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Artigos - 27/05/2016 - 10h30

Laguna dos “Patos” – Origem do Nome (1ª Parte)




Fotos: Divulgação

Cairina Moschata



Afonso d'Escragnolle Taunay



Fernão de Magalhães



Antônio Pigafetta
Por Hiram Reis e Silva (*)

 Os Lusíadas Canto II – 20

(Luís Vaz de Camões)

 

Já na água erguendo vão, com grande pressa,

Com as argênteas caudas, branca escuma;

Cloto (1) com o peito corta e atravessa

Com mais furor o Mar do que costuma.

Salta Nise (2), Nerine (3) se arremessa,

Por cima da água crespa, em força suma.

Abrem caminho as ondas encurvadas,

De temor das Nereidas (4) apressadas. 

 

(1) Cloto: uma das três irmãs da mitologia grega que determinavam o destino.

(2) Nise, Nerine (3) ou Nereida (4): ninfas do Mar que encantavam os viajantes. 

A origem do nome da Laguna dos Patos é, por demais, contraditória. A literatura do século XVI vincula o seu nome às aves palmípedes e, a partir do século XVII, faz alusão aos índios Patos, como eram chamados os Carijós que povoavam a zona litorânea. Nas diversas Travessias pela Laguna dos Patos, tenho encontrado capororocas (cisne-coscoroba), patos-do-mato (pato-crioulo, pato-bravo, pato-mudo, pato-argentino, pato-selvagem ou cairina), biguás (corvo-marinho, pata-d’água, biguaúna, imbiuá, mergulhão e miuá), biguatingas (carará, calmaria, maria-preta, peru-d'água, mergulhão-serpente, biguá-bicolor, anhinga, arará) e outros tantos palmípedes que povoam nossas Lagunas litorâneas e que podem ter sido os responsáveis pelo batismo da Laguna dos Patos.

Capororoca (Coscoroba coscoroba): possui plumagem branca com a ponta das asas negras, o bico e os pés são vermelhos. O capororoca é na realidade um ganso, mas alguns biólogos, erroneamente, o classificam como cisne tendo em vista seu tamanho. (Hiram Reis)

Pato-do-mato (Cairina moschata): vive em pequenos grupos, de até uma dúzia. Pousa sobre árvores desfolhadas para vigiar, descansar ou dormir. Faz seus ninhos nos ocos das árvores e em palmeiras mortas próximas à água. Raramente avistado nas proximidades da Laguna dos Patos. (Hiram Reis)

Biguá (Phalacrocorax brasilianus): mergulha para pescar e para facilitar a imersão elimina o ar que fica normalmente entre as penas. É visto em grandes bandos voando rente à água, na formação em “V”, e como essas revoadas são semelhantes à dos patos, são confundidos como tais por elementos não especializados. Possui uma glândula uropigial que produz uma secreção que usa para impermeabilizar as penas, permitindo-lhe mergulhar mais rápido e alcançar uma velocidade de aproximadamente 14 km/h, tornando-o um predador altamente eficaz na captura de peixes. (Hiram Reis)

Biguatinga (Anhinga anhinga): trata-se de uma ave relativamente rara. Na língua tupi, “biguatinga” significa “biguá branco”.  A Biguatinga possui um pescoço fino e longo e, por isso mesmo, é chamado de “snake bird” na América do Norte. O seu bico longo, pontiagudo e serrilhado é uma arma deal para fisgar os peixes. Como não possui glândula uropigial, suas penas armazenam água que, embora dificultem a flutuação da ave, permitem-lhe um mergulho muito mais eficiente sob a água. A fêmea apresenta coloração creme no pescoço, peito e dorso. (Hiram Reis)

Não creio que tenha sido uma determinada espécie o que mais chamou a atenção dos cronistas pretéritos, pouco afeitos à ornitologia, para nominar nossos acidentes geográficos, mas a abundância destas aves. Francisco López de Gómara, na obra “La Historia General de las Indias y Nuevo Mundo, con mas la Conquista del Perú y de México”, menciona: “patos negros sin pluma, y con el pico curvo”, o que nos leva a considerar o biguá que possui o bico encurvado e que depois de mergulhar parece mesmo não possuir penas, além disso, até hoje os numerosos bandos impressionam a quem os avista.

A Laguna naqueles tempos pretéritos, quase despovoada, era muito mais piscosa do que nos dias atuais e, em consequência, abrigava um número igualmente considerável de Biguás (Phalacrocorax brasilianus).

Outros pesquisadores, no entanto, defendem a tese de que o nome da Laguna teria sua origem nos tais índios Patos, o que acho menos plausível. O biógrafo, historiador, ensaísta, lexicógrafo, romancista e professor brasileiro Afonso d’Escragnolle Taunay, filho de Alfredo d’Escragnolle Taunay (Visconde de Taunay), nascido em Nossa Senhora do Desterro (Florianópolis), SC, em 11.07.1876, narra, na sua “História Geral Bandeiras Paulistas”, editada em 1928, pela Tipografia Ideal, que:

Um grupo de índios Carijós que vivia na região da Laguna, em SC, conhecidos no Brasil como Patos. (TAUNAY)

A monumental obra de Afonso d’Escragnolle Taunay foi baseada em volumosa documentação encontrada nos arquivos brasileiros, portugueses e espanhóis. São onze volumes, publicados no período de 1924 a 1950, onde o autor incorporou contribuições tanto de cronistas coloniais como dos pesquisadores de sua época. O estudo de Taunay, além de fundamentar-se nos arquivos brasileiros, contemplou também os arquivos ultramarinos, em particular os espanhóis.

O historiador brasileiro Capitão-Tenente Lucas Alexandre Boiteux, nascido em Nova Trento, SC, no dia 23.10.1881, membro da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Catarinense de Letras, faz um relato esclarecedor nas suas “Notas para a História Catarinense”, editado em 1912, pela Livraria Moderna, que:

A grande tribo dos “Carijós” limitava-se ao Nordeste com os “Tupinikins”, ao Norte com os “Guayanás”, a Noroeste com os “Cai-acangs”, a Oeste com os “Guandos”, e finalmente ao Sul com os “Tapes”. Querem alguns historiadores que a nossa costa tivesse sido também habitada por uma tribo chamada – Patos. Os nossos cronistas antigos não se referem a ela. A confusão provém de terem sido denominados – dos Patos – a Bahia e Porto de Santa Catarina, que lá habitavam, diziam – os índios dos Patos, e daí os índios Patos, os Patos, etc. O Padre Simão de Vasconcellos nos explica que esta tribo era a mesma dos “Carijós” e que assim a denominavam porque habitavam a costa. (BOITEUX)

Sabe-se, através de sítios arqueológicos e sambaquis, que os índios Carijós, do grupo Tupi-guarani, habitavam o litoral Sul do país há aproximadamente 4.000 anos, e que alguns de seus membros domesticavam o Pato-do-mato, o que poderia ter levado os europeus a denominá-los de índios dos Patos. Com tempo, a denominação foi abreviada para índios Patos o que finalmente teria servido para nominar a enorme Laguna litorânea. O fato de alguns pesquisadores, menos informados, vincularem ao nome de Patos pelo fato de estes, supostamente, possuírem pés grandes tem uma explicação lógica, tendo em vista a confusão entre Patos e Patagones (Patagões). Vamos rememorar...

Fernão de Magalhães, servindo ao Rei de Espanha, ao realizar a primeira viagem de circunavegação pela Terra, foi o primeiro europeu a atravessar a, então “Cola do Dragão” (Draco Cola), que, em sua homenagem, teve o nome alterado para “Estreito de Magalhães”, como podemos verificar na obra do cronista e administrador colonial português António Galvão que relatando as principais explorações realizadas pelos lusos e castelhanos (até o ano de 1550) comenta:

No ano de 1428 diz que foi o Infante Dom Pedro à Inglaterra, França, Alemanha, à Casa Santa, e a outras daquela banda, tornou por Itália, esteve em Roma e Veneza, trouxe de lá um Mapamundo que tinha todo o âmbito da terra e o Estreito de Magalhães se chamava “Cola do Dragão”, o Cabo de Boa Esperança: “Fronteira de África”, e que deste padrão se ajudara o Infante D. Henrique em seu descobrimento. (GALVÃO)

Ao desembarcar no Extremo Sul da América Latina, Magalhães encontrou a região povoada pelos “Tehuelches”. Os Tehuelches eram caçadores nômades que utilizavam couros de guanaco para protegerem-se do frio e cobriam os pés com as mesmas peles aparentando ter grandes pés. Como a palavra “pata”, significa “perna” ou mesmo “pé”, no espanhol coloquial, esses nativos de grandes “patas” foram denominados, então, de Patagões e sua região de Patagônia.

Guanaco (Lama guanicoe): mamífero ruminante semelhante às lhamas (Lama glama). Alcança cerca de 1 a 1,25 m de altura nas espáduas. O pelo é longo e macio, castanho-avermelhado no dorso e branco no ventre. Os guanacos vivem em grupos nas montanhas e planícies e, outrora vagavam em grandes bandos. O lhama e a alpaca (Vicugna pacos) da América do Sul são descendentes do guanaco. (Hiram Reis)

O marinheiro, geógrafo e escritor italiano Antônio Pigafetta, nascido em Vicenza, Itália, em 1491, pagou expressiva quantia para acompanhar Fernão de Magalhães em sua viagem. Pigafetta foi o cronista da viagem, e um dos dezoito homens que logrou retornar à Espanha, com vida, em 1522, depois de completar a circunavegação, sob o comando de Juan Sebastián Elcano, após a morte de Magalhães. Pigafetta assim mencionou seu encontro com os nativos da patagônia:

19.05.1520 – Porto de San Julián – Distanciando-se destas Ilhas para continuar nossa rota, chegamos aos 49°30’ de Latitude Meridional, onde encontramos um bom Porto. E como o inverno se aproximava, julgamos ser aconselhável passar ali aquela má estação.

Um gigante – Transcorreram dois meses sem que víssemos nenhum habitante do país. Um dia, quando menos esperávamos, um homem de figura gigantesca se apresentou ante nós. Estava sobre a areia, quase nu, e cantava e dançava ao mesmo tempo, jogando “poeira” sobre a cabeça. (PIGAFETTA)

Jogando poeira sobre a cabeça: segundo James Cook, habitantes das Ilhas do Mar do Sul derramavam “água” na cabeça em sinal de paz. (Hiram Reis)

O Capitão enviou à terra um de nossos marinheiros, com ordem de fazer os mesmos gestos em sinal de paz e amizade, o que foi muito bem compreendido pelo gigante, que se deixou conduzir a uma pequena Ilha, onde o Capitão havia descido. Eu me encontrava ali com muitos outros. Deu mostras de grande estranheza ao ver-nos e levantando o dedo queria dizer que acreditava que nós havíamos descido do céu.

Sua Figura – Este homem era tão grande que nossas cabeças chegavam apenas até a sua cintura. De porte formoso, seu rosto era largo e pintado de vermelho, exceto os olhos, que eram rodeados por um círculo amarelo e dois traços em forma de coração nas bochechas. Seus cabelos, escassos, pareciam branqueados por algum pó.

Seu Traje – Seu vestido, ou melhor dito, seu manto, era feito de peles muito bem costuradas, de um animal que abunda no país como veremos a seguir.

Animal Estranho – Este animal (guanaco) tem cabeça e orelhas de mula, corpo de camelo, patas de cervo, cauda de cavalo e relincha como este. Calçava uma espécie de sapato feita com a mesma pele. (PIGAFETTA)

Sapatos de Peles: estes sapatos tornavam as pegadas dos gigantes ainda maiores, levando Magalhães a denominá-los “patagões”. (Hiram Reis)

Armas – Tinha na mão esquerda um arco curto e maciço, cuja corda era feita do intestino de tartaruga. Na outra mão, empunhava várias flechas pequenas, feitas de bambu, tendo num extremo plumas, como as nossas e, na outra, em lugar de ferro, uma ponteira de um material vitrificado branco e preto. Deste mesmo material fazem instrumentos para cortar lenha.

Presentes – O Capitão-General mandou dar-lhe de comer e beber e, entre outras bugigangas, presenteou-o com um espelho grande de aço. O gigante, que não tinha a menor idéia deste utensílio e que, sem dúvida, via pela primeira vez a sua figura, retrocedeu tão assustado que derrubou quatro de nossos homens que o rodeavam. Depois de receber mais alguns presentes, como pente e contas de vidro, retornou a terra, acompanhado por quatro homens bem armados.

Cerimônias – Um companheiro seu que havia se recusado a subir a bordo, vendo-o voltar, correu a avisar e chamar os outros, os quais, ao perceberem que nossos homens armados se aproximavam, se colocaram em fila, sem armas e desnudos. Em seguida, começaram sua dança e seu cântico, levantando o dedo indicador para o céu, para dar-nos a entender que nos consideravam como seres desconhecidos do alto. Não tendo outra coisa que dar-nos a comer, ofereceram uma espécie de pó branco em panelas de argila. Os nossos convidaram-nos, por senhas, a que passassem aos navios e ofereceram para ajudar a transportar o que quisessem levar consigo. Vieram, com efeito, mas conduzindo apenas arcos e flechas, o restante da carga haviam deixado sobre os ombros das mulheres, como se estas fossem mulas de carga. [...]

Outro Gigante – Seis dias depois, estando nossa gente atarefada em fazer lenha para provisão da esquadra, viram outro gigante vestido como os que acabávamos de deixar e armado igualmente de arco e flecha. Ao aproximar-se, tocou a cabeça e o Corpo, elevando em seguida as mãos ao céu, gestos que os nossos imitaram. O Capitão-General enviou um bote à terra para conduzir o gigante até uma ilhota próxima do Porto e na qual se havia construído uma casa para abrigar uma forja e um armazém para algumas mercadorias.

Amigos dos Espanhóis – Este homem era maior e mais bem formado que os outros. Tinha também os modos mais suaves, mas dançava e saltava tão alto e com tanta força, que seus pés se distanciavam várias polegadas da areia. Passou alguns dias conosco e lhe ensinamos a pronunciar o nome de Jesus, a rezar o Pai Nosso, etc. Chegou a recitar esta oração tão bem quanto nós, porém na sua fortíssima voz. Por fim, batizamo-lo, colocando-lhe o nome de João. (PIGAFETTA)

Em 1766, a tripulação do HMS Dolphin, capitaneada por “Commodore” John Byron, quando retornou à Grã-Bretanha, deixou vazar o boato de que tinham visto uma tribo de nativos da Patagônia com 9 pés de altura (2,74 m), quando passaram por lá em sua circunavegação do globo. No entanto, quando uma edição desta viagem foi publicada, em 1773, os patagônios foram registrados como tendo 6 pés e 6 polegadas de altura (1,98 m); enquanto a estatura média de um europeu na época era de 1,68 m.

O escritor Sinval Medina, no seu romance “Tratado da Altura das Estrelas”, descreve, à sua maneira, este encontro:

[...] o piloto João Carvalho, o escravo Hanriques (Henrique de Malaca), o fidalgo Pedro Eanes, o escriba Antônio Pigafetta e o menino Carvalhinho, eis que deparam com gigantesca figura de gentio que os observa com mui absorto olhar, e andam já dois arcabuzeiros a alumiar as mechas para abatê-lo sem mercê quando se põe a triste espécie de abantesma (fantasma, espectro) a cantar e dançar em visíveis sinais de paz e amizade.

De imediato começa o Carvalhinho arremedando-o, e nisso ensaia a troca de algumas palavras, que o gigante, com grande dificuldade, parece compreender e tomar a bem. E lá, com ditos e sinais, para espanto de todos, vão se entendendo.

Apresenta o tal gentio tão avantajada estatura que a cabeça dos cristãos mal lhe ultrapassa a cintura. Traz sobre o Corpo apenas um saiote de pele de veado (guanaco), pese a frieza dos ares, e a face pintada de um branco terroso; e por armas, arco e flechas de cana com ponta de pederneira. Encurtando explicações, será o gigante recebido a bordo da Trinidad com grandes festas, a que retribui com sorrisos e abraços, pese temerem-lhe alguns o formidando (temível) amplexo (abraço).

Afinal, leva-o o Carvalhinho à presença do Capitão-General que, apesar do mal de tripas, mostra-se maravilhado e satisfeito com o porte do aborígene. Tal é sua estatura que se ajoelha ao adentrar a câmara e assim permanece durante toda a entrevista, o que o Almirante toma como sinal de respeito. Quando vão os dois gentios a retirar-se, vira-se Magalhães para Carvalhinho e comenta, “carago (caramba), mira que pata mais tamanha tem esse animal”, dito que enseja a algum espirituoso pôr no gigante a alcunha de Patagão.

De tudo quanto vê a bordo, a admiração maior do disforme será para sua própria imagem refletida num espelho que lhe regala o Comandante. Oferecem-lhe de comer e beber, e ele, sem cerimônia, engole em três bocadas um saco de bolachas, dois ratos não esfolados – sobram apenas rabo e patas – e um corote: de água fresca. Em seguida, voltando-se para o Carvalhinho, declara que precisa retornar aos seus, e sem mais aquela, despe-se das peles que o vestem, embrulha-as em forma de trouxa e pula na água, vencendo em meia dúzia de braçadas a distância que o separa da Praia. A súbita partida do gigante deixa mestre Pigafetta contrafeito, sempre diligente em anotar minudências sobre as humanidades (criaturas) que vai encontrando na viagem. Não se agaste, Dom Antônio. Tranquiliza-o o Carvalhinho informando que o Patagão prometeu retornar no dia seguinte para continuar a prosa. (MEDINA) 

Corote: pequeno barril, próprio para o transporte de água ou vinho. (Hiram Reis) 

Minudências: minúcias, observações escrupulosas. (Hiram Reis) 

O médico e historiador brasileiro Alexandre José de Mello Moraes, nascido em Maceió, AL, no dia 23.07.1816, relatou na sua “Corographia Histórica, Chronographica, Genealógica, Nobiliária, e Política do Império do Brazil”, editada pela Typographia Americana, em 1858, que:

[...] Magalhães dera o nome de Patagões aos habitantes das terras do Sul da América conhecidos pelos outros gentios pelo nome de Morças, por terem os pés como patos, e estarem envolvidos em pele de um animal, que parecia ter cabeça e orelhas grandes, como mula, com corpo de camelo e cauda de cavalo; e acrescenta mais, que os Patagões, que estiveram a bordo eram gigantes, e que um homem de estatura ordinária chegava-lhe com a cabeça à cintura. Tudo isto é completamente falso, ou exagerado.

 

[...] a pele de animal com que se cobria o Patagônio era de Lhamas do Peru ou do Chile, e das Cordilheiras do Estreito de Magalhães; e os tais gigantes, nunca tiveram a estatura notada por Pigafetta, mas, todavia, são homens mui altos, chegando a seis pés e três polegadas inglesas o mais robusto e corpulento que se tem encontrado nestes últimos tempos e, é provável, que, desde o ano de 1518 ou 1519, até agora, esta raça de homens da natureza não tenha degenerado. (MORAES)

Fontes:

BOITEUX, Lucas Alexandre. Notas para a História Catarinense – Brasil – Rio de Janeiro – Livraria Moderna, 1912. 

GALVÃO, António. Tratado que compôs o nobre e notável Capitão António Galvão... ‒ Portugal – Lisboa – Impressa por João da Barreira, Impressor D’el Rey, na Rua de Sã Mamede, 1563. 

MEDINA, Sinval. Tratado da Altura das Estrelas – Brasil – Porto Alegre – EDIPUCRS, 1997. 

MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia Histórica, Chronographica, Genealógica, Nobiliária, e Política do Império do Brazil – Brasil – Rio de Janeiro – Typographia Americana, 1858. 

PIGAFETTA, Antonio. Primeira Viagem ao Redor do Mundo: o Diário da Expedição de Fernão de Magalhães – Brasil – Porto Alegre – LP&M, 1985. 

TAUNAY, Afonso d’Escragnolle. História Geral Bandeiras Paulistas – Brasil – Rio de Janeiro – Tipografia Ideal, 1928. 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

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