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Artigos - 21/07/2015 - 06h04

Amazona​s II - Santarém/Porto de Santana VI

Conhecendo Macapá, AP (I Parte)















Por Hiram Reis e Silva (*)

Ficamos hospedados no Hotel Tupinambá, seguindo a orientação de um oficial da PM do Amapá ex-instrutor do nosso caro amigo e Ir:. Sargento PM Edilson Antônio Bezerra do Nascimento de Monte Alegre, PA. 

17.03.2015 (terça-feira) – Macapá, PA 

Depois do café no hotel fomos a pé até a orla conhecer alguns dos principais sítios históricos e pontos turísticos da capital amapaense. 

Macapá 

Macapá é um vocábulo de origem tupi – macapaba, que na língua nativa significa lugar onde abundam as bacabas (Oenocarpus bacaba). Macapá é conhecida como a “Capital do Meio do Mundo”. 

Complexo Beira Rio 

O complexo Beira Rio é formado pela Fortaleza de São José de Macapá, pelo Trapiche Eliezer Levy, pela Pedra do Guindaste, pela Casa do Artesão e pelas Praças Isaac Zagury e do Côco. O complexo concentra, nos fins de semana, a vida social de Macapá que se concentra na Rua Beira Rio, às margens do Rio Amazonas onde se encontram quiosques de restaurantes, bares e sorveterias. 

Fortaleza São José De Macapá 

Iniciamos nossa visitação à Fortaleza pela área externa e depois pelo interior da formidável Praça que é um fantástico exemplo de como as estratégias de ocupação e defesa eram levadas a efeito pelas autoridades portuguesas para a conquista e manutenção definitiva da Amazônia. Engarupei-me na anca da história e afastando as empoeiradas cortinas das eras vislumbrei aqueles obstinados homens que levaram quase duas décadas para erguer esta obra monumental. Acompanhei o seu esforço titânico de extrair e lavrar as pedras, desde Rio Pedreira, e transportá-las por 32 km até o sítio da Fortaleza. 

A maioria das Fortificações do Amapá caracterizavam-se pela simplicidade e fragilidade que o tempo se encarregou de sepultar. Somente as construções mais sólidas permanecem como marcos atemporais da determinação e competência lusitana. A mais significativa delas, sem sombra de dúvidas, é a Fortaleza de São José de Macapá, considerada como a mais importante e grandiosa fortificação histórica de toda América do Sul. 

O projeto inicial da Fortaleza foi idealizado, nos idos de 1740, pelo engenheiro português Manuel Luiz Alves fazendo parte de um grande complexo defensivo. Em 1764, porém, um novo projeto de restauração e ampliação foi entregue ao Engenheiro italiano Antônio Enrico Galluzzi (conhecido na literatura luso-brasileira por Henrique Antônio Gallucio). O pesquisador Flávio dos Santos Gomes faz interessantes observações à respeito do sistema defensivo empregado na sua construção: 

O projeto que realmente levaria à construção que hoje existe foi traçado pelo Capitão de Engenheiros Henrique Antônio Gallucio, que tinha vindo para o País com a comissão demarcadora de limites (1753), enviada para cá em função do Tratado de Madri de 1750. Este engenheiro italiano propôs uma Fortificação que já teria as características básicas do que seria a Fortaleza: uma posição “abaluartada” de quatro faces. Mas este desenho ainda não seria o final... 

[...] a documentação histórica aponta que o Forte de Macapá seguiria os preceitos de Vauban, o que se verifica apenas até certo ponto. Na verdade, ela é uma fortificação do que é conhecido como “traçado italiano”, introduzido no século XVI, o qual se caracteriza pelo uso de baluartes pentagonais nos cantos das cortinas (muralhas), para garantir o fogo de flanqueamento às mesmas. Vauban, engenheiro francês do século XVII, introduziu algumas modificações ao sistema, no que tange a proporções e complementos, como o paiol de pólvora anteriormente citado, mas cremos ser mais correto dizer que a fortificação de Macapá é “abaluartada” e não do sistema do engenheiro francês. (GOMES) 

A fortificação “abaluartada”, também conhecida como “traçado italiano” ou ainda “fortificação em estrela” foi um sistema desenvolvido na Itália (final do século XV) para se contrapor ao aperfeiçoamento da artilharia cujos canhões já eram capazes de destruir as muralhas dos antigos castelos medievais. 

Galluzzi, portanto, aplicou na construção os princípios básicos da engenharia militar italiana do século XVI embora se note alguma influência do modelo francês de Sébastien Le Preste (Marquês de Vauban) e do português de Manoel de Azevedo Fortes. A obra encomendada por Fernando da Costa Ataide Teíve, Governador do Pará e Maranhão, em 1763, teve o lançamento da pedra fundamental, em 29.06.1764, no ângulo do baluarte de São Pedro, e inaugurada em 19.03.1782, dia de invocação de São José, em homenagem ao Rei Dom José I. 

O impaludismo endêmico da região pantanosa vizinha à Fortaleza vitimou Galluzzi que faleceu no dia 27.10.1769, conforme atesta-nos o Cirurgião-mor Julião Alves da Costa, assumindo, temporariamente, a direção dos trabalhos o Capitão de engenheiros português Henrique João Wilkens, que acompanhava os trabalhos de construção desde o início da obra. Wilkens coordenou os trabalhos até a vinda do Sargento-mor de engenheiros Gaspar João Geraldo de Gronfeld, nomeado pelo Governador Fernando da Costa Ataide Teíve. 

Cabe aqui uma referência interessante ao Capitão Henrique João Wilkens. Wilkens foi o autor, em 1785, do poema “Muhuraida” ou “Triunfo da fé na bem fundada Esperança da inteira Conversão, e reconciliação da Grande, e feroz Nação do Gentio Muhúra” escrito no quartel da Vila de Ega (hoje Tefé, AM). “Muhuraida” é considerado o primeiro poema épico português, composto em oitava rima, retratando um tema amazônico. 

Muhuraida

II, 3

(Henrique João Wilkens)

 

Na densa treva, assim, da adversidade,

Do terror, do receio e da incerteza,

Vivia absorto o povo da cidade,

Das vilas, do sertão, em que a fereza

Dos bárbaros Muras, sem piedade,

Amontoando estragos, sem defesa

Achava o vigilante e o descuidado,

De todos sendo igual a sorte, o fado.

 

Os quatro baluartes da Fortaleza foram batizados, pelo Governador Fernando da Costa de Ataíde Teive, com os nomes de: Madre de Deus, São Pedro, Nossa Senhora da Conceição e São José. No interior da Fortaleza encontram-se os antigos armazéns, capela, casa de oficiais, casa do comandante, casamatas, paiol e hospital e na parte externa da mesma o revelim, redente, fosso seco e baterias baixas. 

Pedra do Guindaste 

No século passado, a Pedra do Guindaste teria servido de alvo para exercícios de tiro. 

A Pedra do Guindaste fica em frente da Fortaleza de São José e ao lado do trapiche Eliezer Levy. A Pedra servia, antigamente, de porto para pequenas embarcações, mas, a pedra, foi derrubada, na década de 1940, quando um navio colidiu com a mesma. No local do sinistro foi erigido um bloco de concreto armado sobre o qual foi colocada a imagem de São José criada pelo escultor português Antônio Ferreira da Costa. 

Reza a lenda que sob essa pedra vive uma Cobra Grande que bebe a água do Rio-Mar impedindo que suas águas inundem a cidade o que fatalmente acontecerá se a cobra abandonar sua morada. 

Trapiche Eliezer Levy 

O Museu Joaquim Caetano da Silva.03.2015 estava fechado mas nos informaram que deveríamos voltar às 09h00 do dia seguinte. Fomos então até o Trapiche Eliezer Levy. 

A construção do trapiche, na década de 40, foi executada pelo Prefeito Moisés Eliezer Levy cumprindo determinação do interventor do estado do Pará, o Tenente-Coronel Magalhães Barata. O Trapiche originalmente  tinha 472 m de comprimento e foi usado, durante muito tempo, pelas embarcações que anteriormente aportavam na Pedra do Guindaste. O trapiche sofreu diversas reformas, até que, finalmente, sua estrutura foi reconstruída com concreto armado. Com 472 metros de comprimento possuia um bonde elétrico usado para transportar os turistas até a estação de desembarque de passageiros onde existe um restaurante e uma pequena praça de onde se tem uma visão privilegiada de toda orla e da Fortaleza de São José de Macapá. Hoje se encontra em total estado de abandono. 

Centro de Pesquisas Museológicas Museu Sacaca 

O Centro de Pesquisas Museológicas Museu Sacaca é subordinado ao Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), responsável por fomentar e divulgar a produção científica e tecnológica amapaense. O Centro, inaugurado em 1997, está instalado numa área de 12 mil metros quadrados, no bairro do Trem, e tem por objetivo: 

promover ações museológicas de pesquisa, preservação e comunicação, abrangendo o saber científico e o saber popular dos povos amazônicos, além de divulgar as pesquisas realizadas pelo IEPA, por meio de exposições e atividades didáticas. Tem como destaque maior o circuito expositivo a céu aberto, construído com a participação das comunidades indígenas, ribeirinhas, extrativistas e produtoras de farinha do estado. [...] 

Em 1999, o museu foi rebatizado como “Museu Sacaca de Desenvolvimento Sustentável”, em homenagem a Raimundo dos Santos Souza (1926-1999), o “Sacaca”, curandeiro local de grande importância para a difusão da medicina natural junto à população amapaense. Em 2002, após a criação de um novo estatuto, o museu foi reinaugurado com o nome atual: “Centro de Pesquisas Museológicas Museu Sacaca”. (www.agenciaamapa.com.br) 

As instalações estão muito bem conservadas e retrata os principais ambientes e formas de organização social da região. O Sacaca conta com pessoal técnico qualificado para orientar os visitantes. 

Sacaca em tupi significa “sabedor da floresta”. A sacaca (Croton cajucara) é uma planta de uso medicinal da família das Euphorbiaceae usada pelos amazônidas para curar males do fígado, intestino, diminuir o colesterol e combater a diabetes. (Hiram Reis) 

Fontes:

 

GOMES, Flávio dos Santos (Org.). Nas Terras do Cabo Norte: Fronteiras, Colonização e Escravidão na Guiana Brasileira, séculos XVIII-XIX – Brasil – Belém – Editora Universitária, 1999. 

 

WILKENS, Henrique João. Muhuraida ou, o Triunfo da fé – Brasil – Manaus –– Governo do Estado do Amazonas, Biblioteca Nacional – UFAM, 1993.

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

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