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Educação - 03/08/2015 - 06h22

Nas mãos de detentos da Máxima, restos de madeira viram brinquedos pedagógicos para escolas públicas




Fotos: Divulgação










Por Keila Terezinha Rodrigues de Oliveira do Notícias MS/ Redação Pantanal News

Campo Grande (MS) – Sobras de madeira que iriam para o lixo se transformam em jogos, carrinhos e demais brinquedos que ajudam a reforçar o ensino em escolas públicas de Campo Grande. Assim é um projeto realizado no Estabelecimento Penal “Jair Ferreira de Carvalho”, o Segurança Máxima da Capital, no qual internos ocupam parte do seu tempo para a confecção dessas peças, ajudando a incentivar o estudo nas séries iniciais e a despertar a atenção e os sentidos das crianças.

Desenvolvido pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meio da direção do presídio e equipe de servidores, o projeto “Educação Lúdica com Brinquedos Pedagógicos” foi idealizado pelo agente penitenciário Vinícius Saraiva de Oliveira e acontece há cerca de três meses na Máxima.

O agente penitenciário assegura que a iniciativa tem sido muito gratificante para os custodiados e para os servidores do presídio. “Quando vamos até a escola entregar os brinquedos e vemos a alegria dos alunos é muito bom, contamos essa experiência aos internos e percebemos que eles também ficam felizes por estarem ajudando”, conta.

Seis reeducandos trabalham na produção e recebem remição de um dia na pena para cada três trabalhados, direito conseguido também graças à confecção de artesanatos em geral. Diego Augusto da Silva dos Santos, 23 anos, é um deles e garante que esse é um “trabalho interessante”. “Faz eu recordar da minha família, tenho um filho e, sabendo que as crianças estão felizes, me sinto contente também, penso que poderia ser ele a receber esses brinquedos. Quero estudar aqui para quando sair em liberdade poder fazer algo diferente e mudar de vida, sem contar que essas atividades me ajudam a remir pena”, afirma.

De acordo com o servidor penitenciário que coordena o projeto, Edson Sobrinho, cerca de 70 peças já foram entregues. Sobrinho destaca que a produção ainda é limitada por falta de recursos materiais. “Temos a madeira, mas precisamos também de cola e tinta, principalmente, e todos os custos são por conta aqui do presídio, precisamos de parceria para ampliarmos as ações”, pontua.

Ele explica que, para receber os brinquedos, é preciso que a escola apresente um projeto justificando a necessidade e a quantidade que carece. “Nosso foco são as escolas da periferia, àquelas que mais precisam realmente”, informa o coordenador.

A Escola Municipal Prof.ª Leire Pimentel de Carvalho Correa, no Jardim Colibri, foi recentemente beneficiada com o projeto. Conforme a diretora, Rossicler Souza Neves Magalhães, os brinquedos estão sendo destinados a atender, aproximadamente, 260 crianças da pré-escola e dos primeiros anos, na faixa etária de 3 a 6 anos.

Para a diretora, as brincadeiras fazem a imaginação dos pequenos fluir, estimulando a criatividade. “Elas se envolvem muito e isso colabora também para a melhoria no comportamento e no aprendizado de forma geral, já que estão numa fase em que precisam se socializar, interagir como grupo, apreender o respeito, saber esperar a sua vez e, através de brincadeiras, adquirem essas regras”, garante Rossicler. “Estamos muito gratos aos servidores e à administração do presídio por essa parceria”.

Se para os alunos brincar é sinônimo de alegrias e de melhoria no comportamento, proporcionar isso a eles é um estímulo a não-reincidência criminal. “As crianças estão contentes, e eu estou mostrando meu trabalho, além de essa ser mais uma profissão que eu adquiri e, com certeza, me ajudará quando eu estiver em liberdade”, assegura o interno Ezequiel Gamara de Paula, 28 anos, que também atua na oficina de artesanato da penitenciária.

De acordo com o diretor do estabelecimento penal, João Bosco Correia, o trabalho dentro do presídio também influencia diretamente na melhoria da disciplina dos internos. “Se ocupam positivamente, aprendem uma nova profissão e isso faz com que diminuam as tensões comuns ao ambiente prisional”, comenta, informando que na unidade os reclusos realizam diversos outros tipos de trabalho, como panificação, cozinha industrial, costura, marcenaria, serralheria e reciclagem.

Muitas Ações

O diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia, destaca que, a exemplo da ação realizada na Máxima da Capital, são muitas as iniciativas desenvolvidas em presídios de Mato Grosso do Sul que impactam diretamente no bem-estar da população.

Conforme o dirigente, em unidades prisionais de vários municípios são cultivadas de hortaliças que são destinadas à população carente e a instituições. “Também temos no presídio de Cassilândia a produção de pães para creches e escolas; em Corumbá, os internos realizam a montagem de cadeiras de rodas para serem distribuídas gratuitamente a que precisa; sem falar na utilização de mão de obra de internos em reformas de prédios públicos e de entidades sociais”, diz.

Um importante exemplo nesse sentido, ressalta Stropa, é o projeto “Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade”, no qual os detentos do regime semiaberto da Capital trabalham na reforma de escolas estaduais.  O recurso utilizado para a compra dos materiais também vem dos reeducandos, provenientes do desconto de 10% do salário pago aos internos de Campo Grande que trabalham remunerados por meio de convênios. O dinheiro é depositado em uma conta do poder Judiciário, que destina a verba para esse tipo de obra, além de melhorias estruturais nos próprios presídios e na realização de cursos profissionalizantes.

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