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Artigos - 13/09/2016 - 10h42

Ricardo Franco de Almeida Serra (Parte III)




Fotos: Divulgação




Por Hiram Reis e Silva (*)

 Hiram Reis e Silva, Bagé, RS, 13 de setembro de 2016.

Tenho a honra de responder categoricamente a V. Exª que a desigualdade de forças sempre foi um estímulo que animou os portugueses, por isso mesmo, a não desampararem os seus postos e defendê-los, até as suas extremidades, ou de repelirem o inimigo ou sepultarem-se debaixo das ruínas dos Fortes que se lhes confiaram: e nesta resolução se acham todos os defensores deste presídio (Praça de guerra), que tem a honra de ver em frente a excelsa pessoa de V. Exª a quem Deus guarde muitos anos.
(Cel Ricardo Franco de Almeida Serra)

O LADO NEGRO DOS BASTIÕES DE COIMBRA

 

Nem mesmo Ricardo Franco conseguiu escapar das injúrias e calúnias promovidas por alguns degenerados, vis e covardes que, sem sucesso, tentaram macular a honra e a dignidade deste grande herói nacional. Dos 110 homens da guarnição de Forte Coimbra, apenas 42 permaneceram fiéis ao seu Comandante, os outros 68, inclusive oficiais, acovardaram-se e assinaram um pacto para renderem-se e abandonar o Forte. Relata MELLO:

SEXTA PARTE - XI CAPÍTULO

 

ELEMENTOS DA GUARNIÇÃO MAQUINAM
A RENDIÇÃO DO FORTE

Raras vezes se tem ouvido que, em ataques contra Fortalezas bem comandadas e sem assédio, elementos da defesa, atemorizados pelo bombardeio ou pela superioridade do atacante, houvessem tramado a rendição da praça ou aliciado companheiros para abandoná-la. Pois no Forte de Coimbra assim aconteceu em 1801. Em que pesem as provas de fidelidade ao dever manifestadas, em condições idênticas, tanto no Forte da Conceição do Guaporé, em 1763, como na Praça de N. S. dos Prazeres do Iguatemi, em 1777, grave defecção ocorreu no Forte de Coimbra ‒ e tão grave ‒ que esteve a pique de inverter a sorte das armas e de passar para as mãos dos castelhanos não apenas o domínio do velho baluarte, mas também o de toda a região Meridional de Mato Grosso.

N. S. dos Prazeres do Iguatemi: esta Praça rendeu-se, de fato, mas a sua pequena guarnição saiu primeiramente a campo para lutar contra a numerosa trona castelhana. Foi batida na luta, teve de recolher-se aos muros da Praça, mas de tal modo portou-se que o comando inimigo decidiu parlamentar com ela e concedeu-lhe retirar-se da Praça com armas e honras militares.

De fato, enquanto Lázaro de Ribera trovejava de fora com os canhões, alguns homens da guarnição, acovardados, considerando impossível resistir ao atacante, e julgando temerária a resposta que lhe dera Ricardo Franco, concertaram-se para abandonar o Forte sub-repticiamente. Servia no Presídio, há uns dez anos, um Cabo de dragões, Antônio Baptista da Silva que, segundo a correspondência enviada dali para Cuiabá e Vila Bela, figurava frequentemente nas diligências enviadas àquelas Vilas, a Miranda, Albuquerque, a Bourbon, a Vila Real, a Aldeias de Guaicurus e Guanás.

O Major Rodrigues (Ofício de 05.03.1791) diz o seguinte:

Este soldado, pela docilidade do seu gênio e modo com que trata estes Índios tem sido o primeiro móvel (itinerante) de seter (espião) dulcificado, moderado, a barbaridade destes Índios; ele hoje influi autoridade sobre eles, e tudo que ele lhes diz se executa.

Tinha o Cabo Baptista capacidade para tais misteres e o desempenhava a contento. Era de ânimo pacífico e cortês. Todavia, talvez ignorassem os chefes, e quiçá os companheiros, ele era um tímido, um pusilânime. Provavelmente esse complexo de inferioridade teria passado despercebido por falta de fatos que o viessem comprovar. Eis por que o próprio Comandante Ricardo Franco, por tê-lo em boa conta, o mandara a 12 de setembro (1801) no comando das duas canoas a proceder o reconhecimento da frota castelhana. As partes de combate e mais referências até agora publicadas nada dizem que faça entender que, a sombra das muralhas do Forte, tremeram mãos e queixos, apavorados do estrondo dos canhões de bordo, canhões estes, todavia, que nenhum dano fizeram aos homens da guarnição. Essas ocorrências nem sempre cabem nos curtos limites das partes de combate. Figuram, de ordinário, com outros pormenores, no relato final das operações. Aí vêm citados os nomes dos que se distinguiram nos dias de luta e são omitidos ou estigmatizados os que ficaram na encolha, desertaram dos seus postos ou tentaram a fuga. Ricardo Franco teria redigido calmamente, depois daqueles dias, um documento a esse respeito, afora o que exarou no “Registro de Ordens”. Não consegui encontrá-lo no Arquivo Histórico cuiabano, mas dele dá testemunho o ofício que vou apresentar, no qual consta que o Cabo Antônio Batista, vendo seu nome excluído da relação dos que lograram citação honrosa por sua conduta durante as operações, requereu justificação ao Capitão-General e arrolou testemunhas de defesa. Procederam-se a inquirições e, ao remetê-las, Ricardo Franco analisa uma por uma as pessoas do queixoso e dos depoentes. Não encontrei também esse inquérito. Foi pena. Por ele teríamos conhecido ocorrências passadas nos bastidores do Forte, bem como viriam à luz episódios desconhecidos. De outro documento, porém, vou colher subsídio para o nosso estudo. É o ofício a que me referi acima, datado de 09.11.1802, de Ricardo Franco a Caetano Pinto, importante documento para a análise dos acontecimentos e para a exaltação da nobreza e do valor de Ricardo Franco.

Vejamos como ele expõe os fatos:

Com o requerimento, e justificação de Antônio Baptista da Silva, recebi a carta de V. Exª de 16 de agosto, pela qual vejo não querer a piedade de V. Exª ficar no escrúpulo de castigar um inocente: declarando o Superintendente que eu mal informado, e pelos seus inimigos, é que me atrevi a expor a V. Exª com menos verdade, o seu pouco merecimento e no tono cobardia:

Este escrúpulo, Ilm° e Exm° Sr., só devia recair em mim porém não tenho uma alma tão péssima e relaxada, que me animasse a fazer dano a terceiro na sua honra e fazenda (caráter), e a um homem que sempre estimei. Nem a minha conduta em 20 anos de demora nesta Capitania mostrará fato algum com que eu ainda indiretamente ofendesse alguém, antes enfadei sempre aos Srs ExmOS Generais a favor de quem buscava o meu valimento: nem enfim me havia querer privar de um útil defensor que se figura valentíssimo, naquele mesmo tempo, em que ainda se esperava a volta dos espanhóis. E ainda que a inquirição que agora faço chegar à presença de V. Exª na qual juraram todos os Dragões que se achavam em Coimbra no tempo do ataque e estavam aqui presentemente bastava para mostrar a falsidade com que requereu a V. Exª o dito Antônio Baptista, Inquirição em que se não diz, senão parte do muito que se podia dizer; contudo eu não penso deixar de ser extenso, em dizer a V. Exª o que eu só presenciei, e expus, sem que mo inspirasse alguém. Como no conceito geral, Antônio Baptista da Silva sempre foi contado como um soldado de paz; nesta ideia, a quem eu escolhi para explorar os espanhóis, foi ao Furriel Joaquim José Roiz; e embaraçando-lhe umas febres esta diligência, a encarreguei ao dito Baptista, ordenando-lhe fosse com toda a vigilância, pois podia encontrar de repente o inimigo, o que fez tanto pelo contrário, que todos iam dormindo, e à toa pelo meio do Rio; e a não ser um pedestre que viu as sumacas; as passavam em claro, com certa perda. Com o aviso do Pedestre, acordaram, e voltaram para trás as canoas, a do Baptista que ia mais traseira, foi a primeira, e a não ser um saran que a embaraçou, ausentava-se sem a outra, que tanto por ir adiante como por o seu Piloto a voltar sobre as sumacas, se viu em maior risco: mas com efeito, alcançou a primeira no embaraço dos sarans; neste lugar de que as cercaram as canoas espanholas, que não nos deram um tiro, nem a artilharia das sumacas os podiam dar por ficarem já muito atrás, e cobertas com duas voltas do Rio, e ainda a podê-lo fazer não atiraria de noite, sobre os montes das suas mesmas canoas: pelo que é encarecido o risco, e glória de salvarem as canoas, que iam perdendo pelo seu descuido; e sobre as quais não deram os espanhóis, um tiro. (MELLO)

Saran: arbusto da família das Euforbiáceas que nasce nas praias e pedreiras e que nas cheias ficam cobertos pelas águas. O saranzal é um trecho do Rio coberto de sarans, oferecendo, na época das cheias, canais por entre os arbustos. (Hiram Reis) 

No dia 14 de setembro (1801), quando Antônio Baptista nos veio dar parte daquele encontro, vinha tão trêmulo e desacordado que mal se explicava: pedindo-me nesse dia e com impertinência a mudança para o novo Forte: até que lhe disse que o inimigo não tinha azar; que feita a acomodação para guardar a pólvora, então nos mudaríamos, até que no outro dia se efetuou esta tal requerida mudança: dividi a gente a postos e fiz tanto conceito dele pelo seu notório susto que lhe não dei algum: encarregando-o só da guarda da pólvora; e fatura dos cartuchos.

Em 16 de setembro (1801), dia das chegadas dos espanhóis, mal eles dobraram a ponta da Ilha e se expuseram em franquia, o único homem que não pegou em armas, nem apareceu sobre os parapeitos, foi Antônio Baptista ainda os inimigos não tinham dado um tiro, já eu o fui achar assentado em um mocho, encostado, e com as costas no parapeito, embrulhado no seu poncho, perguntando a um soldado se estava ali a bom recado ou se ainda podia ser ofendido de algum tiro, eu mesmo lhe respondi que o chapéu estava a descoberto, e que lhe podia dar alguma bala; teve a feição de se deixar ficar assentado naquela·figura; e principiando o fogo do inimigo, no meio dele, o fui achar assentado na banqueta, embrulhado no poncho e no seu atual desacordo. (MELLO)

Mocho: assento sem costas para um indivíduo, tamborete. (Hiram Reis)

No dia 17 (09.1801) de manhã quando respondi a intimação de D. Lázaro de Ribera, logo este homem principiou a derramar os seus sentimentos de fraqueza, dizendo que não havia partido (recurso) contra as forças inimigas, que não tínhamos mantimentos, que uma resposta daquela suposição se não dava sem consultar a todos; que era uma temeridade; que se me obrigasse a capitular, pois não deviam morrer tantos, pela teima de um só.

No dia 18 (09.1801), postando-se o inimigo pelo meio-dia no meio do Rio, fazendo um fogo terrível; e encostando-se à sombra dele a parte de cima, e próxima deste Forte, para tentar um desembarque que lhe dificultamos à força de tiros de espingarda, pelo que se retirou para o seu posto na margem oposta do Rio; depois de o inimigo estar nesta posição, e toda a seção já finda, então apareceu, daí a bom espaço Antônio Baptista com uma clavina (carabina) dizendo queria também dar o seu tiro, quando já não tinha risco, nem a quem; foi esta a única vez que pegou em arma. E por não enfadar a V. Exª não falo em outras semelhantes circunstâncias, contraindo-me as mais [...] O Dragão João da Silva Nogueira, que naquele tempo era o Soldado de ordens que me acompanhava, indo nos intervalos que tinha fazer cartuchos, no 2° ou 3° dia me veio dar parte de que indo aquela diligência o convidara o Cabo Baptista com mais outros, que já tinha reduzido ao seu parecer, para que os Dragões todos me obrigassem a capitular, e a eu não querer, cuidasse cada um em salvar-se pois todos já estavam seguindo a sua tímida fantasia, ou mortos, ou prisioneiros. À vista desta informação, cheguei a ter papel pronto para fazer assinar estes fracos, e dispensei o dito João da Silva de acompanhar-me, e o encarreguei da guarda da porta travessa por cuja contígua muralha, por mais abaixo, se ia conduzir a água, e lhe dei ordem positiva, a mais três que escolhi, para que fizessem fogo, e tratassem como inimigo a todo aquele que pretendesse saltar aquela muralha sem licença minha. A mesma ordem passei logo depois ao Dragão Belchior Martins que comandava a parte de cima deste Forte vizinha ao Monte; e não dormi mais de noite, por uma continuada ronda, temendo verificado o conselho da fuga. Eu mesmo fui o que presenciei, quanto consta do Itens 6° da Inquirição; nesse dia, pela sua notória fraqueza, e por ter mais certo conhecimento do seu covarde conventículo (reunião clandestina que só maquina o mal), o quis lançar em ferros, porém refletindo que esta prisão podia pôr susto àqueles a quem as persuasões do dito Baptista tinha desanimado e disposto para a fuga, os quais supondo-se com aquele merecido castigo descobertos, podiam fugir, e mesmo para o inimigo, o que facilmente o conseguiriam ou lançando facilmente no Rio, ou por perfídia (traição) do Corpo da Guarda, que quase todo estava corrompido, suspendi este procedimento, dobrando as cautelas pessoais, quanto pude. No dia último do ataque, e em que o inimigo se aproximou bastante destas muralhas, temendo eu que debaixo do fogo terrível que fez, tentasse algum desembarque, e corricando (correndo a passo miúdo) estas muralhas, digo estâncias e só Antônio Baptista com outro Dragão; por um forçoso feito do seu total desacordo e medo, teve o desembaraço de se deitar por terra, encostado à muralha; embrulhado em um poncho dos pés até a cabeça; que descobriu quando gritei por ele, dizendo-lhe, estava assim por conta dos estilhaços; e vendo-me exposto a eles, que nunca fizeram dano, pois nunca voltarão sobre alguém, por se evitarem facilmente, teve o brio de se deixar ficar na mesma fraca figura: os fatos referidos, ninguém mos contou, e se os presenciei, e vi, e julgo que só um deles era bastante causa para se lhe dar baixa sem o menor escrúpulo.

E segundo agora se verifica, pode ser que assim como D. Lázaro se retirou na noite de 24 de setembro (1801), último dia dos seus ataques, amanhece na frente de Coimbra no dia 25 pode ser dito, que Antônio Baptista da Silva não molestasse a V. Exª com os seus requerimentos e falsíssima justificação; pois asseguram os que sabem daquele covarde mistério que nessa mesma noite se efetivava a fugida, de todos aqueles a quem as suas infiéis práticas tinha reduzido a tão infames sentimentos.

Como em Coimbra, no tempo daquele intempestivo ataque que apenas existiam pouco mais de cem pessoas, tirando deste todo quase 20 dos quais, velhos; das oitenta e tantas, ou noventa de resto, muito mais de metade, estavam cheias de medo que aqueles práticos, e de outros igualmente cobardes, fizeram muito maior. Este maior número todos estavam na mesma vil inteligência de se salvarem, e muitos já de mala feita; uns choravam publicamente, outros despediam-se até o dia do Juízo; outros e quase todos, os que estavam fora da Praça, de emboscada nos matos deste Morro, apesar de serem estes matos seguros lugares, desampararam os seus postos; e aos primeiros tiros do inimigo se concentravam, aonde não podiam defender os seus lugares, nem receber dano. Todos estes por uma consequência infalível de todos os cobardes, para desculparem a sua timidez, e de acordo, fizeram causa comum; passaram-se certidões recíprocas, tiveram a infame lembrança de derramarem neste Presídio mil intrigas, espalharam no Cuiabá horrorosas invectivas contra as pessoas de merecimento, e contra mim, e muitas delas assaz injuriosas, contando-me por um iníquo; honrando-me com o epíteto do Nero; e se acabada a ação, a sua vergonha os devia cobrir de um confuso silêncio, pelo contrário brotou em mil intrigas, e mentirosos enredos. Quando chegou a este Presídio o Capitão Francisco José de Freitas, com o Quartel Mestre Brito, a este último principalmente tiveram a arte de dizer junto e separadamente quantos embustes tinham imaginado para a sua desculpa, tentando justificar a Antônio Baptista, para consequentemente ficarem eles desculpados, pois receavam de que eu tivesse dado uma parte mais ampla a V. Exª. Depois disso, eu tive a má condescendência de ceder a empenhos e mandar ao Cuiabá alguns dos culpados, que foram ali jurar falso, e espalhar quanto tinham excogitado (imaginado) para sua desculpa, para denegrirem a minha conduta, infamarem aqueles que tiveram merecimento pessoal, cuja probidade temiam ‒ pois os não puderam iludir, nem chamar aos seus infames sistemas; e não duvido que estas vozes cavilosas (capciosas) e falsamente derramadas, abonassem em Vila Bela a conduta de Baptista pois este era o alvo destes homens; para trás dele ficarem igualmente justificados, a importunarem a V. Exª com outros semelhantes, e pouco verdadeiros requerimentos. Chegando a tanto a esperança que davam a confusão de tantas intrigas, e a multidão dos ouvidos contra a verdade, que até suponho, faltaria V. Exª a piedade de ouvir-me; tanta força davam aos enredos que, por cartas e vocalmente, derramaram por toda esta Capitania, para em tanta confusão ficar um Comandante que lhes sofre, e que quereriam abonar com a perda deste Forte, e do Trem de S. Majestade informado e dito por injusto: além de quanto tenho com toda a verdade, e de presente exposto a V. Exª não posso deixar de falar alguma coisa das seis testemunhas da justificação de Antônio Baptista da Silva. [...] A 6ª e última testemunha, o Henrique (negro da tropa dos Henriques) Filipe de Fontes, fugiu da sua escolta no Monte para dentro da Praça e a mim mesmo me disse que estava com muito medo que o matasse, antes do que ir para fora, suposto que depois malicioso clava outras razões, dizendo que não queria estar com os fracos. Este é o caráter das seis suspeitosas testemunhas que formam aquela justificação; e a mesma probidade tem bastante destes destacados que, com injúrias, intrigas, e cavilações quererão confundir a verdade para, no meio das trevas, salvar o seu pouco merecimento, confundir e denegrir as pessoas que obtiveram honrado; de tal forma que a doce satisfação que me podia resultar por defender Coimbra se me voltou em amarguras e veneno, à vista de tanta calúnia, e embustes”. (MELLO)

MONOGRAFIAS GEOGRÁFICAS 

 

A glória militar de Ricardo Franco, relevante sem dúvida, por impedir a invasão de Mato Grosso, não sobrepuja, todavia, a que alcançou como sagaz estudioso da terra mato-grossense. Somente a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro estampou em vários dos seus tomos:

–    Memória ou Informação dada ao Governo sobre a Capitania de Mato Grosso em 31.01.1800. (Tomo II).

–    Descrição Geográfica da Província de Mato Grosso (aliás, Capitania). (Tomo VI).

–    Navegação do Rio Tapajós para o Pará. (Tomo IX).

–    Reflexões sobre a Capitania de Mato Grosso, pelos Tenentes-Coronéis J. J. Ferreira e R. F. de Almeida Serra. (Tomo XII).

–    Parecer sobre o aldeamento dos Índios Uaicurus e Guaunás, com a descrição de seus usos, religião, estabilidade e costumes. (Tomos VII e XIII).

–    Diário da diligência do Reconhecimento do Paraguai. (Tomos XX e XXV).

Quase todos os seus ensaios atendiam a solicitações do Governador Caetano Pinto, de quem se tornou consultor constante. Assim, em resposta à solicitação de 19.09.1799, redigiu conveniente Plano de Defesa da Capitania, de acordo com as diretrizes que lhe norteariam a ação em Coimbra. Quando já se pressentiam os rumores da guerra, que se avizinhava, em meio da apressada construção do Forte, ainda ultimou, ao findar junho de 1799, valioso ensaio, que evidencia os seus anseios de geógrafo.

Nesta confiança, declarou ao Capitão-General, seu amigo, ordenei a Memória relativa ao Rio Tapajós, segundo as continuadas informações que dele tenho adquirido, as quais, não deixando de serem raras, serão talvez úteis, e interessantes para a Capitania de Mato Grosso. Adicionando-as com algumas reflexões que julguei necessárias, tendentes à utilização pública destes distantes povos, que cheios de geral complacência ao felicíssimo governo de V. Exª esperam nele em não duvidosas prosperidades o complemento das suas bem fundadas esperanças.

Mas, sufocando a sua vaidade de escritor, refletiu humildemente:

Pode ser, Exm° Sr. que o amor próprio me alucine, e que estas memórias, não merecendo algum louvor, sejam só dignas da sua judiciosa reprovação. Nestas condições, que receoso temo, eu espero e evoco da notória bondade de V. Exª as faça entregar às chamas como uma heresia geográfica. Pois o ardente desejo de servir a V. Exª ligou gostosamente a minha vontade a empreender este trabalho, que me serviu de recreio nos solitários dias e melancólicas noites que se passam neste presídio de Coimbra.

Os sofrimentos íntimos, em vez de o amofinarem com o desespero, convertiam-se em monografias esclarecedoras que lhe contestavam os temores da inutilidade. Ao revés, eram contribuições valiosas, ainda na atualidade manuseadas com proveito por quem examine os assuntos de que tratou o preclaro geógrafo colonial arraigado em Mato Grosso. De Coimbra, cenário da sua façanha gloriosa, apenas se afaga para compor o triunvirato que sucede ao Governador Manuel Carlos de Abreu Menezes, em consequência do seu falecimento, a 08.11.1805. Após a posse, a 18.11.1807, do novo Capitão-General, João Carlos de Oyenhausen e Grevenburg, regressa o Comandante ao seu reduto, donde suspeita não mais sairá. Sente-se “gravemente molesto, de umas impertinentes sezões”. O organismo combalido já não resiste a novos acessos. Acama-se em condições angustiantes. E antes que receba os socorros que os seus auxiliares pedem com urgência às autoridades distantes, Ricardo Franco de Almeida Serra sucumbe aos 21.01.1809. Ao terem notícia da fatal ocorrência, de Cuiabá e Vila Bela se apossou geral consternação. Ao dar conta a Rodrigo de Souza Cominho do triste sucesso. Oyenhausen confessa nobremente a sua dor. 

O zelo, inteligência e conhecimentos que o distinguiram, os serviços feitos a S. A. R. e, finalmente, os sentimentos de piedade que acompanharam a sua agonia e a particular amizade com que eu estimava este honrado oficial, são outros tantos títulos que justificam a mágoa com que faço esta comunicação a V. Exª.

Ainda mais, providenciou a trasladação dos restos mortais, que o Capitão Francisco Paes foi receber, por junho de 1810, em Buriti, “com a sua partida de cavalaria” e conduzir à Capela de Santo Antônio dos Militares, de Vila Bela, onde expressiva inscrição assinalou:

R. F. A. S.

 

Coronel do R. C. de E.

que gloriosamente defendeu Coimbra em 1801,

no mesmo lugar faleceu em 21 de janeiro de 1809,

aqui faz sepultados.

Não obstante, descuido ulterior modificou-lhe a posição, de sorte que os ossos não foram encontrados onde deveriam jazer. Coube ao General Raul Silveira de Mello a boa sorte de promover, em 1950, pesquisas no local e verificar onde se achavam e removê-los para jazigo apropriado. Além das providências que tomou quanto ao enterro de Ricardo Franco em local sagrado, de outra cogitou o Capitão-General para lhe amparar a descendência. Como soubesse que havia alguma, em Coimbra, mandou dar, a 01.03.1809, a pensão de vinte oitavas de ouro por mês ao Padre Antônio Tavares da Silva, como tutor das menores Ricarda Manuela e Augusto Martiniano e à sua mãe, de acordo, aliás, com a vontade expressa do herói em verba testamentária descoberta por José de Mesquita.

Declaro que em minha casa se acham dois meninos Augusto Martiniano e Ricarda Manuela de Santa Rita, esta de 25 meses, aquele de três, filhos de Mariana Guaná, batizada, dos quais tenho cuidado com muito mimo e, por não ter herdeiros forçados e o grande amor que tenho aos ditos, os nomeio por meus herdeiros legatários do resto dos meus bens que ficarem depois de pagas as minhas dívidas. (Registro de Testamentos, Livro 14, folhas 2 a 5)

Esta mensagem, de tons carinhosos, que se divulgou após o seu desaparecimento, revela desconhecidas feições de Ricardo Franco. Pelo proceder anterior, parecia empolgado apenas pelo inflexível cumprimento dos seus deveres, interpretados com rigor. (FILHO) 

MELLO analisa o lado humano de nosso moribundo herói e as providências tomadas para amparar sua família:

NONA PARTE - III CAPÍTULO

 

AGONIA E MORTE EDIFICANTE

Homem de Apurado Sentimento: Quem ousaria increpá-lo (acusá-lo, censurá-lo)? Os homens que iam destacados para as guarnições de fronteiras não podiam levar família. O meio não o comportava. Os casados haviam de deixar as esposas, porque estas não encontravam ambiente propício para lá permanecer. As guarnições de fronteira eram semelhantes a postos avançados em estado de pré-guerra. Não havia lugar ali para famílias. [...] Na falta de mulheres da mesma condição, para se constituírem lares legítimos, onde o VI (guardar castidade nas palavras e nas obras) e o IX (guardar castidade nos pensamentos e nos desejos) mandamentos estivessem controlados, o que encontravam os homens era a fácil relação com as mulheres gentias, que não opunham impedimento algum. Ricardo Franco, no primeiro comando, permaneceu em Coimbra nove anos consecutivos e dali não arredou pé, nem para ligeiro repouso em Cuiabá. Como disciplinar os impulsos da natureza? Não faltava espírito cristão aos Comandantes e aos Soldados. Eles gozavam de assistência religiosa, se não contínua, pelo menos frequente. Por ocasião da morte da índia Xamicoca, verificou-se terem sido os próprios soldados que a converteram e instruíram na religião. Esses soldados, todavia, eram provavelmente, os mesmos que com ela coabitavam. Assim eram os costumes desse tempo naqueles sertões bravios. Assim procederam os conquistadores, assim os bandeirantes e garimpeiros. Homens rudes, bárbaros por vezes, como poderiam conter as solicitações da carne em face dos costumes licenciosos da época e do meio? Ricardo Franco, que de todos os negócios da existência dera contas, entrega-se por fim ao seu negócio de coração, único que contraíra “in secreto”. Negócio humano e útil; todavia, quando realizado fora das normas da fé e da lei, agonia por fim os homens de bern, porque reclama justiça, caridade e reparação, nem sempre possíveis cabalmente. Estes afetos é que angustiavam o grande soldado. Eram os seus mais ternos sentimentos a romperem os diques das conveniências sociais, longamente sopitadas (adormecidas). Era a saudade dos entes queridos, pequeninos, que ele não pudera apresentar como seus, legitimamente. Seus derradeiros soluços foram soluços de desabafo e de suplica, soluços e suplicas que ele depositou no coração do camarada e amigo que o assistia, para que os comunicasse ao Governador, como manifestação da sua última vontade. Valia pelo Testamento que os soldados moribundos prestam de viva voz ou que escrevem com o próprio sangue no campo de batalha: O reconhecimento e amparo dos seus filhos e da humilde índia e companheira que lhos dera. Veremos a seguir a forma por que o Major Rodrigues transmite ao Capitão-General o testamento afetivo de Ricardo Franco. [...] Fez bem o Major Rodrigues em narrar separadamente esta ocorrência, deixando-a para o fim, como fecho de ouro da vida do ínclito soldado. Veja-se como aquele oficial descreve, resumida mas pateticamente, o drama final que se desenrolou na alma do moribundo:

Nesta ocasião em que volta o Ld.o (Lídimo) Manoel Fernando Pimentel para essa Vila, devo participar a V.a Exc.a que, achando-se ainda vivo o Coronel Ricardo Franco de Almeida Serra, já impossibilitado de poder escrever pela suma debilidade em que se achava, me pediu com lágrimas e soluços escrevesse eu a V.a Exc.a pedindo-lhe em seu nome quisesse V.a Exc.a em recompensa dos seus bons serviços e dam.ta amizade que lhe devia amparar os seus filhinhos que por tais os reconhecia e igualmente a Mãe destes meninos, e que além da grande esmola que V.a Exc.a lhe fazia na sua última hora, era igualmente um serviço que V.a Exc.a fazia a Deus. Atendendo eu ao peditório deste honrado Oficial, que tantas vezes me suplicou, quantas foram as horas que lhe restaram de vida, e atendendo ao mesmo tempo a crítica circunstância em que se achava esta Mulher e seus filhinhos em um lugar onde continuadamente se acham Pai e parentes, certos já trabalhando a reduzi-la outra vez à gentilidade, remeto em Companhia do d.o, Ld.o, Mãe e filhos a V.a Exc.a para deles dispor como lhe parecer, pois eu estou bem persuadido que V.a Exc.a cheio daquele amor Paternal e Suma Bondade com que costuma socorrer aos desgraçados e miseráveis, Virtudes estas há muito conhecidas em V.a Exc.a e que sempre brilharão nos seus Ilustres Maiores, jamais deixará de pôr os seus benignos olhos nestes inocentes e igualmente naquela que os cria. Na companhia desta Mulher vai uma Povoadora (habitante da região, nativa) para ajudar-lhe a tratar das suas crianças, e chegando que seja nessa Vila, V.a Exc.a determinará o que for servi-lo.

NONA PARTE - IV CAPÍTULO

 

REPERCUSSÃO DAS NOTÍCIAS DA DOENÇA
E DA MORTE DE RICARDO FRANCO

A Portaria do Exm° Sr. João Carlos Augusto de Oyenhausen-Gravenburg, Governador e Capitão-General da Capitania do Mato Grosso, datada de 01.03.1809:

Tendo falecido da vida presente o Coronel Ricardo Franco de Almeida Serra, e observando Eu do seu Testamento que ele há nomeado por seus herdeiros legítimos os dois meninos Augusto Martiniano e Ricarda Maria: Hei por bem Ordenar que, da data desta em diante, pela Provedoria Comissoria desta Vila, se entregue no princípio de cada um mês, ao Reverendo Antonio Tavares da Silva, a cujo cuidado encarreguei a sua educação, a quantia de vinte oitavas de ouro que são aplicadas para sustentação dos ditos meninos, e de sua Mãe; cuja quantia em concorrência será em quaisquer circunstâncias preferível a outro qualquer pagamento. E, para que esta Minha Ordem tenha uma observância inviolável, Ordeno positivamente que ela subsista não só durante o tempo de Meu presente Governo, mas mesmo para o futuro, enquanto ela não for especialmente derrogada por qualquer dos Meus Sucessores, o que não espero. No fim de cada um ano se dará uma conta exata dessa assistência à Provedoria Geral para aí se fazer dela a competente descarga no rol dos vencimentos do mesmo defunto Coronel, e em consequência de seus herdeiros fazendo-se de tudo as clarezas necessárias. (MELLO) 

Joaquim da Costa Siqueira, no seu “Compêndio Histórico Cronológico das Notícias de Cuiabá, Repartição da Capitania de Mato Grosso desde o Princípio do ano de 1778 até o fim do Ano de 1817” relata que em 20.03.1804:

Chegou a esta Vila, pelo caminho de terra, o Ilm° e Exm° Manoel Carlos de Abreu e Menezes para Governador e Capitão-General desta Capitania, o qual sucedeu no Governo de sucessão que existia pela ausência do Exm° Caetano Pinto acima mencionado. [...] Passados alguns dias, fez publicar o mesmo Exm° General as mercês que Sua Alteza Real se dignou fazer em remuneração de seus serviços: ao Tenente-Coronel do Corpo de Engenheiros Ricardo Franco de Almeida Serra, Comandante em chefe dos estabelecimentos do Paraguai, com a patente de Coronel do mesmo Corpo, com “Hábito de Aviz” e 300$000 de tença (pensão); ao Tenente de dragões Comandante do Forte de Miranda, Francisco Rodrigues do Prado, a patente de Capitão da mesma companhia e “Hábito de Aviz”, com o exercício do mesmo comando; ao Sargento-Mor das ordenanças da Capitania de São Paulo, nesta residente, Gabriel da Fonseca e Serra, o posto de Tenente-Coronel do regimento desta Vila; e ao Capitão de Milícias Leonardo Soares de Sousa o “Hábito de São Thiago”. (SIQUEIRA)

A atitude heroica do Coronel Ricardo Franco de Almeida Serra foi uma valiosa contribuição ao espírito valente e soberano do povo brasileiro. Nada mais justo então que hoje, três de agosto, seus discípulos, integrantes do Quadro de Engenheiros Militares, rendam merecida homenagem ao seu ilustre Patrono.

Fontes:

FILHO, Virgílio Alves Correia. Ricardo Franco de Almeida Serra – Brasil – Rio de Janeiro – Revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil – Volume 243 – Departamento de Imprensa Nacional, abril-junho 1959.

 

MELLO, Raul Silveira de. Um Homem do Dever - Cel Ricardo Franco de Almeida Serra – Brasil – Rio de Janeiro – Biblioteca do Exército (Bibliex), 1964.

 

SIQUEIRA, Joaquim da Costa. Compêndio Histórico Cronológico das Notícias de Cuiabá, Repartição da Capitania de Mato Grosso desde o Princípio do ano de 1778 até o fim do Ano de 1817 – Brasil – Rio de Janeiro – Revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil – Tomo XIII – 1° Trimestre de 1850 – Tipografia de João Ignácio da Silva, 1872. 

SOUTHEY, Robert – História do Brasil, Volume V – Brasil – Rio de Janeiro – Livraria de B.L. Garnier, 1862. 

 

SOUTHEY, Robert – História do Brasil, Volume VI – Brasil – Rio de Janeiro – Livraria de B.L. Garnier, 1862.

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

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