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Artigos - 03/05/2016 - 07h01

I Circunavegação dos Mares de Dentro ‒ Jornada Patriótica 2ª Perna: Veleiros Saldanha da Gama ‒ S. Vitória do Palmar




Fotos: Divulgação










Por Hiram Reis e Silva (*)

 Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 02 de maio de 2016. 

Poema a Lago Merín

(Roberto Burgos Benedetti)

 

El Sol de la tarde

Destella en las ondas,

Dorando la arena

Con su resplandor [...]

Enormes bandadas

De ibises y patos,

Que vuelven al nido

Desde el arrozal. 

Hacia el Occidente

Se encienden fogatas

El agua y el cielo

Es oro y carmín. 

Más tarde la noche

 

Lo cubre de estrellas,

Bañando de plata

Mi Lago Merín. 

Dando continuidade à 2ª Perna da “Jornada Patriótica” continuaremos intercalando, junto ao Diário de bordo, alguns flashes sobre as consequências do mais nefasto período político de toda história da república. A importância relevante dos fatos, as terríveis artimanhas, desmandos e crimes contra o erário que o desencadearam bem como a projeção de futuros cenários deste melancólico momento acompanharam-nos agourentamente durante toda a expedição. 

Veleiros Saldanha da Gama (VSG) – Ilha Grande (15.03.2016)  

Os 4 milhões de manifestantes que foram às ruas no domingo protestar contra o governo e o PT pesaram na decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve aceitar se tornar Ministro da Presidente Dilma Rousseff.
(Paulo de Tarso Lyra ‒ do Correio Braziliense, em Brasília, DF, 15.03.2016)
 

 

Partimos do Veleiros Saldanha da Gama (VSG), Pelotas, RS, às 06h20. Minha preocupação quanto à velocidade das águas do Canal São Gonçalo tinha-se desvanecido durante o percurso que realizei desde a Foz do Canal na Lagoa dos Patos até o VSG onde mantive uma média superior a 6,5 km/h o que, seguramente, me permitiria alcançar, hoje, a Ilha Grande. O bombeamento continuado das águas da Lagoa Mirim para as lavouras de arroz e soja, neste período, provoca um sensível rebaixamento do nível das águas e, em consequência, da velocidade da correnteza do São Gonçalo.

 

Cheguei à eclusa, às 07h40, depois de navegar quase 9 km desde o VSG. Tentei ultrapassar a primeira das três comportas que estavam abertas remando, mas, apesar de conseguir emparelhar o alinhamento do cockpit do caiaque com a barragem, deixei-me, depois de alguns segundos, arrastar pela força da torrente. Poderia, talvez, conseguir transpor aquele obstáculo, mas seria um esforço demasiado que poderia comprometer minha já extenuada musculatura. Subi, então, em uma das comportas fechadas, icei o caiaque e fiquei aguardando o veleiro do Norberto aproximar-se da eclusa.

 

Prossegui, às 08h00, logo que ele acercou-se da eclusa. Soube, mais tarde por alguns pescadores, que o tinham rebocado até ali, que novamente o motor de popa do veleiro tinha apresentado problemas em consequência da baixa qualidade do combustível. O dia agradável, a temperatura amena e sem vento, a correnteza fraca do São Gonçalo, tudo conspirava a meu favor e eu tinha certeza de que pernoitaríamos no aprazível acampamento da Ilha Grande caso o Norberto reparasse a pane do motor.

 

Aguardei meu parceiro por mais de uma hora, no Canal Adutor de Abastecimento de água da cidade de Rio Grande (32°02’26,2”S / 52°24’35,0”O), a partir das 12h00, depois de navegar mais 30 km. Em 1979, o engenheiro José Portella, então Presidente da Construtora SULTEPA S.A., deu início à construção deste Canal de 24 km. Na oportunidade, pela primeira vez no Brasil, foi empregado um trem na execução de um canal chegando-se a marca de 400 metros de extensão por dia. O jornalista Moacir Rodrigues, do Jornal Agora, de Rio Grande, reportou, no dia 21.08.2011, interessante reportagem intitulada “Dívida de Gratidão” que fazemos questão de reproduzir:

 

Em ato marcado para as 11h00 deste domingo, 21, a Prefeitura Municipal estará colocando a pedra fundamental no monumento que será erigido em homenagem ao General Golbery do Couto e Silva, rio-grandino de nascimento e que, em sua vida militar ou como Ministro chefe da Casa Civil, no período da ditadura, nunca esqueceu o seu torrão natal, constituindo-se em importante elo de influência para que a “Noiva do Mar” chegasse ao estágio de desenvolvimento que hoje estamos vivendo.

 

Este domingo ‒ 21 de agosto de 2011 ‒ assinala o centenário de nascimento de Golbery do Couto e Silva que, na condição de homem público, foi apoiador de iniciativas como a transferência para Rio Grande da sede do 5° Distrito Naval (DN), considerando a posição estratégica no Município ‒ o 5° DN tinha como sede o Estado de Santa Catarina ‒ e tinha a visão de que o porto marítimo da “Noiva do Mar” seria o grande porto do MERCOSUL e que, por isso, teria de contar com o respaldo de uma força naval de primeira grandeza, como prova o trabalho que vem sendo realizado pelo Distrito Naval aqui instalado.

 

Golbery foi, também, um dos responsáveis pela construção do Canal Adutor da Corsan para a captação de água do São Gonçalo, fato que permitiu ao Rio Grande, além do tranquilo abastecimento à população, preparar o Município para receber grandes indústrias e fortalecer o complexo portuário que hoje vemos, com orgulho, surgir nas areias da Quarta Seção da Barra. Ele responde também pela pavimentação da avenida Buarque de Macedo e de tantas outras ruas do bairro Cidade Nova, pelo apoio a projetos que eram levados a Brasília pelo então Prefeito Rubens Emil Correa, assim como pela construção de estradas e pontes e por verbas para a complementação do sistema de iluminação pública e de pavimentação para vários bairros.

 

Golbery, nascido em casa localizada na Rua Paissandu (hoje Napoleão Laureano), em 1911, foi um dos brilhantes alunos do Colégio Lemos Junior e, mercê da sua inteligência, deslocou-se para o Rio de Janeiro, onde foi cursar a Escola Militar do Realengo. Já como oficial do Exército, retornou ao Sul para servir no Regimento de Infantaria de Pelotas. A última visita à sua terra natal aconteceu em agosto de 1976, acompanhando o General Ernesto Geisel, então Presidente da República. Golbery faleceu em 18.09.1987, acometido de câncer.

 

Por integrar a equipe que governou o País nos anos da ditadura militar, a figura de Golbery não é apreciada por muitos e, por isso, em duas oportunidades, a Câmara Municipal do Rio Grande negou homenageá-lo com nome de Rua. Agora, no entanto, a Prefeitura, através do ato marcado para este domingo, resgatará a dívida de gratidão que a comunidade rio-grandina tem para com seu conterrâneo. (RODRIGUES)

 

Aportamos na margem direita do São Gonçalo em uma área frontal à Ilha Grande às 15h10, depois de navegar mais 10,6 km. Acampamos sob uma centenária figueira, velha parceira de nossa primeira Circunavegação pela Lagoa Mirim. Navegamos hoje 49,6 km.

 

1° Perna Total =       349,1 km.

2° Perna Parcial =       49,6 km.

Total Parcial =          398,7 km.  

Ilha Grande ‒ Ponta Alegre (16.03.2016)  

Alvo de uma denúncia por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica e na mira da Operação Lava Jato, o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nesta quarta-feira assumir o Ministério da Casa Civil do governo Dilma Rousseff. A manobra garante ao petista foro privilegiado ‒ e o livra das mãos do Juiz Federal Sergio Moro,
que conduz as ações da Lava Jato em Curitiba.
(Laryssa Borges e Marcela Mattos ‒ da Revista Veja, em Brasília, DF, 16.03.2016)

 

Partimos às 06h15 e aportamos em Santa Isabel às 08h20 para complementar o rancho. Infelizmente o pequeno armazém não tinha “Frukito” no seu estoque, meu companheiro inseparável nas expedições pelas plagas gaúchas, e o refrigerante gaseificado, rico em açúcar e cafeína era uma péssima alternativa. Eu estabelecera como primeiro objetivo (O1) acampar no Farol da Ponta Alegre e, em caso de mau tempo, pernoitar na Ponta Alegre.

 

A progressão foi tranquila e aportei, por volta das 12h30, nas proximidades da Foz do Arroio Chasqueiro, que fica a uns 8 km ao Norte da Foz do Arroio Grande. No dia 26.11.1844, aconteceu, nos arredores do Arroio Chasqueiro, a Batalha de Arroio Grande, último embate da Guerra dos Farrapos em território riograndense, no então curato de Nossa Senhora da Graça do Arroio Grande, que na época integrava Jaguarão.

 

Curato: termo de origem religiosa, outrora usado para nomear Aldeias e Povoados que apresentavam as condições necessárias para serem elevados à categoria de Freguesia (Distrito de um Município). (Hiram Reis)

 

Engarupado na anca da história veio-me à memória a imagem heróica do Coronel Joaquim Teixeira Nunes que foi, nessa peleja, ferido e degolado pelos imperiais. Conta-nos João Máximo Lopes na sua obra “Habilidades Campeiras nas Guerras do Sul”:

 

O Coronel Joaquim Teixeira Nunes, farroupilha, foi uma das lanças mais temíveis e respeitadas de seu tempo; com o corpo de lanceiros a seu mando alongava-se do exército para operar sobre si em qualquer parte que o inimigo aparecesse. Onde carregava o corpo de lanceiros denunciava-se a vitória. Humano, durante a peleja, matava para vencer, mas depois da vitória não morria um só prisioneiro. Um soldado da estatura do Coronel Joaquim Teixeira Nunes, não teve a morte que merecia, logo ele, tão guapo quanto generoso com os vencidos, perdeu a vida numa ação militar inglória. Sua fama de heroísmo vinha das campanhas platinas, onde se distinguira, e assombrou um dia Garibaldi pela temeridade com que se empenhava na luta. Como uma ironia do destino, caiu mortalmente, transpassado por uma lança, no combate do Arroio Grande (Chasqueiro), em 28.11.1844, frente às forças mais numerosas e também aguerridas ao mando, do Coronel Francisco Pedro de Abreu, Chico Pedro – o Moringue. O inimigo carregou sobre a força de Teixeira que não podendo resistir às cargas consecutivas de cavalaria foi derrotado e perseguido de morte. No entrevero da retirada, o bravo farroupilha distribuía lançassos em todos os quadrantes quando caiu, irremediavelmente, nas mãos de seus verdugos, ao lograrem aprisionar o seu cavalo, com um certeiro arremesso de boleadeiras e, mesmo assim, Teixeira, seguiu defendendo-se, mas também foi boleado com dita lança e quando chegaram os que mais de perto lhe seguiam, deram-lhe um tiro na coxa que o arrebatou do cavalo. Nesse instante, passava Chico Pedro, a quem apelou com um gesto de humanidade: “Coronel, não me deixe matar” e, fazendo um sinal de socorro, deu seu último suspiro. Assim, perdeu a vida um dos soldados mais brilhantes das hostes farroupilhas. (LOPES)

 

Logo depois desta parada surgiram ventos de 15 km/h, e rajadas de 20 forçando-nos a acampar na Ponta Alegre a pouco mais de 6 km do Farol. Infelizmente a costa descoberta do Farol não permitia a ancoragem segura do veleiro. Percorreramos 49,3 km.

 

1° Perna Total =       349,1 km.

2° Perna Parcial =       98,9 km.

Total Parcial =          448,0 km.  

 

Ponta Alegre ‒ Foz do Rio Jaguarão (17.03.2016) 

O Juiz Federal Itagiba Catta Preta Neto, da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, atendeu a uma ação popular e suspendeu, em caráter liminar, ou seja, temporário, a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula no cargo de novo Ministro-chefe da Casa Civil ou em “qualquer outro que lhe outorgue prerrogativa de foro”.
(Alex Rodrigues ‒ da Agência Brasil, em Brasília, DF, 17.03.2016)

 

Partimos somente às 06h40, o tempo nublado nos enganou e acabamos atrasando a alvorada. Novamente as condições meteorológicas favoreciam a progressão e aportamos no mais belo Monumento dos Mares de Dentro – o Farol da Ponta Alegre, às 07h40. Subi no majestoso Farol e comuniquei-me com a Rosângela que me informou que o Lullarápio tinha sido nomeado ontem, pela PresidAnta, Ministro da Casa Civil com o objetivo explícito de deslocar a competência do seu julgamento da Justiça Federal de Curitiba para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na janela mais alta do Farol encontrei aninhada uma robusta tamanduá mirim que não me deu qualquer atenção, quando passei por ela, continuando encolhida como se estivesse procurando proteger sua pequena cria ou em trabalho de parto. Não quis dirimir minha dúvida importunando o pequeno animalzinho e deixei-o quieto no seu canto.

 

Tamanduá mirim, Tamanduá de colete ou Melete (Tamandua tetradactyla): tetradactyla, em grego, significa “quatro dedos” que é o número de dedos que esta espécie possui nas patas dianteiras. O Mirim, curiosamente, apresenta cinco dedos nas patas traseiras sendo que o quinto dedo e sua garra passam quase despercebidos, pois, são pequeninos, atrofiados mesmo. A gestação, que varia de 130 a 190 dias, gera somente um filhote que é protegido pela mãe até a próxima prenhez. (Hiram Reis)

 

Fizemos uma segunda parada, por volta das 13h00, ao Sul da Foz do Arroio Bretanha onde contatei, novamente, a Rosângela que me informou que o Lullarápio já não era mais Ministro. Pobre país, seria apenas mais um hilário lance proporcionado pelos nossos desastrados gestores se isso não estivesse dando mostras ao mundo das mazelas de uma caótica política e desmesurados desmandos próprios de uma tragicomédia tupiniquim de 5ª categoria. Continuamos nossa navegação rumo SO enfrentando ventos de proa. Abandonei a ideia inicial de acampar na Foz Arroio Juncal com intuito de alcançar a Foz do Rio Jaguarão ainda hoje. Fiz mais uma parada ao Sul da Ponta Negra a quase um quilometro da costa, a água não me chegava à cintura e não valia a pena desviar-me da rota aumentando ainda mais o trajeto. Depois de rebocar o caiaque por uns 400 m procurando exercitar as pernas, montei no meu incrível “Argo” e prossegui aproado para a Ponta do Juncal de onde seguiria direto para a Foz do Rio Jaguarão.

 

Argo: a embarcação recebeu este nome em homenagem ao engenheiro naval Argos que a projetou e construiu com auxílio da deusa Palas Atenas. A célebre nau comandada pelo herói grego Jasão partiu com outros tantos Argonautas em busca de fantásticas aventuras. (Hiram Reis)

 

Aportamos 17h15 na Foz do Jaguarão onde acampamos à sua margem direita. Tinha percorrido 62,2 km, desde a Ponta Alegre à Boca do Jaguarão. 

 

1° Perna Total =       349,1 km.

2° Perna Parcial =     161,1 km.

Total Parcial =          510,2 km.   

 

 

Foz do Jaguarão ‒ Jaguarão ‒ Foz do Jaguarão (18 a 20.03.2016)  

Entre queixas e negociações, as ligações do ex-Presidente e atual Ministro Luiz Inácio Lula da Silva interceptadas pela Polícia Federal são recheadas de um linguajar que passa longe do politicamente correto. O ex-Presidente perguntou onde estão “as mulher de grelo duro” do PT e brincou que a diretora do Instituto Lula, Clara Ant, acordou achando que era “presente de Deus” quando cinco homens entraram em sua casa ‒ até descobrir que eram policiais federais. (Paula Ferreira e Renato Grandelle ‒ de O Globo, em Rio de Janeiro, RJ, 18.03.2016)  

 

Em Brasília, outra multidão se aglutinou em frente ao Palácio do Planalto com cartazes contrários a Dilma, enquanto parlamentares de oposição cobraram aos gritos a renúncia no plenário da Câmara. O protesto começou por volta das 17 horas já para protestar contra a nomeação de Lula para Ministro da Casa Civil. Cresceu depois da liberação dos áudios pela Justiça. Milhares de pessoas se concentraram, erguendo bandeiras do Brasil e faixas onde se lia “Fora Dilma”, e réplicas da Constituição.
(Gustavo Moniz e Afonso Benites ‒ de El País, em São Paulo, SP e Brasília, DF, 19.03.2016)
 

O advogado de Lula, Roberto Carlos Martins, disse em uma conversa telefônica do dia 8 de março que, na sua avaliação, o ex-Presidente será condenado pelo Juiz Sérgio Moro. A declaração apareceu em um dos grampos feitos pela Polícia Federal.
Assim, o advogado sugere a Lula que aceite o cargo no governo de Dilma Roussef.
(Da Redação ‒ de O Tempo, em Contagem, MG, 20.03.2016)
 

 

Partimos, 18.03.2016, desta feita, embarcados no veleiro Corais, às 06h35, da Foz do Rio Jaguarão e aportamos, às 10h40, no Iate Clube Jaguarão, onde pernoitaríamos graças ao apoio do amigo Roberto Borges Couto. Nosso objetivo era abastecer e descansar, por um dia, pelo menos, dependendo das condições meteorológicas. Instalamo-nos confortavelmente no salão do Iate Clube Jaguarão onde esposa do amigo Washington Moreira presenteou-nos com saborosos bolinhos de arroz. O Comandante do veleiro Sumiço, Dr. Ermo Machado, deu uma carona ao Norberto para que o mesmo abastecesse os camburões e mais tarde trouxe-nos uma saborosa linguiça para o almoço. Aproveitamos para secar todo o material de acampamento, limpamos e lubrificamos os equipamentos. À tarde, fomos fazer compras para complementar nossos gêneros alimentícios e produtos farmacêuticos. De volta ao Iate Clube Jaguarão encontramos nosso caro amigo e jovial veterano canoísta Antonio Buzzo, parceiro de nossa primeira Circunavegação pela Lagoa Mirim, com quem ficamos conversando longas horas.

 

Sábado, 19.03.2016, tempo ruim, muita chuva, vento forte e frio forçaram-nos a permanecer acantonados no Iate Clube Jaguarão. De manhã ficamos conversando longamente com o Sr. Moreira que nos presenteou com dois livros do escritor Roberto Burgos Benedetti, o “Lagunero” e o “De La Laguna a La Antártida” que degustamos avidamente durante toda a jornada. Benedetti reproduz no “Lagunero” um pensamento que norteia a todos amantes da natureza que empreendem jornadas similares à nossa:

 

Y es realmente difícil hacer entender al no iniciado, o al que realmente no Le gusta el contacto directo con la naturaleza agreste, lo que pasa por el espíritu del devoto cuando se aleja del mundo “civilizado”. Pasa, tal vez, por algo intrínseco, profundo, una herencia ancestral, pero va más allá. Va mas allá también de la simple contemplación de cosas y paisajes que nos gustan, porque si los viéramos en una película no sería lo mismo. Hay una especie de comunión de los sentidos con el entorno, y estos se agudizan. Observamos detalles que en trajín cotidiano pasarían inadvertidos, escuchamos sonidos a los que normalmente no daríamos importancia. Yo describiría la sensación como entrar en frecuencia con la naturaleza. Hasta podemos llegar a sentir placer por el simple hecho de sentir la tierra húmeda bajo los pies, el Sol en la piel o lo viento en el rostro. Le damos un giro radical a nuestra actividad física, pero sobre todo la intelectual, ya que dejamos de lado, momentáneamente, todo el cúmulo de preocupaciones cotidianas para ocuparnos de cosas mas básicas y vitales, como protegernos del Sol, la lluvia, o el viento; conseguir agua limpia y leña seca para el fuego, cocinar, armar el “dormitorio”, entre otros.

 

Nos concentramos en la navegación, en elegir el mejor camino, en atender las cañas de pescar, en perseguir una presa o en obtener las mejores condiciones de luz para una fotografía, dándole otro uso al cerebro, que lo libera de la presión habitual. Pasa también por una suerte de reafirmación de valores. Nos enfrenta a nuestras propias capacidades, despertamos habilidades olvidadas y hasta extendemos nuestros límites personales. Creamos o reafirmamos laz

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