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Cultura - 21/08/2015 - 06h37

Oficina une tradição de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso









Por TANIA SOTHER / Redação Pantanal News

O sul-mato-grossense Sebastião Brandão e a mato-grossense Vilmara da Silva Martins ensinam viola-de-cocho e siriri, manifestações artísticas tradicionais dos dois estados vizinhos

Por Rodrigo Teixeira

Antes de iniciar a oficina de viola-de-cocho e siriri, na manhã de quinta (20), às 8h, os corredores do Iphan/MS (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) viraram uma festa. Animados com a oportunidade de passar em frente o conhecimento sobre duas manifestações artísticas tradicionais dos vizinhos Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Vilmara da Silva Martins e Sebastião Brandão eram pura animação. Ela é uma mato-grossense que tem grande conhecimento sobre o siriri. Ele um pantaneiro sul-mato-grossense com talento enorme para a fabricação da viola-de-cocho.

Emendei um bate rápido com a sorridente Vilmara. Chamava a atenção os brincos vermelhos e a flor amarela no cabelo. Ela explica que são feitos de coco e aproveito para fazer algumas perguntas:

Como surgiu a ideia de vocês fazerem esta oficina?

Sempre participei do festival de viola-de-cocho aqui em Corumbá. Eu vinha dançar e eles me chamaram. Sempre teve este intercâmbio, porque aqui tem forte esta cultura e no Mato Grosso também. Então a gente aprende um pouco daqui e ensina também. Uma troca de conhecimentos.

Como você analisa o momento que passa o siriri em termos de preservação desta expressão tradicional? É uma dança que está protegida, salva da extinção?

Não. Ainda não. A gente faz este trabalho de passar para os pequenos para que a gente tenha a garantia de ter a nossa identidade preservada. Porque está meio complicado. Falta de incentivo nas escolas, do poder público, das pessoas que fazem cultura terem esta consciência de ensinar o pequeno para quando não tiver condições de fazer, outras pessoas façam por mim. Se você não repassa, você morre com seu conhecimento.

Qual a realidade do siriri em Cuiabá atualmente?

Tem bastante grupo de siriri e quem faz este trabalho com os pequenos. Uma forma de continuidade.

Você participa de um grupo?

Sim. O São Gonçalo Beira Rio, que é a primeira comunidade ribeirinha de Cuiabá. Somos conhecidos como o berço da cultura mato-grossense. Lá tem ceramista, tem siriri, tem os pescadores e é bem preservado ainda.

Você nasceu lá?

Não. Eu nasci na Guia, outra região. Lá tinha um grupo antigo que dançava e eu era criança intrometida no meio dos adultos. Eu comecei a tomar gosto e aprendendo.

E qual a sua opinião sobre o festival?

Este é o segundo ano que venho. Importante para divulgar e valorizar o siriri e a viola-de-cocho. É um estímulo para continuar e não parar o trabalho. É importante esta ação do festival. Em Cuiabá não estamos tendo muito esta movimentação tipo este festival para incentivar.

O quer você vai ensinar na oficina?

A parte teórica, como surgiu, o figurino, os instrumentos e algumas músicas que os alunos vão apresentar no palco com o Sebastião.

O siriri surgiu em que época?

Não temos dado ou ano específico. O que temos historicamente é que o siriri tem influência da dança indígena e dos africanos. Tanto que ainda hoje nós, mulheres, dançamos de pés descalços, que representa a troca de energia da Terra, e os movimentos de roda dos índios e a batida do tamborim é parecida com os ritmos africanos. Mas surgiu aqui (Brasil).

Qual a diferença do siriri de Mato Grosso para o de Mato Grosso do Sul?

Basicamente o ritmo. O daqui (MS) é mais lento e mais suave. Em Cuiabá é mais batido, mais rápido. O tamborim lá é o coração do siriri e é muito mais forte. O batido é mais forte. Mas isso é característica de cada região.

E isso influencia também o jeito de dançar.

Também. O passo, a forma, o compasso da dança. Lá dança mais, muito mais!

Após o papo com Vilmara, ercebo que seu Sebastião chegou e que uma roda de pessoas forma-se ao seu lado. Simpático e comunicativo, o fazedor de viola-de-cocho passa para o músico Márcio De Camillo os acordes básicos do instrumento. “Não dá vontade de parar de tocar. Muito boa esta viola-de-cocho”, elogia para seu Sebastião. O secretário de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação Athayde Nery e a secretária adjunta Andréa Freire, coordenadores do FASP, também escutam as histórias de seu Sebastião. “Toco há muito tempo. Fui entrar mesmo para o cururu estava com 18 anos. Mas conheci a viola-de-cocho com meu pai, que era cururueiro. Me criei no Castelo, em Corumbá…”

Logo, Athayde Nery – nascido de uma família genuinamente pantaneira –, e seu Sebastião lembram várias pessoas e lugares que conhecem em comum. “Meu pai está com 84 anos e só foi conhecer a cidade com 13 anos de idade, depois de andar três dias de barco…” Sebastião ressalta que a tradição da viola-de-cocho e do cururu e siriri tanto em MT quanto em MS é a prova de que os dois lugares tem uma forte ligação. Também afirma que em Corumbá tem muitos fazedores de viola-de-cocho, mas são poucos os que querem passar o conhecimento para frente. Sebastião leva aproximadamente oito dias para fazer uma viola-de-cocho e o custo em média é de R$ 300.

A conversa é interrompida para que a oficina comece e todos se dirigem para o auditório do Iphan. A secretária adjunta Andréa Freire ressaltou a insistência do gerente de patrimônio histórico e cultural da FCMS, Caciano Lima, para que a oficina fosse realizada nesta edição do evento. “Quero agradecer ao Caciano, que insistiu muito para que a oficina acontecesse no festival. Realmente é uma oficina fundamental para nosso evento”, garantiu Andréa.

Oficina contribui com patrimônio imaterial brasileiro

Por Gisele Colombo

A oficina realizada no Iphan-MS, até sábado (22), é uma maneira de transmitir a tradição artesanal, musical, poética e coreográfica da viola-de-cocho e da dança do siriri, expressões culturais registradas no livro dos saberes do patrimônio imaterial nacional. O curso é ministrado por Sebastião Brandão (MS) e Vilmara da Silva Martins (MT).

Um dos temas da oficina é o plano de manejo das espécies vegetais utilizadas na confecção da viola-de-cocho. Uma delas é a Aximbuva, espécie bastante recorrente na região e que não pode ser derrubada sem autorização. Sebastião vai ensinar como escolher a árvore correta para o talho, o jeito de tocar o instrumento até os passos básicos do siriri. A transmissão dos saberes por meio da oficina é uma iniciativa da superintendência do Iphan/MS e outras entidades, instituições e representações de cururueiros e dos artesãos de viola-de-cocho.

Mais informações no escritório do Iphan/MS. O endereço é rua Manoel Cavassa, 120, Porto Geral, Corumbá (MS). Telefone: (67) 3232-2701. E-mail: iphan-ms@gov.com.br

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