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Artigos - 28/04/2016 - 06h00

I Circunavegação dos Mares de Dentro (Jornada Patriótica)

1ª Perna: Marina do Lessa ‒ Veleiros Saldanha da Gama




Fotos: Divulgação










Por Hiram Reis e Silva (*)

 Hiram Reis e Silva, Bagé, RS, 25 de abril de 2016. 

É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias,
mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito,
que nem gozam muito, nem sofrem muito,
porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.
(Theodore Roosevelt)
 

 

Depois de realizar oito incursões pela Laguna dos Patos, Lagoa Mirim e Lagoa Mangueira eu persisto na busca de novos desafios. Os sedutores Mares de Dentro, tal como as ancestrais nereiades da mitologia grega, vem, através dos tempos, cativando, enfeitiçando mesmo, os mais arrojados argonautas ‒ como diz o meu caríssimo amigo e intrépido velejador Coronel PM Sérgio Pastl: “Eu sonho com a Laguna, penso nela todos os dias, por vezes tenho medo, mas é uma cachaça”. 

 

Nossos belos mananciais lacustres encantam pela bela vegetação nativa emoldurada por gigantescas, sofridas e seculares figueiras, ilhas paradisíacas, monumentais falésias, diversificada avifauna e suas límpidas águas, águas por vezes cálidas e mansas a espelhar o infindo e místico firmamento e, outras tantas, revoltas como as de um imenso oceano forçando-nos a reconhecer nossa pequenez perante o furor dos ventos e das vagas. 

 

Decidi, portanto, fechar, com chave de ouro, minhas lagunares jornadas com a I Circunavegação dos Mares de Dentro (navegação simultânea da Laguna dos Patos e Lagoa Mirim) utilizando meu caiaque oceânico “Argo”, modelo Cabo Horn, da Opium fiberglass, com o apoio do veleiro “Corais”, modelo Day Sailer, pilotado pelo meu caro amigo Norberto Weiberg. 

 

Fui autorizado pelo meu comandante ‒ General de Exército Edson Leal Pujol Comandante Militar do Sul (CMS), líder da tropa de Elite do Combate Convencional do Exército Brasileiro a dar início à Circunavegação e continuar com minhas pesquisas e jornadas aquáticas em todo território nacional. O CMS enquadra 162 Organizações Militares (OM) sediadas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, possui duas Divisões de Exército, duas Regiões Militares, oito Brigadas, totalizando aproximadamente 55 mil militares – um quarto do efetivo da Força Terrestre. O CMS concentra 90% dos blindados, 100% da Artilharia Autopropulsada, 75% da Artilharia de Campanha, 75% da Engenharia de Combate e mais de 80% dos Meios Mecanizados da Força Terrestre. 

 

Planejei partir da Marina do Lessa (Belém Novo ‒ Porto Alegre, RS), no dia 05.03.2016, percorrer toda Costa Oriental da Laguna dos Patos, subir o Canal de São Gonçalo, navegar por toda Costa Ocidental da Lagoa Mirim até a Foz do Arroio San Miguel, Uruguai, retornando pela Costa Oriental da Lagoa Mirim, Canal São Gonçalo e Costa Ocidental da Laguna dos Patos, totalizando aproximadamente 1.300 km. 

 

Estávamos vivenciando o mais conturbado momento político de toda história da República. “Nunca antes na história deste País” a corrupção, os desmandos generalizados em todos os níveis da administração pública e a falta de gestão estiveram tão presentes. Sem sombra de dúvida as últimas décadas passarão para a história como a fase mais tenebrosa de nossa nação – “As Três Décadas Perdidas”. A maioria das instituições perdeu totalmente a credibilidade, os conchavos deram oportunidade aos menos capazes de assumir cargos para os quais não estavam absolutamente preparados, a educação, a saúde e a segurança foram sucateadas sistematicamente atingindo um nível jamais visto. O Império do Caos, tinto de vermelho, cravou profundamente suas garras nos corações e mentes do povo brasileiro. 

 

O momento histórico pelo qual estamos passando levou-me a batizar esta Circunavegação de “Jornada Patriótica”. Oportunamente, depois de enfrentar as tormentas e as vagas gigantescas dos Mares de Dentro eu justificarei minha decisão. Permearei meu Diário de bordo com notícias que pipocavam pela mídia tendo em vista que em algumas paradas, ao conseguir manter contato com familiares, ficávamos a par dos acontecimentos. 

Marina do Lessa ‒ Ponta das Desertas (05.03.2016) 

 

A deputada comunista Jandira Feghali (PCdoB-RJ), linha auxiliar do PT, gravou um vídeo na sexta-feira durante encontro com Lula na intenção de mandar um recado à militância, mas acabou expondo involuntariamente o palavreado do ex-presidente contra as investigações de que é alvo. Logo no começo do vídeo, é possível ver e ouvir Lula ao fundo, em conversa por telefone (ele tem celular?) com a suposta presidente Dilma Rousseff, conforme a própria Jandira informa olhando para a câmera. “Eles que enfiem no cu todo o processo”, esbraveja Lula, em mais uma prova de que se acha acima da lei e despreza as instituições democráticas. (Felipe Moura Brasil ‒ da Revista Veja, em São Paulo, SP, 05.03.2016)

Os amigos Norberto e Pastl chegaram à minha residência em Ipanema antes das 08h00. Carregamos o caiaque e as tralhas no reboque do “Corais” e logo que chegamos à Marina do Sr. Jorge Alberto Lessa (30°14’09,7”S / 51°10’01,2”O), às 09h00, lançamos o veleiro e o caiaque n’água, colocamos o mastro no Corais e carregamos as tralhas de acampamento nas embarcações. 

 

Parti do Lessa, às 10h00, deixando os velejadores ultimando os preparativos para a viagem. Aportei na Ilha do Chico Manoel (30°15’45,5”S / 51°09’48,4”O) onde contatei o Comandante Luiz Morandi, Prefeito da Ilha, que estava ancorando o seu formidável veleiro Chamonix. Mais uma vez o experiente velejador, lancheiro e reconhecido gourmet, gentilmente autorizou que acantonássemos nas instalações da Ilha por ocasião de nosso retorno à Porto Alegre. Às 10h30, avistei a equipe de apoio, largando da Marina do Lessa, aguardei um pouco e remei até me posicionar entre a Ilha e a Ponta dos Quatis. Fiz contato através do rádio informando que aproaria diretamente para o Farol de Itapoã. O veleiro, inicialmente, deslocava-se com muita lentidão e resolvi, às 13h45, fazer uma breve parada na face Norte da Ilha do Junco (30°21’13,6”S / 51°04’03,9”O) onde me hidratei, estiquei as pernas. Quando o veleiro se aproximou parti. 

 

No planejamento inicial o Norberto tinha optado por pernoitar na Ponta Escura, mas como chegamos cedo, às 14h30, ao Farol de Itapoã (30°23’06,5”S / 51°03’34,6”O) decidimos pernoitar em um pequeno bosque de eucaliptos localizado no ponto extremo da Ponta das Desertas (30°26’12,8”S / 50°55’13,7”O), meu velho conhecido, onde aportamos, às 16h30, montamos acampamento, o Cel Pastl preparou o jantar, coloquei a malhadeira (rede) para garantir alguns peixes para o dia seguinte e, depois do banho, nos recolhemos antes do pôr-do-sol, buscando proteção do forte vendaval que fustigou a região pouco antes do anoitecer. Eu tinha percorrido 39,3 km, uma marca razoável tendo em vista que neste ano eu só remara quatro dias, em janeiro, na Lagoa Mangueira.

Relata-nos o Comandante Sérgio Pastl: 

 

No dia 05 de março, fui com o Norberto, no Corais, e o Hiram, no Cabo Horn, ao Lessa. Dali zarpamos às 10h00, rumo à Itapuã. O vento era Sul, fraco, o motor mercury pifou, na largada, como sempre. Problema na agulha, o Norberto, já craque, fez uma manutenção à bordo e prosseguimos, o Hiram nos esperava no Chico Manoel e depois seguiu adiante. 

 

Chegamos à Itapuã por volta das 14h30, eu já pedira ao amigo Comandante Rodrigo do Comando Ambiental apoio em contatar a Administração do Parque, para eventual pernoite, pois o motor não ajudava. No farol alcançamos o Cabo Horn, ou melhor, ele nos esperou, e deliberamos avançar o quanto o motor permitisse, pois nada de vento. 

 

Assim o fizemos, e às 16h30 aportamos nos eucaliptos, pequeno bosque, na Ponta das Desertas. Dali se avista a enseada da Varzinha, e o conjunto de torres com aerogeradores de Viamão. Impressionante obra de engenharia e bom para o Planeta. No lado Norte da ponta das Desertas, alguns barcos de pesca estavam ancorados e, no juncal, um bote de alumínio com dois casais de turistas passeando que nos cumprimentaram. Creio que vieram da varzinha ou do camping do Richard. Montamos as barracas, fizemos fogo com lenha, abundante, e assamos uma costela, que comemos com arroz e salada de tomate e cebola. Essa foi a festa de aniversário de 60 anos do Comandante Norberto. Ancoramos o Corais atrás de um alfaque (banco de areia), e o Hiram pescou alguns peixinhos, para garantir para o outro dia, como sempre. À noite veio um temporal de verão, do meio da Laguna, violento, como sempre, que fez vergar as barracas. O Corais aguentou bem o tranco, na âncora, protegido pelo banco de areia. Em trinta minutos voltou a bonanza. Pouco antes do temporal, seis pesqueiros abrigaram-se na alagada da Ponta das Desertas, pelo lado Norte, sendo que um deles recolheu-se ao Porto da Varzinha cerca de uma hora antes, pressentindo a tromba d’água e o vento. Gente experiente, não quiseram arriscar encalhes nem naufrágios. (Sérgio Pastl) 

 

Ponta das Desertas ‒ Canal Fazenda (06.03.2016) 

 

Os petistas vão agora querer ocupar as ruas – convocados por Lula, diga-se – para construir a narrativa mentirosa de que a sociedade brasileira está dividida diante do impeachment. E ela não está. A esmagadora maioria é favorável, segundo as pesquisas de opinião, porque percebeu que Dilma parece treinada para nos levar para o buraco.
(Reinaldo Azevedo ‒ da Revista Veja, em São Paulo, SP, 06.03.2016)
 

 

Partimos, às 07h00, com destino à boca do sangradouro da Lagoa dos Gateados (30°30’52,5”S / 50°41’06,7”O) na Costa da Salvação, localizada a 26 km de nosso acampamento. Na minha primeira incursão pela Laguna dos Patos enfrentei, neste trajeto, vento de 60 km/h e vagas de 3,5 m, tendo de abortar a missão, agora, felizmente, uma suave brisa de popa (quadrante Oeste) colaborava com a travessia. Aportei, às 11h30, e orientei a aproximação do veleiro, a costa é muito rasa e na foz do sangradouro está fundeada a carcaça de uma velha embarcação de metal exigindo atenção redobrada dos nautas. No dia 10.04.2011, eu e o Professor Romeu Henrique Chala fizemos uma parada de mais de uma hora neste mesmo local tentando em vão contatar via telefone ou vislumbrar no horizonte algum sinal do veleiro Ana Claci pilotado pelo Coronel Pastl que nos apoiaria em nossa descida até Rio Grande. 

 

Enquanto o Coronel Pastl aquecia a refeição do jantar do dia anterior eu tentava, em vão, tarrafear alguns lambaris. Depois de nos alimentarmos e hidratarmos partimos em direção a um canal de irrigação (30°39’50,1”S / 50°40’53,1”O) que o Comandante Norberto georeferenciara como local ideal para o pernoite. Aportamos no canal, às 16h30, onde fomos recebidos com extrema cortesia pelo Sr. Douglas e sua esposa. Com apenas duas tarrafeadas no canal de irrigação, recentemente dragado, garanti uma quantidade suficiente de lambaris para o jantar que foi preparada com esmero pelo Coronel Pastl. A noite foi agradável, e nosso sono só foi interrompido brevemente por uma enorme comitiva bovina que veio protestar contra a invasão de sua área de repouso. Percorri 42,7 km, totalizando 82,0 km. 

 

Relata-nos o Comandante Sérgio Pastl: 

 

No dia seis de março, após o café da manhã, zarpamos às 07h00, e cruzamos o banco das desertas na alagada, ponto que o Comandante Emílio Oppitz, de Tapes nos fornecera pelo celular: 30°26’25,8”S, 50°53’34,8”O. Passamos com 0,8 m na taquara (instrumento náutico mais garantido que ecobatímetro, a meu juízo), cerca de 300 m de largura.

Após o ultrapassarmos, abrimos vela com a brisa do Sul e rumamos para a Costa Leste, chamada da Salvação, visando o valo de irrigação do grande capão que se avista ao longe (creio que é a granja do Comandante Aloiz, perito navegador de Tapes, que já nos acolhera anteriormente na jornada do Mar de Dentro). A brisa de Oeste, ajudada pelo Mercury, nos permitiu chegar lá às 11h30. Entramos num valo de irrigação em cuja foz há o casco enorme de um barco de aço, ali soçobrado que ofereceria perigo à navegação. Não consta na Carta Náutica e, ainda bem, que nosso precursor, Comandante Hiram, o demarcou. Grande risco, mesmo. 

 

Vimos vários avestruzes (ema gaúcha) pela região, com filhotes, preparamos o almoço, carreteiro de churrasco e salada de tomate e cebola. Às 13h30 zarpamos novamente, rumo Sul, às 16h00 passamos pelo través de um pinheiral (Pinus elliottii) ao lado de uma grande casa de bombas, levante de arroz, que é porto de um pesqueiro tipo chalupa, cor verde. Pelo estilo creio que é obra do Sr. Mauro do Estaleiro da Lagoa, de Tapes, que aprendeu o ofício com o “patrão”, Sr. Divino Venetti, de São Lourenço do Sul (acho que todos os marceneiros navais e artífices náuticos da costa do Mar de Dentro foram seus aprendizes). 

 

Às 16h30, chegamos num “valo real”, assim o chamamos quando é de grandes dimensões, com poderosa casa de bombas no levante. Decidimos ali pernoitar. Fica o local no través do Distrito da Solidão, Município de Mostardas. Entramos com o leme todo embaixo, cerca de três pés, e à motor, rabeta abaixo. Ancoramos e montamos acampamento na margem Norte. O Hiram conversou com o funcionário da Casa de Bombas, Sr. Douglas, que nos autorizou o pernoite. O Hiram, como sempre, pescou dezenas de lambaris, que nos proporcionaram uma farta fritada. Fiz, preliminarmente um café da tarde, com pão, linguiça e queijo. Depois uma massa com picadinho de alcatra e salada, e fechamos a janta com os lambaris. Um banquete, mesmo. Às 21h00 horas me recolhi. (Sérgio Pastl) 

 

Canal Fazenda ‒ Porto do Barquinho (07.03.2016) 

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser alvo de ação civil de improbidade administrativa na Operação lava Jato, que tem como uma das punições a proibição de disputar eleições. Lula pode ser acusado nesse tipo de processo caso fique comprovado que empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras pagaram custos de obras do sítio frequentado por ele em Atibaia (SP) no final de 2010, quando ainda era presidente, para beneficiá-lo ilegalmente.
(Flávio Ferreira, Bela Megale ‒ da Folha de São Paulo, em São Paulo, SP, 07.03.2016)
 

 

Despedimo-nos de nosso caro parceiro, Coronel Pastl, que foi levado pelo Sr. Douglas de carro até um ponto de ônibus onde o mesmo seguiria para Porto Alegre e partimos, eu e o Norberto, às 07h30. 

 

Às 09h20, depois de navegar 11 km enfrentando suaves ventos de proa, fizemos uma breve parada nas proximidades de uma bela mata nativa (30°45’39,5”S / 50°42’34,4”O), a primeira que avistamos desde a Ponta do Anastácio. Desta parada em diante enfrentamos ventos de 15 km/h até à Ponta de São Simão (30°53’44,2”S / 50°57’57,5”O) onde aportamos, às 15h00, depois de percorrer 43 km em oito horas. 

 

Ajudei o Norberto na transposição do enorme banco de areia, fiz uma cuidadosa manutenção no caiaque, ingeri três cápsulas de guaraná, um comprimido de relaxante muscular, apliquei “Salonpas” nos músculos doridos e parti às 16h00 rumo ao Porto do Barquinho. Precisava “picar a voga” para chegar ao meu objetivo antes do pôr-do-sol, enfrentei, nos primeiros treze quilômetros, ventos de proa de 15 km/h que, graças a Éolo, senhor dos ventos, amainaram nos seis quilômetros finais permitindo que eu adentrasse ao Porto do Barquinho (31°02’57,7”S / 51°00’25,3”O) às 18h45, oito minutos antes do Sol se por. Novamente nosso caro amigo pescador Jaime de Souza Laguna permitiu que nos alojássemos em sua residência poupando-nos o trabalho de montar acampamento. 

 

O Norberto comprou um peixe, de pescadores ali aportados, que o Sargento de Infantaria da reserva da Força Aérea Brasileira Eugênio preparou com muito esmero. Mal consegui ingerir alguns bocados do saboroso petisco tendo em vista o extremo cansaço físico. Dormimos cedo procurando recompor as energias desgastadas pela estafante jornada. 

 

Infelizmente nossas expectativas de um sono reparador foram frustradas, de madrugada um grupo de jovens pescadores totalmente embriagados ligaram o rádio a todo volume e conversavam ou melhor gritavam a plenos pulmões até altas horas. 

 

O Jaime teve um lamentável incidente com um fazendeiro local, e enfrenta sérios problemas com a justiça. Percorri hoje extenuantes 58,7 km, totalizando 140,7 km de jornada. 

 

Relata-nos o Comandante Sérgio Pastl: 

 

Às 05h00 despertamos, cercados por piquete de gado. Tomamos café, desmontamos o acampamento, e às 06h00 o Hiram e o Norberto, escoteiros (solitários) no Corais e no Cabo Horn, prosseguiram para o Sul, rumo ao porto do Barquinho. Vi-os partir com um aperto no peito, tanta era a vontade de prosseguir, mas o dever do lar nos chamava. Resta-nos dar apoio aos bravos marujos enviando previsões, e contatando amigos e ao longo da rota, até Santa Vitória do Palmar e no retorno, pela costa Oeste do Mar de Dentro. 

 

O Sr Douglas gentilmente levou-me até o Engenho da estrada municipal, distante cerca de 5 km, e dali peguei carona no ônibus escolar, que me deixou na RS 101, onde peguei às 08h00 o ônibus de Tavares para a Capital, com escala em Palmares do Sul e Capivari do Sul, onde cheguei às 11h30, com a alma leve pelo agradável passeio do final de semana. (Sérgio Pastl) 

 

Porto do Barquinho ‒ Canal da Fazenda Guarida (08.03.2016) 

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou o rito do impeachment, que valerá para o pedido da oposição, contra a presidente Dilma Rousseff. Com a publicação do resultado do julgamento, o Supremo Tribunal Federal confirmou as regras estabelecidas pela maioria dos ministros no fim do ano passado. Eles definiram que cabe ao Senado dar a palavra final, ou seja: confirmar, ou não, o prosseguimento do processo de impeachment.

(Gioconda Brasil ‒ do G1, em Brasília, DF, 08.03.2016) 

 

Partimos às 07h00 e às 10h00 fizemos uma pequena parada no Farol Cristóvão Pereira (31°03’45,6”S / 51°09’56,7”O). A quietude das águas facilitava a navegação, a superfície espelhada encrespava suavemente apenas quando resolvia acariciar sensualmente os bancos de areia e embalar serenamente os esguios juncos. 

 

Aportamos, às 16h30, no canal de irrigação da Fazenda Guarida (31°14’15,5”S / 51°09’25,7”O) onde fomos autorizados, pelo Sr. Roberto, a montar acampamento. Coloquei a rede na boca do canal e fui tarrafear, guiado pelo Sr. Roberto. Nas proximidades de uma dessas bombas peguei mais de 130 lambaris com apenas uma tarrafeada, um recorde até então. 

 

O acampamento era bastante agradável e limpo e ficava a apenas 8,6 km do Farol Capão da Marca, onde eu originalmente planejara acampar. As condicionantes relativas ao local onde o veleiro pode aportar limitam bastante as opções de parada. Tínhamos navegado apenas 37,6 km, totalizando 178,3 km de jornada. 

 

Fazenda Guarida ‒ Barra Falsa (09.03.2016) 

 

Nos últimos dias, aliados de Lula e integrantes do primeiro escalão voltaram a defender que o ex-presidente assuma uma cadeira na Esplanada dos Ministérios para ganhar novamente o foro privilegiado, que faria com que as investigações sobre o suposto envolvimento dele na Lava Jato fossem transferidas de Curitiba para Brasília.
(Gustavo Garcia ‒ do G1, em Brasília, DF, 09.03.2016)
 

 

Partimos depois das 08h00 e, às 09h30, aportei no Farol Capão da Marca (31°18’56,7”S / 51°09”49,4”O) para uma sessão de fotos. O Farol, inaugurado em 25.03.1881, que apresentava excelente estado de conservação quando aqui passei pela primeira vez, em 12.04.2011, tinha sido arrombado e sua porta metálica e equipamentos eletrônicos roubados, um retrato vivo do descaso e do vandalismo que grassa impune em uma sociedade moral e espiritualmente derruída. 

 

A outra parada, às 13h30, foi numa das falésias da Baía do Bojuru onde os criminosos ralis aceleram as erosões provocando a queda de árvores centenárias. Partimos, às 14h20, aproados diretamente para as ruínas do Farol do Bojuru (31°29’09,3”S / 51°27’38,4”O), a meio caminho surgiram, à bombordo, pesados “cumulonimbus” pressagiando mau tempo forçando-me a picar a voga. Tive de abandonar a idéia de fazer uma breve parada no Farol e rumamos direto para a Barra Falsa, passando incólumes pelas chuvas que assolavam todos os quadrantes. Passamos à cavaleiro da bela Ponta do Bojuru, sem dúvida a região mais bela de toda Costa Oriental da Laguna dos Patos, onde eu também abortei a ideia de fazer uma pequena parada. 

 

Chegamos, finalmente, à Barra Falsa (31°34’19,9”S / 51°25’15,3”O) acompanhados de uma chuva fina e mais uma vez conseguimos abrigo depois de contatar o Gerente da Fazenda São Pedro, Sr. Ranir Cézar Goulart Barcellos, e o seu Chefe do Escritório, Sr. Natanael Porto Santos, que já tinham sido alertados pelo proprietário Sr. Paulo Santana atendendo pedido do Coronel Pastl. Tínhamos navegado 57,6 km, totalizando 235,9 km de jornada. 

 

Barra Falsa (10 a 12.03.2016) 

 

Na quinta-feira (10.03.2016) os ventos de SE a 40 km/h e a garoa fina durante todo o dia forçaram-nos a permanecer acantonados na Fazenda. Aproveitamos para pescar e passear pelos arredores quando não estava chovendo. O simpático Sr. Erci Rodrigues de Lima permitiu que fizéssemos uso de sua geladeira onde pude acondicionar os peixes que havíamos pescado no canal da Fazenda Guarida. 

 

Na sexta-feira (11.03.2016), com a previsão de ventos de SO a 25 km/h e 26 mm de chuva, o Norberto achou melhor permanecermos na Fazenda. Decidi, então, visitar a Ponta do Bojuru, conhecida pelos “hablocs” (habitantes locais) como Ilha do Bojuru. A vegetação nativa e, em particular, as centenárias figueiras me encantam e eu não ia perder a oportunidade de revê-las. Desta feita, passeei longamente pelo local revendo velhas amigas, descobrindo novas paisagens e novos ângulos. 

 

Hoje a gente sabe que as águas que a Lagoa dos Patos lança ao oceano vêm de muito longe, desde os altos na divisa de Santa Catarina (Rio das Antas), desde a fronteira de São Gabriel (Rio Vacacaí), desde a fronteira de Bagé (Rio Camaquã), e isso sem falar no Rio Jaguarão, na Lagoa Mirim e no Canal de São Gonçalo, que também tem só um lugar de desaguar. Só o Rio Jacuí com seus 750 km de extensão, já é um negócio muito sério. E todo esse horror de água precisa sair ao Mar! Acontece, porém, que o desnível é mínimo desde a ponta de ltapuã ou desde a Lagoa Mirim – correspondendo à mesma planície rasa que se vê do Mar – e em grande parte das vezes é o Oceano que está entrando até metade da Lagoa. Massas de água salgada se atiram contra a boca larga e rasa da barra, revolvendo areias. Mas as águas da Lagoa voltam a atirar as areias contra o Mar. Com a mudança dos ventos aumenta a confusão. Se sopra o vento Sul numa hora de maré-cheia a Lagoa não consegue sair; e se, por acaso, vence, vibra que nem pororoca botando escarcéu no ar. (LESSA) 

 

As cheias que assolaram o Rio Grande do Sul, no segundo semestre de 2015, atingiram, no final do ano, impiedosamente os Mares de Dentro causando enormes transtornos e prejuízos à população ribeirinha, ao agronegócio e à pesca. Podemos afirmar que estes impactos foram maximizados em virtude da construção de estradas e eclusas que alteram significativamente a dinâmica das águas impedindo que estas sigam seu curso normal. Embora a margem Oriental sofra menos impacto das ondas nestes períodos de cheias em virtude da predominância dos ventos do quadrante Este (NE, ENE, Este, SE e SSE) observamos na Ponta do Bojuru pequenos danos provocado pelas intempéries na vegetação. Nesta visita à Ponta do Bojuru encontrei um grupo de Imbé acampado sob uma das figueiras e ao retornar ao nosso acantonamento enfrentei uma garoa fria. Naveguei 10,0 km, totalizando 245,9 km de jornada. 

 

No sábado (12.03.2016), a previsão de ventos de SE a 35 km/h resolvemos permanecer na Barra Falsa. 

 

Barra Falsa ‒ Ponta Rasa (13.03.2016) 

 

Alta Adesão Derruba Discurso Governista e do PT de Que País Está Dividido, Reforça Pedido de Impeachment e Pode Influenciar o TSE
Na maior manifestação da história do País, milhões de brasileiros foram às ruas neste domingo, 13, em pelo menos 239 cidades nas cinco regiões, pedir a saída da petista Dilma Rousseff, 68 anos, da Presidência da República. Os protestos também tiveram como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fundador e principal líder do PT, investigado pela Operação Lava Jato e pelo Ministério Público de São Paulo.
(O Estado de São Paulo, em São Paulo, SP, 13.03.2016)
 

 

Partimos da Barra Falsa para a Ponta dos Lençóis (Estreito), às 07h00 com ventos de SE de 05 a 15 km/h. Às 13h00 passamos pela Comunidade de Pescadores do Estreito (31°47’20,7”S / 51°45’19,0”O), infelizmente era domingo e o meu amigo Zé do Dedé não se encontrava. As cheias do ano passado impediram a entrada da água salgada na Laguna prejudicando substancialmente a safra de camarão, a consequência deste fato era visível em relação ao reduzido número de calões em comparação com os anos anteriores. 

 

Continuamos a viagem com destino ao Acampamento do Iraílson na face Norte da Ponta Rasa (31°51’47,5”S / 51°50’41,0”O) onde aportamos às 16h30, depois de navegar 56 km e nada do Iraílson. Noite tranquila sem vento, apenas o incômodo zumbido de um enxame de mosquitos do lado de fora da barraca. Naveguei 56,0 km, totalizando 301,9 km de jornada. 

 

Ponta Rasa ‒ Veleiros Saldanha da Gama (14.03.2016) 

 

A Justiça de São Paulo encaminhou para as mãos do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba (PR), a denúncia e o pedido de prisão preventiva feitos pelo Ministério Público de São Paulo contra o ex-presidente Lula. A Justiça paulista decidiu que o caso do tríplex no Guarujá (SP) já era alvo da Operação Lava Jato e
que os crimes investigados são de esfera federal.
(Felipe Frazão e Laryssa Borges ‒ da Revista Veja, em Brasília, DF, 14.03.2016)
 

 

Partimos, às 07h00, e chegamos ao extremo Oeste da Ponta Rasa (31°48’51,4”S / 52°02’51,4”O) às 09h45 depois de navegar 23km impulsionados por ventos de 15km/h. Aportamos na Ilha Saragoça (31°47’31,9”S / 52°05’55,1”O), às 11h00, na Boca do São Gonçalo (31°47’13,4”S / 52°13’23,0”O), às 13h00, e no Veleiros Saldanha da Gama (31°46’43,1”S / 52°18’53,9”O) às 15h00, depois de navegar 47,2 km. Ficamos alojados nas instalações da churrasqueira do Clube com direito a um bem vindo banho quente. 

 

Concluímos a primeira perna de nossa jornada - Porto Alegre - Pelotas. Foram até agora 349,1 km de um total de aproximadamente 1.300 km. Percorremos, portanto, apenas 26,85% do total. 

 

Fonte: LESSA, Luiz Carlos Barbosa. Rio Grande do Sul, Prazer em Conhecê-lo ‒ Brasil ‒ Porto Alegre, RS ‒ AGE ‒ Assessoria Gráfica e Editorial, 1984. 

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

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