento número 1, do alojamento dos engenheiros do Parque Eólico, localizado à margem da Lagoa, em meio a uma bela vegetação nativa, nas proximidades da Bomba 14, com direito a banho quente e ar-condicionado. Coloquei, imediatamente, minha pequena “malhadeira”, no canal de acesso ao “levante” para garantir o jantar. Depois de organizar o acampamento e preparar o caiaque para a jornada do dia seguinte, retirei a rede, selecionei uma bela traíra e um peixe-rei e soltei os demais peixes já que não havia geladeira para conservar o pescado.

(27.09.2016) Bomba 14 ‒ Farol do Albardão

Dia claro, poucas nuvens e uma suave brisa vinda do Quadrante Norte prenunciavam uma jornada segura. Parti, rumo ao Oriente, às 06h20, e a distância de pouco mais de onze quilômetros da margem oposta foi vencida, com tranquilidade e sem muito esforço, em 01h20. Aportei na Baía do Albardão e marchei, rumo ao Farol, caminhando sempre por um terreno plano e sólido, evitando as dunas – uma região caracterizada por lagoas efêmeras que se formam durante as estações chuvosas e que, agora secas, dão lugar a areias movediças. Cheguei ao Farol do Albardão, depois de marchar 5,8 km. No entorno do Farol, existe uma série de pequenas lagoas em virtude de o lençol freático estar muito próximo à superfície. Documentei o meu objetivo e retornei ao acampamento sem qualquer óbice.

Relato Hodierno – Farol do Abardão

Ernst Schaffer (1949)

O Farol do Cemitério dos Navegantes

 

Em janeiro de 1948 recebi da CN (Construtora Christiani-Nielsen) Rio a incumbência de viajar para o Rio Grande do Sul para construir no litoral em Albardão um farol com 45 m de altura junto com 4 casas para o vigia e familiares. Esse farol deveria substituir um outro com 38 m de altura construído em 1910 de tubos de aço soldados. Essa construção, devido à forte maresia no local, com pouco tempo de construção já se encontrava bastante danificada pela corrosão. Mais tarde a torre foi reforçada com 8 pilastras e a própria torre revestida com uma camada de concreto armado, mas isso também se danificou. [...] No canteiro existiam 4 casas de madeira sendo que 2 delas eram habitadas pelos vigias, as outras 2 foram usadas pela equipe antes da construção do barraco. Quando finalmente nos instalamos, percebemos que com a chegada do inverno a praia ficaria intransponível, o que nos levou a iniciar imediatamente o transporte de materiais. A água era a única coisa que não seria necessário ser transportada. Um poço fornecia água tanto para o trabalho quanto para os trabalhadores. A existência de água no subsolo trouxe porém dificuldades na escavação quando se teve de manter a bomba ligada dia e noite. Uma das maiores dificuldades foi a contratação de pessoal qualificado como carpinteiros, pedreiros entre outros, e a maioria não sabia nem ler ou escrever quanto menos ter alguma noção técnica. Nós continuávamos à procura de pessoal e mesmo oferecendo um salário acima do oferecido na cidade era quase impossível trazê-los. O local era isolado e triste. Para a escavação das fundações construiu-se um anel de madeira e escavou-se a areia para fora. Foi se colocando peso sobre esse anel para que ele descesse acompanhando a escavação. O mesmo sistema foi usado nas fundações das casas. A fundação da torre estava pronta em junho, quando então demos início à construção da torre. Primeiro concretou-se cilindros com 2,6 m de cada vez, e depois da terceira concretagem iniciou-se a construção das escadas. Nesta época começou um forte vento frio o que fez com que muitos trabalhadores fossem embora. Devido ao mau tempo frequentemente caminhões se atrasaram dias. Muitos ficaram presos na areia, e como não viesse ajuda ficavam à mercê do tempo. (SCHAFFER)

Bomba 14 ‒ Taim (28.09.2016)

Parti às 06h50, enfrentando suaves ventos de proa (NE). Às 08h35, fiz uma parada de 30 minutos, na Bomba 20, onde encontrei o amigo Delmar Prithsc envolvido com as bombas de captação d’água de sua propriedade e contatei meu pessoal de terra pelo celular. Por volta das 13h00, sobreveio uma doce calmaria prenunciando uma mudança na origem dos ventos.

Cheguei ao Sul da Reserva do Taim, às 14h30, depois de remar 50 km durante 07h10, mantendo uma boa média de 7,1 km/h. O local em que eu planejara acampar estava totalmente tomado pelas águas. Durante meia hora, fiz uma sondagem nas redondezas até decidir acampar em um terreno onde diversas aves perambulam e o usavam como latrina, o cheiro era insuportável mas que remédio – era o único local seco. Eu tentara acessar, inutilmente, a margem Oriental, onde a vegetação aquática (conhecida na área como espadana) era muito densa. Mais uma vez, na mesma área, a Lagoa Mangueira impunha sérias dificuldades ante os objetivos que eu me propusera alcançar.

A quantidade de restos mortais de capivaras era impressionante, quem sabe vítimas de alguma doença transmitida por carrapatos já que encontrei esqueletos de animais jovens e adultos que não apresentavam qualquer sinal de lesão por arma de fogo. Pretendo regressar amanhã, enfrentando ventos de proa de 22 km/h, segundo a previsão, para a Bomba 14, se Deus quiser e minha velha carcaça permitir. Caso a coisa complique acamparei na Bomba 20.

Taim ‒ Bomba 14 (29.09.2016)

O vento, conforme eu previra, rodou a partir da tarde do dia anterior do quadrante Norte para o quadrante Sul, mais exatamente SSE – conhecido como o “Carpinteiro da Costa”. Parti, às 06h30, enfrentando ventos de 20 a 30 km/h e ondas de 1,20 m com “Três Marias” de quase 2 m.

Fiz duas paradas de 20 min cada. Na primeira constatei um problema no suporte do leme e tentei, emergencialmente, corrigi-lo com um extensor. Na segunda parada (Bomba 20), troquei o suporte do leme avariado pelo reserva. O Sr. Delmar Prithsc sugeriu, em virtude do avançado da hora e das condições adversas da Lagoa, que eu pernoitasse na casa do seu caseiro. Agradeci a oferta e parti, às 15h00, para o último lance, de 12 km até o meu acampamento na Bomba 14.

Levei 03h20 (3,6 kmh), quase o dobro do tempo que levara no dia anterior, para percorrer o trecho de apenas 12 km. O cansaço, a musculatura dorida e mãos em petição de miséria ‒ a pele que cobria as bolhas rompera e meus dedos sangravam, tentavam minar, sem sucesso, minha férrea determinação de alcançar meu desiderato. A falta de treino e a necessidade de agarrar o remo com força para não permitir que ele fosse arrebatado pelo vento contribuíram significativamente para a fadiga e dano nas mãos.

Quando cheguei ao acampamento, totalmente exausto e encarangado, lá me aguardava o caro amigo Mauro Souza. Eu mal conseguia falar apresentando fortes traços de hipotermia. Desde abril eu não empunhava um remo e tentava, em vão, manter o preparo físico realizando minhas marchas de 3, 4 ou 6 horas quando as intempéries do inverno permitiam. Depois de um relaxante banho quente e demorado, ingeri algumas castanhas, liguei o ar condicionado e me deitei, por volta da 19h30.

Bomba 14 – SVP (30.09.2016)

Um cachorro [...] só quer seu carinho / e quem sabe um cantinho / dentro do seu coração / o amor tem quatro letras / e por certo quatro patas [...] não fala, não sabe ler / mas diz tudo pra você / com o poder de um olhar / tão puro e tão leal / tem o dom especial / de sempre nos perdoar / eu nunca vou entender / a tamanha pretensão / de um homem que se diz / mais sabido que um cão / na nossa sociedade / infestada de vaidade / e sentimentos banais / pro homem poder crescer / teria que renascer / igualzinho aos animais. (Bráulio Bessa)

 

Passei a manhã toda fazendo a manutenção do material de acampamento e preparando minha tralha para ir para SVP. Assei, na churrasqueira, alguns peixes que tinha pescado e após o almoço fui para a residência do casal Ulisses e Nádima Rodrigues Gonzalez. Mais uma vez, a cortesia dos amigos de Santa Vitória do Palmar me emocionou. Ajudei a Dona Nádima, sempre envolvida com os amigos caninos, a resgatar o cachorro símbolo do Comitê de Campanha do candidato à Prefeitura de SVP Sr. Wellington Bacelo. Wellington foi eleito, no domingo, mostrando que SVP e o Brasil estão cansados “de tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus” (Rui Barbosa).

Dois eventos merecem uma referência especial, o excelente churrasco preparado pelo Gustavo Rodrigues Gonzalez onde estavam presentes seus pais e os amigos Carlos, Mauro, Lima e seus familiares e o jantar na Pizzaria do Mário onde é certamente preparada a melhor pizza do planeta sob a regência impagável do extremamente simpático Mário.

Fonte: SCHAFFER, Ernst. O Farol do Cemitério dos Navegantes ‒ Brasil ‒ Rio de Janeiro ‒ Revista CN (Christiani-Nielsen) Post, agosto de 1949.

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

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