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Artigos - 26/01/2016 - 06h00

Lagoa Mangueira




Fotos: Divulgação

Lagoa Mangueira



Concheiros - Toxodon platensis



Concheiros - Fóssil de gliptodonte



Concheiros - Lagoa Mangueira
Por Hiram Reis e Silva (*)

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 25 de janeiro de 2016. 

 

Lago Verde Azul

(Helmo de Freitas)

Ó verdadeiro tesouro

Lago verde-azul

Que na América Do Sul

Deus botou pra bebedouro.

https://www.youtube.com/watch?v=52ey-bVloMk 

 

Lagoa gaúcha, considerada reserva natural da biosfera, localizada a Sudeste do Rio Grande do Sul – no Município de Santa Vitória do Palmar, que se estende de Norte a Sul entre a Lagoa Mirim e o Oceano. Como a Mangueira não possui mananciais tributários é alimentada pela precipitação pluviométrica e as águas do lençol freático. Podemos observar uma sutil alteração no nível das águas em decorrência das marés no Oceano Atlântico. 

A comunicação superficial com o Oceano Atlântico, através da Lagoa Mirim, Canal São Gonçalo e Laguna dos Patos, era feita por um antigo canal ou sangradouro, conhecido erroneamente, nos tempos de antanho, pelo nome de Arroio Taim, hoje bloqueado pela BR-471, nas proximidades da Estação Ecológica do Taim (UC/ESEC-TAIM) onde existe um sistema de comportas e uma casa de bombas abandonadas. Antigamente os pescadores acessavam a Lagoa Mangueira através deste canal. A BR-471 e o sistema de comportas, construídos na década de 1970, interromperam este acesso e o transporte das embarcações passou a ser realizado por terra, na altura da Vila Anselmi, por uma estreita faixa de terra de aproximadamente 6 km. O canal foi sofrendo, ao longo dos tempos, profundas modificações e aos poucos foi sendo tomado por banhados, campos e matas palustres. 

A Mangueira faz parte do maior Complexo Lagunar do planeta (Patos/Mirim/Mangueira), têm aproximadamente 100 km de extensão, largura que varia de 2,5 a 10,4 km, profundidade máxima de 8 metros, área de até 820 km2 e um volume aproximado de 700 milhões de m3 de água doce. O processo de formação da Mangueira foi idêntico ao da Lagoa Mirim e Laguna dos Patos e, assim sendo, à medida que as águas do Oceano foram baixando, mais e mais sedimentos foram sendo depositados, formando uma estreita barreira de areia que foi progressivamente bloqueando os canais e criando a Lagoa Mangueira, uma das formações geológicas mais jovens do planeta Terra, com idade avaliada entre 4,5 a 5,0 mil anos. 

Spirulina 

As praias, barreiras e Lagoas litorâneas do extremo Sul do Rio Grande do Sul concentram fósseis em depósitos chamados “concheiros” que podem atingir até 2 m de espessura e se estendem por quilômetros de extensão. Em decorrência do leito repleto de conchas fósseis, a Lagoa possui um PH muito elevado (>9) e, graças a isso, abriga uma cianobactéria, invisível ao olho nu, chamada Spirulina, uma microalga azul esverdeada capaz de absorver grandes quantidades de poluentes da atmosfera e proporcionar inúmeros benefícios ao organismo humano. 

Concheiros: nos concheiros são encontrados ainda fósseis de táxons ainda não registrados no Arroio (Chuí), como aves, roedores e répteis, e também de organismos marinhos (crustáceos, cetáceos, pinípedes, peixes ósseos, tubarões, arraias e tartarugas). Além de fósseis, em pontos isolados do campo de dunas podem ser encontrados artefatos indicativos da ocupação temporária por paleoíndios da cultura Guarani; devido à migração das dunas os locais de interesse arqueológico são continuamente expostos e recobertos pela areia. O material arqueológico encontrado consiste de fragmentos de cerâmica e peças líticas, como boleadeiras e pontas de flechas; ocasionalmente encontram-se restos alimentares na forma de ossos. A ausência de matéria-prima lítica na Planície Costeira indica que esses índios vinham do interior do Estado; os tipos de rochas usados nas ferramentas sugerem que vinham do interior do Estado e do Planalto, ou que havia intercâmbio de materiais com grupos originários dessas áreas. (LOPES & UGRI & BUCHMANN). 

A microalga foi batizada com o nome de Spirulina em decorrência de seu formato helicoidal. A Spirulina utiliza o CO2 e a luz solar para gerar energia e há 3,6 bilhões de anos contribuiu significativamente para modificar a atmosfera da Terra transformando o CO2 em Oxigênio, permitindo que se desenvolvessem novas formas de vida. A Spirulina natural que serve de alimento para peixes e invertebrados deu origem à produção da Spirulina hoje disponível no mercado mundial empregada na alimentação humana e na produção de rações e corantes por ser fonte natural do corante azul graças a um pigmento produzido por ela denominado ficocianina. A Spirulina seca contém de 64 a 74% de proteína, é rica em aminoácidos e ácidos graxos essenciais, como ômega 3 e 6, pigmentos, vitamina, lipídios, além de minerais como cálcio, ferro, fósforo, magnésio, manganês, potássio e zinco. 

No Brasil a Lagoa Mangueira é o único sítio natural da spirulina que pode também ser encontrada em outros países tais como a Espanha – na Lagoa de Santa Olalla; México – no Lago de Texcoco; Camarões, Chade, Níger e Nigéria – no Lago Chade.

Complexo Eólico Campos Neutrais 

Até agora, a energia hidrelétrica é a mais barata, em termos do que ela dura com a manutenção e também pelo fato da água ser gratuita e da gente poder estocar. O vento podia ser isso também, mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento. Então, se a contribuição dos outros países, vamos supor que seja desenvolver uma tecnologia que seja capaz de na eólica estocar, ter uma forma de você estocar, porque o vento ele é diferente em horas do dia. Então, vamos supor que vente mais à noite, como eu faria para estocar isso?
(Dilma Rousseff)

https://www.youtube.com/watch?v=tKxofylRnVU 

 

Chama a atenção de quem navega na Lagoa Mangueira, pela margem Oriental da Lagoa Mirim ou percorre os Campos Neutrais a quantidade de aerogeradores instalados na região. O Complexo Eólico Campos Neutrais será, depois de concluído, o maior de toda a América Latina e terá futuramente um total de 302 aerogeradores assim distribuídos: 

–  Parque Geribatu: capacidade instalada: 258 MW – 129 aerogeradores, com a capacidade de atender 1,5 milhões de habitantes;

–  Parque Hermenegildo: capacidade instalada: 181 MW – 101 aerogeradores, com a capacidade de atender 1 milhão de habitantes;

–  Parque Chuí: capacidade instalada: 144 MW – 72 aerogeradores, com a capacidade de atender 800 mil habitantes. 

O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro que mais investe em energia eólica na atualidade. Os Parques Eólicos logicamente estão sendo implantados no Sul e Nordeste do país onde há maior incidência de ventos. É interessante ressaltar que, historicamente, a velocidade dos ventos é maior justamente quando a incidência de chuvas é menor deixando, consequentemente, os reservatórios das hidrelétricas com seus níveis mais baixos. Nessas ocasiões, mais do que em qualquer outra, é que podemos ressaltar a importância da eólica como fonte alternativa de energia. 

Relatos Pretéritos 

Joaquim Manuel de Macedo (1873) 

A Lagoa Mangueira estreita, mas comprida está entre a Mirim e o Oceano. (MACEDO, 1873) 

Relatos Hodiernos

Josué Guimarães (1972) 

Antes de partirem, o dia mal clareando, foram levados pelo índio para verem José Mariano fazendo com que dois cachorrinhos mamassem numa ovelha amarrada num palanque. Eles não entenderam, mas o índio sabia que era para que se tornassem amigos, acostumados uns com os outros, assim os cachorros, quando crescidos, cuidariam melhor dos rebanhos. Alimento para eles era só carne cozida. Isso faria com que eles não matassem os borregos e nem comessem os que fossem atacados pelos carranchos.

O velho ajudou Juanito a trocar as juntas cansadas por outras laçadas na hora. Catarina quis pagar, ele recusou. Boi sobrava, iam ser vizinhos. Quanto mais perto da fronteira, mais cruzavam com espanhóis de chiripá, pele queimada de sol, olhinhos espremidos de índio. Juanito apontava para um lado e dizia soletrando as palavras “Lagoa Mirim”. Apontava para o lado contrário e dizia “Lagoa Mangueira”. Então, dizia Daniel Abrahão para a mulher, o Mar não ficava bem ali. Mas o cheiro que o vento trazia era de Mar, se não ficava perto era coisa de pouco além. As carroças prosseguiam inventando estradas pelos campos; só Juanito sabia a direção. Quando tinha dúvidas galopava de um lado para outro, estacava, farejando o ar, voltava rápido e corrigia a direção das carroças. (GUIMARÃES) 

I. Boris Vinha (2013) 

Se sairmos da cidade de Rio Grande e descermos até o município de Chuí, lá no ponto mais Meridional do Brasil, nos extasiaremos com as belezas naturais pelo caminho, como a Lagoa Mangueira e a Lagoa Mirim; é lugar bonito pra ninguém botar defeito! Campos verdes a perder de vista, dos dois lados da estrada, resquícios de matas, bois em profusão, e plantações que douram o horizonte com os seus pendões de vida. Capivaras, jacarés e pássaros, em abundância, passam sem medo do homem predador, porque ali estão protegidos até por satélite. (VINHA) 

Newton Vilela Junior (2015) 

A MAIOR PRAIA DO MUNDO 

 

Sempre tive fascínio por experiências de contato com a natureza, onde eu pudesse testar um pouco os meus limites. Quando ouvi falar pela primeira vez na “maior praia do mundo”, fiquei fascinado só em pensar na possibilidade de um dia caminhar por sua vastidão. Por mais estranho que possa parecer, foi em um convite de uma empresa sediada no estado de Roraima, especializada em turismo de aventura e que faz a sua travessia através de caminhada de sete dias, que tomei conhecimento deste lugar incrível pela primeira vez (interessante é que Roraima fica no ponto Extremo ao Norte). 

Encantaram-me as paisagens incríveis captadas pelas lentes dos viajantes que participaram daquela última expedição. A praia começa no Balneário do Cassino-RS e estende-se até a Barra do Chuí, no Extremo Sul do Brasil, num total de 220 km. Por ser sua praia uma extensão de faixa contínua de areia, ganhou o título de maior do mundo. Sabe-se que ela não é a maior, pois extensões contínuas maiores são encontradas na Austrália, por exemplo. Esse título permanece talvez por ser ela um lugar fascinante, de natureza extremamente bela e por ser incrivelmente desabitada. Maior então no sentido de sua grandiosidade. Os dados que temos sobre essa extensão de praia são impressionantes. São vários naufrágios, sendo 110 visíveis, muitos deles datados da época dos Campos Neutrais. Possui em sua extensão quatro faróis e é considerada um dos lugares mais ermos do Brasil. (...) 

O local também é conhecido pela intensidade dos eventos proporcionados pela natureza, todos de grandes dimensões. As tempestades, as ressacas, as ondas e as calmarias, sem falar nas dunas. Tudo é intenso. Lá o vento mostra a sua força e é conselho dado aos viajantes que pretendem fazer o trajeto de que o façam com vento soprando de NE, pois com ele impulsionando em outras direções o esforço poderá ser inútil. Vários relatos de aventureiros que desistiram no meio do caminho indicam o vento contrário como o maior responsável pelo fracasso. A grandiosidade do local faz com que nossa visão alcance o ponto em que podemos perceber a curvatura da terra, são os ditos abismos horizontais. (JÚNIOR) 

Fontes: 

 

COLVERO, Ronaldo Bernardino. “Bajo su real protección”: as relações internacionais e a geopolítica portuguesa na região do Rio da Prata (1808-1812) – Brasil – Porto Alegre – Edipucrs, 2015. 

 

GUIMARÃES, Josué. A Ferro e Fogo I: Tempo de Solidão ‒ Brasil ‒ Rio de Janeiro ‒ Editora Sábia, 1972. 

 

JUNIOR, Newton Vilela. Horizontes de Areia: Um Pedal até Chuí Pela Maior Praia do Mundo – Brasil – São Paulo – Editora Cia do Ebook, 2015. 

 

LOPES & UGRI & BUCHMANN, Renato Pereira Lopes - André Ugri - Francisco Sekiguchi de Carvalho Buchmann. Dunas do Albardão, RS – Brasil – Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), 2008. 

 

MACEDO, Joaquim Manuel de. Noções de Corografia do Brasil ‒ Brasil ‒ Rio de Janeiro ‒ Tipografia Franco-americana, 1873. 

 

VINHA, I. Boris. Contristo Constato o Contraste... ‒ Brasil ‒ Editora I. Boris Vinha, 2013.

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Integrante do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

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