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Saúde - 20/05/2015 - 06h03

Audiência subsidia ações para melhorar atendimento a quem tem Down




Fotos: Wagner Guimarães/ALMS

Composição da mesa de autoridades, da esquerda para a direita: Adriana Aparecida Burato Buydendorp, chefe da Divisão de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande (Semed); Sandra Sonda Vieira, gerente da Rede de Atenção à Pessoa Deficiente da Secretaria Estadual de Saúde (SES); deputado estadual Barbosinha; Fábio Rogério Rombi da Silva, coordenador do Núcleo de Ações Institucionais e Estratégicas (NAE) da Defensoria Pública; presidente da Assembleia Legislativa, Junior Mochi; deputado estadual Pedro Kemp; Ronaldo Rodrigues Moisés, coordenador de Políticas de Educação Especial da Secretaria Estadual de Educação; Virgílio Gonçalves, superintendente da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau); e Malu Fernandes, fundadora da Sociedade Educacional Juliano Varela.



Audiência pública foi realizada no plenário Deputado Júlio Maia.
Por Assessoria / Redação Pantanal News

Autoridades, representantes dos Poderes e de entidades assistenciais, familiares e jovens com Síndrome de Down se reuniram na Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (19) para debater o Atendimento nas Redes Públicas Estadual e Municipal, de Saúde e de Educação, às Pessoas com a síndrome. O evento foi proposto pelo presidente da Casa de Leis, Junior Mochi (PMDB), em conjunto com a Defensoria Pública do Estado. "O maior desafio é a inclusão social e, portanto, temos que reunir as pessoas que atuam na área, debater e apontar caminhos, soluções", disse Mochi. 

Segundo o parlamentar, que durante quatro anos foi presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) em Coxim, as entidades suprem a lacuna do Poder Público no atendimento às famílias e a quem tem a Síndrome de Down. "É um trabalho belíssimo que vem sendo feito e que também representa para os pais a oportunidade de inserir seus filhos com Down no contexto social", analisou o presidente da Casa de Leis.

Os deputados estaduais Pedro Kemp (PT), que preside a Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa, e Barbosinha (PSB), vice-presidente do grupo de trabalho, também enfatizaram a importância das entidades e do intercâmbio entre escola, autoridades e as famílias. "Avançamos na legislação, mas como efetivar essas conquistas e fazer com que cheguem ao chão da escola e aos postos de saúde? É preciso que os direitos adquiridos se traduzam em ações; é muito importante o diálogo entre escola, pais e a família", disse Kemp. "O imenso vazio do Poder Público vem sendo preenchido pelas ONGs, até porque hoje acabaram os mitos, as pessoas com a Síndrome de Down e outras deficiências vivem muito, mas como fica a qualidade de vida delas?", questionou Barbosinha. Também participou da audiência o deputado estadual João Grandão (PT).

Oportunidades - A presidente da Sociedade Educacional Juliano Varela, Ivete Aparecida Navarro, cobrou mais investimentos públicos em ações multidisciplinares, que estimulem as crianças e jovens com Down a desenvolverem potencialidades e promovam, de fato, a inclusão social. "Eles precisam se sentir valorizados, incentivados e com oportunidades", disse. Ela também é mãe de Célio Augusto, hoje com 28 anos. "Meu filho tem noção que é down, ele lida muito bem com isso, participa da banda, do grupo de dança, de diversas atividades, não fica em um canto", explicou Ivete. 

A fundadora da Juliano Varela, Malu Fernandes, disse que sempre encontra muitos talentos em todos que estudam na instituição, mas disse é que preciso mais. "Temos que oportunizar, avançar com relação aos deficientes intelectuais como avançamos em relação aos deficientes físicos", disse. Malu também defendeu uma atuação mais proativa do Poder Público antes mesmo do nascimento dos bebês com Down. "É muito importante o atendimento o quanto antes e, por isso, temos uma visão ousada, de atendimento às gestantes, já que geralmente se descobre a síndrome no segundo mês de gestação", explicou. 

O coordenador de Políticas de Educação Especial da Secretaria Estadual de Educação, Ronaldo Rodrigues Moisés, disse que 210 pessoas com Down são atendidas em Mato Grosso do Sul por cerca de 220 técnicos capacitados. "Esse apoio é para garantir a inclusão no ensino comum, também no contra-turno; temos que conviver com as diferenças porque isso faz a gente evoluir como ser humano", afirmou. Já o superintendente da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau), Virgílio Gonçalves, disse que a assistência multidisciplinar é realmente a ideal, embora onerosa, e defendeu o engajamento da sociedade. 

Para a chefe da Divisão de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande (Semed), Adriana Aparecida Burato Buydendorp, a escola precisa mudar. "Temos que ter uma nova mentalidade, a ideia é que a pessoa com deficiência possa participar de todo o contexto escolar". Adriana é favorável à descentralização do ensino a quem tem Down, com o "fortalecimento da escola". "Nossos grupos são itinerantes, sabemos das fragilidades, mas trabalhamos com apoio pedagógico especializado", reiterou. 

Ações - O defensor público Fábio Rogério Rombi da Silva, coordenador do Núcleo de Ações Institucionais e Estratégicas (NAE) da Defensoria Pública, enalteceu a parceria com o Legislativo estadual, para a realização da audiência pública, e informou que as críticas e sugestões apresentadas serão reunidas e avaliadas. "Agradecemos a sensibilidade da Assembleia Legislativa com relação a esta causa tão importante e, em até cinco dias, será publicada no Diário Oficial do Estado a ata com as conclusões desta audiência, como também as nossas considerações", afirmou. "Podemos sugerir a esta Casa a elaboração de algum projeto de lei ou mesmo, se avaliarmos que houve omissão do Poder Público, municipal ou estadual, podemos ajuizar alguma ação civil pública", complementou. 

Segundo Rombi, o NAE iniciou, em março passado, o Procedimento para Apuração Preliminar (PAP) com a finalidade de averiguar o atendimento nas redes públicas municipal e estadual dispensado nas áreas de saúde e de educação às pessoas com Síndrome de Down em Campo Grande. Desde então, estão sendo reunidos relatos, informações, reivindicações e sugestões de familiares, profissionais e pesquisadores que atuam na área. Dúvidas, críticas ou sugestões podem também ser enviadas ao NAE via e-mail: nae@defensoria.ms.gov.br.

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