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Artigos - 18/05/2016 - 06h00

I Circunavegação dos Mares de Dentro

Jornada Patriótica 4ª Perna: Veleiros Saldanha da Gama ‒ Praia de Ipanema















Por Hiram Reis e Silva (*)

Hiram Reis e Silva, Bagé, RS, 16 de maio de 2016. 

 

Contemplo o Lago Mudo

(Fernando Pessoa)

 

Contemplo o Lago mudo

Que uma brisa estremece.

Não sei se penso em tudo

Ou se tudo me esquece.

 

O Lago nada me diz,

Não sinto a brisa mexê-lo

Não sei se sou feliz

Nem se desejo sê-lo.

 

Trêmulos vincos risonhos

Na água adormecida.

Por que fiz eu dos sonhos

A minha única vida? 

 

Veleiros Saldanha da Gama – Fazenda Soteia (04.04.2016) 

 

José Eduardo Cardozo, advogado-geral da União remunerado pelos pagadores de impostos, defende oralmente Dilma nesta segunda-feira, na comissão especial do impeachment.
É o primeiro “golpe” da história nacional com amplo direito ao contraditório.
(Felipe Moura Brasil ‒ da Revista Veja, em São Paulo, SP, 05.04.2016) 

 

Às 06h06, partimos do Veleiros Saldanha da Gama. Aproados para o quadrante Este, percorremos o Canal São Gonçalo vislumbrando o Astro Rei que preguiçosamente despontava no horizonte espreguiçando seus longos raios que tingiam o firmamento e as águas com belos e variados tons de carmim. A correnteza facilitou meu deslocamento até o nascer do Sol quando ventos de proa foram se intensificado até alcançar os 7 nós (12,6 km/h) forçando-me a procurar abrigo margeando os juncais da borda direita do São Gonçalo. Fiz uma curta parada na Foz do Canal depois de navegar 9,3 km e parti, às 08h06. Na Laguna dos Patos começamos a enfrentar ondas de través de até um metro e o Norberto seguiu direto para a Ponta da Feitoria. 

 

Somente às 12h21, depois de remar durante 04h15, aportei na Ponta da Feitoria, depois de percorrer 23 km, onde já me aguardava o Norberto. Tinha sido um deslocamento extremamente árduo e cansativo a uma velocidade média de 5,4 km/h. Antes de partirmos, combinamos que o veleiro seguiria direto para a Fazenda Soteia enquanto eu iria margeando, acostando e fotografando a mata nativa. Contornei a Ponta da Feitoria e fui, pouco a pouco, observando o enorme estrago, um verdadeiro holocausto, provocado pela cheia, de 2015, quando as vagas irromperam tumultuariamente sobre a costa Ocidental da Laguna e abateram cruelmente a vegetação marginal. Aportei, às 15h00, na Soteia (31°37’52,3” S / 52°00’57,4”O) e, mais uma vez, o Sr. Agenor Rosa, mais conhecido como “Catarina”, gerente da fazenda, permitiu que acantonássemos no histórico casarão que está sendo reformado. 

 

Consegui, equilibrando-me em um mourão de cerca, me comunicar com os familiares e, desta vez, não foi possível desfrutar de um bom banho quente. Uma sorro fêmea (Lycalopex gymnocercus) domesticada, também chamada de graxaim ou, no Uruguai, “zorro de las Pampas”, veio sorrateiramente filar as sobras do nosso rancho. O Norberto ancorou o “Corais” fixando firmemente os cabos nos cunhos de proa e laterais do veleiro.  Percorrêramos 41,3 km. 

 

1° Perna Total =       349,1 km.

2° Perna Total =       322,2 km.

3° Perna Total =       299,3 km.

4° Perna Total =         41,3 km.

Total Parcial    =    1.011,9 km. 

 

Fazenda Soteia – Iate Clube São Lourenço do Sul (05.04.2016) 

 

Nós queremos libertar o nosso país do cativeiro de almas e mentes.
Não vamos abaixar a cabeça para essa gente que se acostumou com discurso único.
Acabou a República da cobra ‒ disse a advogada (Janaína Paschoal).

(Rádio Gaúcha ‒ da ZH Notícias, em Porto Alegre, RS, 05.04.2016) 

 

Quando o nosso amigo Agenor Rosa veio se despedir, o Norberto já partira (às 06h35) no “Corais”. O veleiro sofrera algumas pequenas avarias, um dos cunhos laterais tinha sido arrancado e outro estava totalmente frouxo em decorrência das grandes vagas que assolaram a costa durante toda a noite e que, nesta manhã, tinham arrefecido, um pouco, sua força.  Parti, às 06h50, enfrentando, novamente, pequenas ondas de través, felizmente as previsões da Marinha, que o Coronel PM Sérgio Pastl tinha-nos reportado, não se confirmaram e conseguimos chegar, no início da tarde (14h00), ao Iate Clube São Lourenço do Sul – São Lourenço do Sul, RS. O Comodoro Paulo Freitas permitiu que acampássemos no Iate Clube, sem qualquer ônus, com direito a desfrutar das impecáveis instalações sanitárias e banho quente. Percorrêramos, neste dia, 31,4 km. 

 

1° Perna Total  =       349,1 km.

2° Perna Total =       322,2 km.

3° Perna Total =       299,3 km.

4° Perna Total =         72,7 km.

Total Parcial    =    1.043,3 km. 

 

Iate Clube São Lourenço do Sul – Fazenda Flor da Praia (06.04.2016) 

 

Relator da Comissão Especial de Impeachment, o Deputado Jovair Arantes (PTB-GO) votou nesta quarta-feira pela procedência da denúncia por crime de responsabilidade contra a Presidente Dilma Rousseff.

(Felipe Frazão ‒ da Revista Veja, em Brasília, DF, 06.04.2016) 

 

Partimos, às 06h20, do Iate Clube com uma brisa suave acariciando a bochecha de Boreste do “Argo” que retribuía a gentileza prestando reverencia meneando solenemente a proa. Às 08h30, descansei por 20 min no Banco do Quilombo e o Norberto passou margeando-o sem maiores embaraços. Do Quilombo aproei para a Foz do Camaquã que contornei, às 10h30. 

 

Contornei o Banco do Vitoriano, às 12h30, e apontei a proa para onde deveriam estar localizadas as antigas instalações do IRGA (31°08’20,6”S / 51°37’06,6”O), agora totalmente encobertas por densa bruma, onde fiz uma breve parada, às 13h50, depois de remar cinco horas sem parar. 

 

Às 15h10, aportamos na Fazenda Flor da Praia (31°12’03,0”S / 51°38’35,6”O). O Sr. Mário Roberto cortesmente nos recebeu e informou ao seu patrão, de nossa chegada, e, ato contínuo, o Sr. Adão Cláudio Silveira, proprietário da Fazenda e Presidente da Amapá, imediatamente os seguranças que vieram checar nossas identidades, medidas cada vez mais necessárias em um país onde a bandidagem, estimulada pela impunidade, se alastra sem controle. Ficamos alojados no barracão onde reside o Mário Roberto e, graças a isto, escapamos de uma chuva torrencial que se abateu sobre a região, por volta das 17h00. Felizmente não tínhamos acampado no Arroio do Peixe (31°10’14,3”S / 51°38’05,8”O), como era intenção do Norberto. Percorrêramos 51,8 km. 

 

1° Perna Total =       349,1 km.

2° Perna Total =       322,2 km.

3° Perna Total =       299,3 km.

4° Perna Total =       124,5 km.

Total Parcial    =    1.095,1 km. 

 

Fazenda Flor da Praia – Arambaré (07 a 08.04.2016) 

 

A empreiteira Andrade Gutierrez, envolvida no esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato, fez doações ilegais às campanhas da Presidente Dilma Rousseff em 2010 e 2014 com o uso de propina de obras da Petrobras e do sistema elétrico [...]

(Reuters ‒ de O Dia, no Rio de Janeiro, RJ, 07.04.2016) 

 

A Presidente Dilma Rousseff ficou no topo da lista dos líderes que mais decepcionaram segundo uma pesquisa on-line feita pela revista “Fortune”.

(G1 ‒ do G1 Globo, em Brasília, DF, 08.04.2016) 

 

Às 06h10, partimos da Fazenda Flor da Praia. A tranquilidade das águas ao amanhecer foi sendo progressivamente alterada e, quando o Sol raiou, as ondas de través de 1,5 m comprometiam perigosamente a navegação. Fiz uma parada, às 07h50, no mesmo local (31°06’10,73”S / 51°30’05,34”O) que aportara com o Professor Hélio, em 21.09.2011, para constatar o terrível efeito destruidor da cheia de 2015. A hora mais crítica de uma navegação, com ondas superiores a um metro, é o momento de aterrar e de amarar. O tamanho do caiaque oceânico, nestas ocasiões, dificulta bastante, é necessário “pegar as ondas” antes de elas quebrarem, no ângulo adequado e este varia de acordo com o tamanho e forma das vagas. 

 

Às 10h00, contornamos a Ponta D. Maria e acostamos para descansar e fotografar protegidos do vendaval pela cortina vegetal nativa. Enquanto o Norberto zarpava rumo ao Clube Náutico Arambaré eu tentava, em vão, enviar, pelo celular, os diários de bordo que digitara na Flor da Praia. Colhi um fruto verde do cacto mandacarú (Cereus Jamacaru) que dias depois degustei. 

 

Depois do descanso, rumei diretamente para uma duna (31°01’35,98”S / 51°29’09,89”O) que se avistava ao longe (8 km) para fotografar as centenárias e velhas amigas, lá aportando às 11h30. 

 

Parti, às 12h10, com destino ao Clube Náutico Arambaré, a 13 km de distância, onde aportei às 14h00. O Norberto fora recebido pelo futuro Comodoro – Sr. Gilberto Ferreira da Rosa – e pelo Diretor Administrativo – 2° Sgt RR Cândido Alberto dos Santos – que disponibilizaram as instalações do Clube gratuitamente por dois dias. Instalei-me na Pousada Gipa, que é lindeira ao Clube, eu precisava recompor minhas forças. Percorrêramos 42,5 km, em 06h50, com três longas paradas. 

 

1° Perna Total =       349,1 km.

2° Perna Total =       322,2 km.

3° Perna Total =       299,3 km.

4° Perna Total =       167,0 km.

Total Parcial    =    1.137,6 km. 

 

De manhã (08.04.2016) fizemos um tour fotográfico pela simpática cidade e por volta das 11h00 o 2° Sgt Cândido levou-nos até as antigas instalações do hotel e engenho de arroz da família Cibils de onde pude fotografar Arambaré de um ângulo privilegiado. 

 

O Sonho de Atahualpa Irineu Cibils 

 

Na década de 40 (século XX), na atual cidade de Arambaré, o uruguaio Atahualpa Irineu Cibils destacava-se à frente de seu tempo. Construiu um edifício de concreto armado as margens da Lagoa dos Patos, cujo projeto incluía uma avenida ornada com palmeiras. Lá funcionou um engenho de arroz, escola para os funcionários, hotel, bar, restaurante, salão de jogos e moradia. Próximo, na estância “La Cornélia”, este visionário construiu ainda uma praça, no meio do campo. O tempo tratou de deixar em ruínas as suas ousadas obras. (arambare.blogspot.com.br) 

 

À tarde tivemos a agradável oportunidade de conversar longamente com nosso querido amigo 1° Sgt PM Juliano Gajo e seu filho e de conhecer o futuro Vice-comodoro Ten Cel Av Luiz Nogueira Galetto que nos presenteou com um artigo de sua autoria intitulado “Firme ao Leme, Comandante!”, publicado na Revista Náutica Sul, em abril de 2015. Galetto reporta a difícil jornada que empreendeu com o atual Comandante da Força Aérea Brasileira o Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato que reportamos a seguir: 

 

Firme ao Leme, Comandante!

Por Luiz Nogueira Galetto 

 

Foi durante uma complicada travessia de Porto Alegre a Florianópolis que o recém-empossado novo Comandante-Geral da Aeronáutica, o gaúcho Nivaldo Rossato, mostrou a um experiente velejador do Paraná sua capacidade para comandar até o que ele mal conhecia: um barco. Corria o ano de 1991 e eu, mesmo sendo paranaense, morava em Porto Alegre. Lá, como piloto de caça, voava nos supersônicos F-5E, da FAB, e nas horas vagas, como velejador, ia para o clube Veleiros do Sul, o mesmo frequentado por um colega da Aeronáutica, o Capitão Aviador Nivaldo Luiz Rossato, que mesmo sendo gaúcho e visitante assíduo do lugar, não velejava. O meu barco era o Jambock III, um veleiro de 32 pés todo reformado, pelo qual eu sentia um misto de respeito e gratidão pela sobrevivência nos embates com os temporais pirotécnicos típicos do Rio Grande do Sul. 

 

“Por uma ironia dos fatos, o chicote utilizado pelos brancos contra os escravos africanos, indonésios e malaios passou a ser usado contra os ‘arianos puros’ de Adolf Hitler, manejados por brasileiros livres que foram à Itália defender a liberdade e a democracia.” (Maj.Brig. Rui Barbosa Moreira Lima) 

 

A Origem Do Nome “Jambock”: tão logo instalou sua base na Itália, o 1° GAvCa (1° Grupo de Aviação de Caça) passou a atuar sob o comando do 350th FG (Fighter Group), 12th AF (Air Force) e, a exemplo dos demais esquadrões deste, recebeu o nome código com o qual iria operar até o final da guerra e que seria mantido depois da volta ao Brasil, até os dias atuais: Jambock. 

À época, os aviadores brasileiros questionaram o significado de tal nome, sendo informados pelo comando americano que “jambock” significava “chicote”. Apesar de ter sido dado pelos americanos, tal nome não consta nos principais dicionários da língua inglesa e foi somente em 1969 que os veteranos do 1° GAvCa descobriram que o significado de “jambock” não era simplesmente “chicote”, mas um chicote especial, normalmente feito com couro de rinoceronte e que o nome “jambock” era uma grafia americanizada da palavra sjambok, onde o “S” inicial caiu e um “C” foi colocado antes do “K”. 

A palavra tem sua origem na Indonésia, onde havia o “Sambok”, uma vara de madeira utilizada para castigar escravos. Posteriormente o “Sambok” foi levado para a Malásia e de lá seguiu junto com os escravos malaios que foram levados para a Africa do Sul. Lá, o “Sambok” de madeira foi substituído por um outro feito de couro animal (normalmente rinoceronte) e a palavra “sambok” foi introduzida na língua afrikaan, sendo que os ingleses passaram a adotá-la, grafando-a como “Sjambok”. [...] Ainda hoje uma versão do “Sjambok” feita de plástico é utilizada pela polícia Sul-Africana. 

Mais de cinquenta anos após o fim da guerra, “Jambock” permanece como o “callsign” dos caçadores do atual 1° Esquadrão do 1° Grupo de Aviação de Caça, baseado em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, preservando assim a tradição dos veteranos da Itália. (www.jambock.com.br) 

Tempos depois, decidi deixar a Força Aérea e montar uma empresa de táxi aéreo, no Paraná, após ter a aprovação de minha “superior hierárquica”, como as esposas eram carinhosamente chamadas no meio militar. Resolvemos, então, mudar para lá. Mas, e o barco? Como levá-lo? Decidi ir navegando com ele até Guaratuba, no litoral paranaense, que passaria a ser a nova “base” do bravo Jambock III. Mas minha mulher se recusava a ir junto a bordo. O mar a assustava, especialmente a costa gaúcha, famosa pelo mau humor dos seus ventos fortes e pelo cemitério de barcos que eles já geraram. Onde encontrar um tripulante para me acompanhar naquela travessia? Nos clubes náuticos de Porto Alegre, os marinheiros pediam o equivalente a um dólar por milha navegada, o que, para mim, na época, representava um gasto considerável. 

 

Resolvi dividir minha angústia com o colega aviador Rossato, que, para minha surpresa, não pensou duas vezes e disparou: “Tô nessa, tchê!” — mesmo sem jamais ter ido além do Guaíba nos seus passeios de barco como convidado. Começamos, na hora, a fazer os planos de navegação, que, obviamente, compreendiam a travessia da nem sempre tranquila Lagoa dos Patos, em direção a Rio Grande, onde aguardaríamos a passagem de uma frente fria para termos ventos favoráveis na travessia até Florianópolis. Lá, ele desembarcaria e eu faria o restante da viagem em solitário. E assim ficou combinado. O comportamento sólido nas decisões sempre foi uma das características que eu mais admirava no Capitão Rossato e, ao decidir, de imediato, ir junto naquela travessia, ele mais uma vez comprovou isso. Na data marcada, uma ensolarada manhã de abril, desatracamos do Veleiros do Sul e partimos. Para o amigo Rossato era uma espécie de batismo náutico. 

 

O trecho até Rio Grande exigiu bastante de nós dois. Logo que entramos na Lagoa dos Patos, anoiteceu e começou a chover e ventar forte. Naquela época, GPS ainda era sonho e a nossa navegação era feita na base da estimada, mas conferida com um rádio navegador ADF e um sextante para navegação astronômica. Para ficar ainda mais emocionante a velejada, fomos brindados com muitas boias luminosas apagadas e faroletes da lagoa inoperantes, sem falar que eles ainda estavam fora da posição marcada nas cartas náuticas! Para Rossato, um aviador acostumado às precisões da Aeronáutica, navegar daquele jeito não estava sendo nada fácil. Mas, com inteligência e atenção, ele se empenhava em entender, interpretar e aplicar corretamente as técnicas da navegação náutica, de forma que o nosso barco se mantivesse no rumo, apesar das adversidades. 

 

“Firme ao leme!” passou a ser o seu bordão, quando assumia o comando do barco. E ele repetiria isso a todo instante. No fundo, o Rossato estava (como eu descobriria mais tarde) desenvolvendo uma nova e profunda paixão pelo mundo náutico. Em dois dias, muito cansados, chegamos a Rio Grande. Mas, como não havia nenhuma previsão de ventos favoráveis para o trecho seguinte, meu companheiro regressou a Porto Alegre e eu fiquei incumbido de monitorar o tempo e avisá-lo tão logo a previsão estivesse de acordo com o cenário que tínhamos planejado. Alguns dias depois, uma frente fria se aproximou do Uruguai, e, avisado, o Rossato chegou rápido e entusiasmado, em plena madrugada. Na mesma hora, fizemos uma tentativa de sair para o mar, mas as condições na barra de Rio Grande ainda eram adversas demais. Retornamos ao iate clube, mas fortalecidos pelo desafio, já que, como pilotos, adrenalina era algo que apreciávamos bastante. 

 

No dia seguinte, o vento acalmou e rondou para uma direção mais adequada. Partimos e tomamos o rumo nordeste, que nos afastaria rapidamente do tenso litoral gaúcho. No caminho, cruzamos com vários navios e fomos brindados com um pôr do sol magnífico. Mas, em seguida, levamos um tremendo susto: uma inesperada rajada de vento colocou o nosso barco quase na horizontal em relação ao mar. Corremos para o convés, arriamos todas as velas e acionamos o motor, que passou a nos empurrar a não mais que 5 nós. Foi uma boa decisão, tomada de comum acordo, porque, em seguida, o vento voltou ainda mais forte. Por segurança, abrimos ainda mais o rumo, na direção do mar aberto, a fim de evitar qualquer risco de sermos atirados contra a costa. Com o vento forte, as ondas se agigantaram e passaram a lançar espumas sobre nós. Como era noite, perdemos também a visibilidade. E para completar o cenário nada animador, começou uma chuva forte. Vestimos roupas impermeáveis, colete salva-vidas com cinto de segurança e estabelecemos turnos de quatro horas ao leme, que eram bem cansativos, porque o barco sempre teimava em sair do rumo. Mas nada disso tirava o empenho do Rossato, que seguia repetindo o mantra “Firme ao leme!”. E lá fomos nós. 

 

Até que, de repente, uma onda anormal praticamente deitou o Jambock na água. Eu estava dentro da cabine e fui arremessado de encontro a uma antepara. Quase perdi os sentidos e ganhei um baita hematoma na cabeça. O Rossato, que viu tudo lá de fora, berrou (o barulho do vento impedia qualquer conversa em tom normal) para que eu ficasse na cabine e me recuperasse, enquanto ele conduzia o barco em mais um turno consecutivo. Zonzo pela pancada, concordei, embora preocupado com as horas extras que o meu amigo teria que fazer. Mas ele me tranquilizou, gritando: “Firme ao leme!”. Daí, apaguei. 

 

Quando acordei, horas depois, o Rossato seguia firme na condução do barco, apesar do cansaço. Descobri, então, outras duas características positivas do meu parceiro: a persistência e a perfeita compreensão do necessário para a eficácia de uma atividade. O mau tempo, que depois se transformou em um forte vento Carpinteiro (aquele que “prega os barcos na costa”), típico do litoral gaúcho, durou até a nossa chegada à entrada sul da ilha de Santa Catarina, assustadoramente chamada de Ponta dos Naufragados. Ali, as grandes ondulações não davam descanso ao timoneiro. Surfamos como se o nosso veleiro, de seis toneladas, fosse uma simples prancha, mas entramos com segurança. 

 

Seguimos, então, para o trapiche do Veleiros da Ilha e, de lá, direto para o restaurante, onde pedimos um gigantesco filé e uma cerveja gelada. Por conta do mau tempo na travessia, que durara mais de três dias, comemos apenas biscoitos e laranjas com casca e tudo, porque ninguém arriscaria manusear uma faca naquele sobe e desce que nunca acabava. A sensação era que as ondas queriam partir o Jambock ao meio. Mas ele resistiu bravamente. Bem como o meu companheiro. 

 

Mesmo assim, ao me despedir do Rossato e iniciar a perna final da viagem em solitário, como combinado, pensei: depois de uma estréia dessas ele nunca mais pensará em velejar de novo. Que nada! Pouquíssimo tempo depois, o Rossato já tinha o seu próprio barco e até se revelou um campeão de regatas, atividade que, agora, talvez, passe a desenvolver no lago Paranoá, em Brasília, pois acaba de ser nomeado, pela presidenta Dilma, Comandante Geral da Aeronáutica, cargo máximo da entidade. 

 

Nada mais merecido. Pelo que vi naquela pioneira travessia marítima dele, tenho certeza de que o comando da Aeronáutica brasileira está em boas mãos. 

 

Firme ao leme, comandante! 

 

Como sempre. (GALETTO) 

 

À noite recebemos a visita do meu caro amigo e intrépido aventureiro Pedro Auso Cardoso e fomos brindados pelo Comodoro Gilberto com um belo churrasco. Nossa pretensão é, no dia 09.04.2016, pernoitar no Pontal de Tapes e no dia seguinte (10.04.2016) no acampamento dos pescadores da Ponta da Formiga. 

 

Arambaré ‒ Pontal de Santo Antônio (09.04.2016) 

 

José Afonso Pinheiro foi uma das testemunhas ouvidas pelo Ministério Público de São Paulo na investigação que apura se o ex-Presidente Lula é o dono do apartamento na praia. Lula nega. No depoimento, o zelador contou que viu, várias vezes, o ex-Presidente e a mulher dele, dona Marisa, no prédio. E que os seguranças do casal bloqueavam o elevador quando eles estavam lá. José Afonso disse que a demissão foi por causa do depoimento. “Eu fui demitido por retaliação ao depoimento prestado à promotoria”, afirma José Afonso Pinheiro, zelador.

(G1 ‒ do G1 Globo, no Rio de Janeiro, RJ, 09.04.2016) 

 

Partimos às 06h48, não tínhamos pressa seria um tiro curto até o Pontal de Santo Antonio, extremo Sul da enseada de Tapes, numa região conhecida como Biru. 

 

Biru (Steindachnerina brevipinna): pequeno peixe da família Curimatidae que atinge até 15 cm de comprimento. O Biru é detritívoro, isto é alimentam-se de restos orgânicos, reciclando-os e permitindo que sejam reaproveitados por outros organismos. (Hiram Reis) 

Às 09h20, fizemos uma ligeira parada na Ponta D. Helena (30°52’43,6”S / 51°23’21,8”O) onde constatamos que a vegetação e o terreno no entorno do Acampamento Nossa Senhora Aparecida estavam totalmente derruídos. Aproamos, às 09h40, para o “Biru”, no Pontal de Santo Antonio, onde aportamos às 10h30 (30°48’51,5”S / 51°17’59,5”O). O Biru é uma região insular e de muitas enseadas pouco profundas. Percorrêramos 23,3 km. Amanhã temos duas alternativas a cumprir, dependendo das condições meteorológicas, a primeira ‒ pernoitar no acampamento dos pescadores da Ponta da Formiga e a segunda ‒ na Ponta Escura. 

 

1° Perna Total =       349,1 km.

2° Perna Total =       322,2 km.

3° Perna Total =       299,3 km.

4° Perna Total =       190,3 km.

Total Parcial    =    1.160,9 km. 

 

Pontal de Santo Antônio ‒ Ponta Escura (10.04.2016) 

 

[...] Janaina Paschoal fez um discurso durante evento na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), [...] que se tornou viral na internet. Mesmo mostrando virulência na defesa do impedimento de Dilma, ela entende que a petista foi “engendrada pelas cobras que estavam ao redor dela”. “De alguma forma, acho que estou fazendo um bem para ela.”

(Redação ‒ da Revista Forum, em Porto Alegre, RS, 10.04.2016) 

 

Partimos do Biru, Pontal de Santo Antônio, às 06h15. Depois de contornar o Pontal, as ondas de través, vindas do quadrante Este, começaram a fustigar impetuosamente o casco do “Argo”. Aportei, às 09h10, depois de percorrer 22,5 km, no rústico, mas impecavelmente limpo e higiênico, acampamento do amigo Vanderlei Pereira (30°38’56,0” S / 51°18’04,3” O) de onde parti às 09h40. Até as 10h30, o Mar estava calmo com grandes e pachorrentas ondas de 1,5 a 2,0 m que em nada prejudicavam o deslocamento do valoroso do meu caiaque oceânico. 

 

A partir das 10h30, o Mar ficou mais grosso, com “Três Marias” de até 3,0 m de altura, comprometendo a estabilidade do “Argo” ao quebrar perigosamente sobre o convés. Abandonei a ideia de aportar nas Maiores Falésias dos Mares de Dentro, na Baía da Formiga, e aproei para o acampamento dos pescadores da Ponta da Formiga, onde aportei às 14h15. 

 

Tinha remado vigorosamente, durante 04h35, e percorrido 31,6 km desde o acampamento do Vanderlei, estava exausto, tinha navegado, até agora 54,1 km sendo que a maior parte sob condições bastante desfavoráveis. Fomos obsequiados pelos pescadores com um almoço e convidados a pernoitar no seu acampamento, perfeitamente abrigados das intempéries, mas o Norberto insistiu em continuar nossa viagem. Não era uma boa alternativa tendo em vista as condições do tempo e o pequeno trajeto, de apenas uns 13 quilômetros, que nos separavam da Ilhota da Ponta Escura, que não fariam a mínima diferença no final desta longa jornada, já que tínhamos uma distância curta a ser percorrida em apenas dois dias. Aportamos na Ilhota da Ponta Escura, Rio Guaíba (30°22’36,9”S / 51°05’52,1”O), às 16h25, depois remar exaustivamente 67,2 km, por mais de 10 horas. 

 

1° Perna Total =       349,1 km.

2° Perna Total =       322,2 km.

3° Perna Total =       299,3 km.

4° Perna Total =       257,5 km.

Total Parcial    =    1.228,1 km. 

 

Ponta Escura ‒ Ilha do Chico Manoel (11.04.2016) 

 

Apesar da ação do Planalto, que nas últimas semanas parou de governar para se transformar em um explícito e indecoroso balcão de negócios, a Comissão Especial do Impeachment aprovou nesta segunda-feira o parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), favorável à abertura do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff pelo crime de responsabilidade fiscal. [...] A derrota já era esperada pelo Planalto, mas os números foram ainda piores do que o previsto para Dilma: pela manhã, quando os trabalhos foram abertos, o governo esperava ter entre 28 e 30 votos contrários ao relatório, enquanto a oposição falava em 35 votos pelo prosseguimento do processo.
(Marcela Mattos e Felipe Frazão ‒ da Revista Veja, em Brasília, DF, 11.04.2016)
 

 

A noite foi chuvosa e de ventos muito fortes como previam os canais do tempo. Partimos da Ponta Escura, às 06h40. Depois de enfrentar Mar Grosso e chuva fina durante todo o trajeto chegamos à ilha do Chico Manoel as 09h40. Logo depois da chegada, o tempo amainou. Poderíamos ter saído, tranquilamente, do acampamento dos pescadores por volta das dez horas e chegado, às 14h00, na Ilha do Chico Manoel sem ter enfrentado condições de navegação adversas. Percorrêramos 17,3 km. 

 

1° Perna Total =       349,1 km.

2° Perna Total =       322,2 km.

3° Perna Total =       299,3 km.

4° Perna Total =       274,8 km.

Total Parcial    =    1.245,4 km. 

 

Ilha do Chico Manoel ‒ Praia de Ipanema (12.04.2016) 

 

Sob a batuta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo mobiliza os ministérios para desengavetar todas as medidas que possam criar um cenário positivo às vésperas da votação do afastamento da Presidente Dilma Rousseff. Na área econômica, essa movimentação ganhou o apelido de “Pacotão do Impeachment”. A estratégia traçada pelo Palácio do Planalto é o atendimento de pleitos de setores que, até agora, não encontravam eco no governo para suas demandas. Agora, estão sendo analisadas, a toque de caixa, mesmo com um rombo nas contas públicas que pode chegar a R$ 100 bilhões este ano. O plano seria por em prática várias medidas esta semana. Nem todas, porém, serão divulgadas. [...]

O jornal “O Estado de S. Paulo” apurou que servidores do Tesouro Nacional manifestam desconforto com a iniciativa. Eles querem evitar o que ocorreu com as “pedaladas fiscais”, manobras feitas para maquiar o resultado das contas públicas que foram condenadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Servidores do órgão sofreram processo de responsabilização pelo tribunal e poderão ser punidos em julgamento que ainda não terminou. (Estadão ‒ UOL Notícias, em Brasília, DF, 12.04.2016) 

 

Meu Neto Arthur faz seis meses hoje e, por isso, dedico a ele a maior navegação (mais de 1.260 km) do vovô em terras gaúchas e a quarta no território nacional. Na maior e mais desafiadora de todas, percorri 3.950 km, descendo os Rios Juruá e Solimões, desde a Foz do Breu, AC, fronteira peruana, até Manaus, AM; na segunda, desci 2.000 km, acompanhado de meu filho João Paulo, pelos Rios Madeira e Amazonas, de Porto Velho, RO, até Santarém, PA, e, na terceira, naveguei 1.700 km, pelo Rio Solimões, de Tabatinga, AM até Manaus, AM.

Partimos da Ilha do Chico Manoel, às 06h40, com destino à Marina do Lessa onde ajudaria o Norberto a desmontar o mastro do veleiro e carregá-lo no reboque. Após o aprestamento do veleiro, parti do Lessa, às 08h00, com ventos de popa de 20 km/h (quadrante Sul). Na altura da Ilha das Pedras (Belém Novo), assim que a velocidade dos ventos ultrapassou os 45 km/h, o suporte do leme do caiaque quebrou. Sem leme eu precisava acostar para substituir o suporte avariado pelo reserva. Com muito esforço e dificuldade, eu manobrei para aportar na extremidade Norte da Ponta da Cuíca, Belém Novo. 

 

Como o leme, impulsionado pelas ondas de través, chocava-se violentamente contra a popa do Argo, afrouxei os cabos baixando-o. Tendo em vista que as ondas golpeavam a alheta de Boreste desviando-me da rota, empunhei o remo de maneira a compensar a falta do leme forçando muito o braço direito. Ao me aproximar da Ponta, avistei uma boia de rede e deduzindo que a outra estaria mais afastada da costa, orientei, com muita dificuldade, a proa do caiaque para passar entre ela e a Ponta. Ao me aproximar da boia avistei a outra à Boreste próxima das rochas, manobrei rapidamente para passar pela esquerda da boia. Foram momentos de muita adrenalina, mas finalmente, consegui tangenciá-la evitando um naufrágio. Com o leme em perfeitas condições eu teria passado por sobre a rede e o leme rebateria automaticamente, mas com o suporte quebrado ele engancharia na rede provocando um desastre. O cabo do leme tem um núcleo de aço e para trocar o suporte era necessário conseguir um alicate, infelizmente o Norberto tinha ficado com o meu. Aportei e tentei conseguir um, sem sucesso, com algum morador da Av. Beira Rio e até mesmo com o motorista de um caminhão do DMLU, que ali passava. Retirei o leme e parti para a Ponta Grossa. 

 

Abandonei a tranquilidade da praia onde aportara (30°12’33,5”S / 51°11’57,8”O), na extremidade Norte da Ponta da Cuica, que barrava os fortes ventos do quadrante Sul, e remei com muita dificuldade até uma pequena praia (30°11’23,9”S / 51°12’50,5”O) ao Sul da Ponta Grossa. Como na Ponta da Cuíca, não obtive sucesso tocando diversas campainhas das residências da Rua Hygino Russi Lima, até que parei um carro. O piloto, genro da Srª Rejane, que conduzia a esposa e o filho, disse que e

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