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Artigos - 20/07/2015 - 07h14

Descida do Rio Roosevelt VI

AC08 – Fazenda Buritizal















Por Hiram Reis e Silva (*)

31.10.2014 (sexta-feira) – AC08 (KM 375 – Ilha) – AC09 (KM 403 – Cachoeira das Três Piranhas) 

A jornada foi tranquila e fizemos uma parada mais longa por volta das 12h00 em um ponto do Mapa 094 onde eu assinalara como sendo um “Areal” (09°50’18,5”S / 60°40’40,7”O) e que na verdade eram rochedos. A baixa qualidade das fotos aéreas do Google Earth não permitia, por vezes, observar os detalhes corretamente. 

Continuamos nossa jornada e pouco mais de uma hora depois, a uns oito quilômetros do “Areal”, comecei a ouvir um rugido conhecido de águas revoltas. Avisei meus parceiros que iria à frente fazer um reconhecimento e piquei a voga. A série de cachoeiras (Três Piranhas – 09°47’49”S / 60°40’24”O) era formada por um pequeno arquipélago e o Rio fluía por três canais permeados de rochedos formando cinco degraus distintos e distantes de uns 50 a 100 metros uns dos outros. Verifiquei que a melhor opção era contornarmos pela margem direita. O primeiro foi facilmente transposto a remo, no segundo embora a queda não chegasse a um metro de altura optamos por conduzir as embarcações à sirga tendo em vista que as rochas poderiam danificar os cascos das mesmas. O terceiro foi transposto sem problemas pelos caiaques e ficamos observando e torcendo para que os “camaradas” o ultrapassassem, com sucesso, com sua pesada canoa. Os “camaradas” já dominavam com muita segurança a técnica de navegação da instável e pesada canoa e venceram esta etapa sem qualquer contratempo. O quarto degrau, semelhante ao primeiro, foi transposto sem qualquer dificuldade. Descuidei-me, por alguns segundos, e quase fui tragado pelo quinto e mais desafiador obstáculo de quase dois metros de altura que naquele local era formado por um intrincado labirinto de pedras aguçadas. Fiz um reconhecimento mais adiante e descobri, colado na margem direita, um local que me pareceu mais adequado a realizar a passagem à sirga de todas as embarcações. Foi com dificuldade que o vencemos depois de muito esforço e sofrer alguns arranhões e hematomas.

Embora tivéssemos percorrido apenas 28km, resolvemos acampar à jusante da Cachoeira, estávamos muito cansados depois de transpor à sirga a Cachoeira das Três Piranhas. O local era aprazível, sem barrancos, relativamente limpo, lenha à vontade e o mais importante, graças ao Angonese, saboreamos três piranhas assadas que nomearam a Cachoeira. 

01.11.2014 (sábado) – AC09 (KM 403 – Cachoeira das Três Piranhas) – AC10 (KM 440 – Cachoeira) 

O dia transcorreu célere e de águas calmas. Lá pelas 10h00 avistamos uma anta que saboreava, despreocupada, um barreiro (terreno salitroso onde os animais se nutrem de sal) numa barranca à margem direita do Rio. O dócil animal permitiu que eu me aproximasse para fotografá-la, o tapir aguardou, pacientemente, a chegada de todo o grupo e, depois de algum tempo, retirou-se sem pressa barranco acima. 

Cheguei à Fazenda Buriti que eu referenciara no mapa. Lá encontrei dois homens que, segundo eles, tinham sido contratados para desmontar algumas benfeitorias da mesma. Eles informaram que a fazenda era de propriedade de um grupo alemão que queria deixar a floresta intacta, removendo inclusive as benfeitorias da sede da fazenda, com o objetivo de negociar créditos de carbono. Consegui algumas frutas com eles, aguardei meus parceiros chegarem e como tínhamos parado a pouco continuei logo a navegação enquanto meus parceiros resolveram, não sei por que, fotografar a fazenda. Ato temerário considerando o lugar ermo e a possibilidade daqueles homens estarem cometendo algum ato ilícito. 

A Foz do Rio Branco (KM 427 – 09°38’15,9”S / 60°38’51,9”O) ficava a apenas 1.200 metros da última parada, aguardei meus amigos e como não aparecessem continuei remando até uma pequena Ilha (KM 430 – 09°37’07,2”S / 60°39’44,3”O) à frente do Porto de uma grande fazenda. Permaneci na Ilha que estava tomada por quero-queros (Vanellus chilensis) por mais de meia hora e, estranhando a demora do grupo, remei Rio acima para ver o que se passava. Depois de remar uns 500 metros avistei os três. É preciso em qualquer missão manter o foco e não consumir tempo ou energia em eventos que não sejam estritamente condizentes com os objetivos propostos, começo a achar que minhas metas e as de meus parceiros americanos são bastante diversas. 

Sugeri que acampássemos por ali já que a apenas uns dez quilômetros teríamos de enfrentar uma nova Cachoeira e que seria preferível fazê-lo descansados e não no final de uma jornada. Fui com os “camaradas” fazer contato com o gerente da fazenda que nos presenteou com algumas frutas e água fresca, para minha surpresa, ao voltar, meus parceiros resolveram continuar a descida. 

Cheguei à Cachoeira (KM 440 – 09°33’37,5”S / 60°36’12,1”O) por volta das 17h00 e fui, imediatamente, analisar os locais de passagem. Estava reconhecendo a margem esquerda quando os “camaradas” chegaram e pedi ao Angonese que verificasse a existência de alguma trilha naquela margem. Naveguei até o meio do Rio tentando visualizar alguma outra passagem já que a trilha na margem esquerda era inviável. Escolhi minha rota e chamei os parceiros para observarem minha passagem. Executei a passagem com o caiaque sem dificuldade mas consideramos que seria temerário tentar fazer o mesmo com a pesada canoa. Achei uma passagem à sirga a cavaleiro da margem direita e auxiliado pelos “camaradas” realizamos a difícil e dorida transposição. Solicitei autorização do Dr. Marc para transpor seu caiaque, não consegui regular o pedal do leme que tinha sido apertado com alguma ferramenta e, além disso, o remo era muito diferente do meu. O resultado é que senti dificuldade em manobrá-lo na veloz torrente e bati o casco em uma das pedras, a mesma que eu conseguira desviar, sem problemas, pilotando meu caiaque, felizmente a embarcação não sofreu nenhum dano e poupamos assim de ter de conduzir o caiaque à sirga ferindo-nos como acontecera na descida da canoa. 

Tínhamos navegado 34km e transposto uma Cachoeira média. O local de acampamento à jusante da corredeira era aprazível e o fragor das águas embalou nossos sonhos. 

02.11.2014 (domingo) – AC10 (KM 440 – Cachoeira) – AC11 (KM 477 – Fazenda Buritizal) 

A navegação foi quase toda por rápidos, as rochas emergiam das águas e pareciam observar curiosas nossa progressão. Depois de navegar uns 10 km chegamos à outra Cachoeira (KM 450 – 09°29’38,6”S / 60°35’21,8”O), perguntei a alguns pescadores que estavam na margem esquerda se ela tinha alguma passagem e eles me informaram que os práticos cruzavam pelo lado direito sem grandes problemas – se eles passavam nos também o faríamos. Enquanto eu realizava o reconhecimento meus parceiros ficaram conversando com os pescadores. Verifiquei as duas opções possíveis, chamei meus companheiros, e lhes indiquei a mais viável. Passei primeiro mostrando que devíamos passar bem à direita e não seguir a torrente principal pois esta jogaria a embarcação sobre uma grande pedra. Desci sem mesmo colocar a saia, atirei o corpo para trás para o caiaque não mergulhar a proa, tangenciei a margem direita exatamente como pretendia e o leme deu um leve toque em uma pequena rocha, como eu previra, deixando a perigosa pedra bem à minha esquerda. Os camaradas e o Dr. Marc passaram igualmente com tranquilidade. O Dr. Marc que no primeiro dia naufragara por duas vezes enroscando-se nas galhadas meio submersas agora saia-se airosamente passando nas quedas como um legítimo veterano. Como só teríamos pela frente alguns rápidos informei aos companheiros que iria à frente para contatar o Jair Schiavi , Gerente da Fazenda Buritizal, para que ele nos auxiliasse na travessia da Cachoeira do Chuvisco, caso contrário, teríamos de realizar uma “portagem” de mais de 1.000m. O Jair Schiavi tinha sido indicado pelo Lourival, gerente da Fazenda Perautas. 

Seguindo a orientação do Lourival desembarquei, na margem direita, próximo à segunda casa e segui a trilha que me conduziria rumo Norte até encontrar uma estrada. Estava quase chegando quando ouvi vozes de dois homens que ali estavam colhendo mangas. Eram amigos do Jair Schiavi e as frutas eram para os porcos dele, eles me levaram de barco até a margem oposta e me apresentaram ao Jair Schiavi. Muito falante e prestativo o Gerente da Buritizal disse que eu chegara em boa hora pois no dia seguinte ele sairia cedo para resolver alguns problemas particulares. Perguntei se ele tinha condições de nos abrigar e alimentar informando que estávamos prontos a pagar-lhe pelos serviços. Ele apenas sorriu, chamou a esposa que aquiesceu em preparar-nos o jantar. Embarquei na lancha e ele pilotou habilmente pelas estreitas passagens da Cachoeira Chuvisco. Quando chegamos ao local, aonde eu deixara o meu caiaque, meus companheiros tinham acabado de desembarcar. Carregamos na lancha do Jair Schiavi a carga da canoa e partimos céleres atrás dele, nosso anfitrião pilotava com rara habilidade. Ele foi um guia extraordinário mostrando os locais exatos por onde deveríamos passar e nos aguardando quando nos atrasávamos um pouco. 

Aportamos, depois de navegar por 37 km, e levamos a bagagem estritamente necessária para dormirmos já que o Jair nos disponibilizou uma casa para o pernoite. Tomamos um bom banho com água translúcida e fomos jantar na casa do Gerente da Buritizal. Sua esposa Edna Maria de Lima Schiavi tinha preparado um verdadeiro banquete, eles nos contaram que tinham abrigado, também, os canoístas americanos Paul Schurke e Dave Freeman, além de cinco canoístas brasileiros, que realizaram uma descida de 438km pelo Rio Roosevelt em homenagem à Expedição original. Schurke e Freeman também interromperam, como nós, sua jornada na Ponte Tenente Marques mas reiniciaram, segundo o Dr. Marc, a descida na Foz do Rio Branco (KM 427), bem abaixo do KM 280 de onde partimos para executar a 2ª Fase até o Aripuanã.

O Jeffrey aproveitou para usar a internet e enviar algumas notícias. Tive de chamar a atenção dele de que já eram 23h00 e que devíamos deixar os donos da casa descansar. A dona da casa e o filho Jackson Schiavi já tinham dado visíveis sinais do adiantado da hora retirando-se da mesa e nosso anfitrião fazia força para manter os olhos abertos. Meu amigo não tinha se dado conta de que o relógio dele ainda estava com o fuso horário de Rondônia (22h00) e que não devíamos abusar das gentilezas de nossos anfitriões. No Rio Grande do Sul, permanecer na casa de alguém após as 23h00 é considerado uma indelicadeza imperdoável, não sei se nos EUA é diferente.

Na hora da partida fui com o Jackson Schiavi colher algumas laranjas e mangas. Enchemos um dos sacos com laranjas sempre tomando cuidado para que os porcos que ficavam à espreita não as roubassem. Depois fomos pegar algumas mangas, sempre seguidos pelos esfaimados suínos, descuidei-me, por um instante, e uma das porcas abocanhou um dos sacos e saiu arrastando-o espalhando as laranjas campo afora. Corremos atrás dela tentando recuperar o fruto do seu furto quando, de repente, o animal pisou na borda do saco e deu uma incrível pirueta mortal estabacando-se espetacularmente. A porca, contrariada, e amuada afastou-se grunhindo e nós conseguimos reaver a maioria das laranjas furtadas. O Angonese comentou que no Sul do país esta não era época de colher laranjas. 

(*) Hiram Reis e Silva é Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);

Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

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