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Meio ambiente - 27/04/2015 - 06h35

Pesquisa de tatu-canastra em MS disputa 'Oscar Verde' na Inglaterra

Cerca de 200 pesquisadores se inscreveram e sete disputam final. Projeto do Brasil está sendo desenvolvido desde 2010 no Pantanal.




Por Juliene Katayama do G1 MS / Redação Pantanal News

Pesquisadores colhem sangue, retiram DNA e implantam rastreador no tatu-canastra. (Foto: Claudia Gaigher/ TV Morena)Pesquisadores colhem sangue, retiram DNA e implantam rastreador (Foto: Claudia Gaigher/ TV Morena)

A pesquisa sobre tatu-canastra realizada no Pantanal sul-mato-grossense desde 2010 é uma das finalistas do “Green Oscars” (Oscar Verde). O prêmio é destinado aos conservacionistas do mundo e será entregue na quarta-feira (29), na Inglaterra, pela princesa Anne, filha da rainha Elizabeth II.

Francês de nascimento, mas brasileiro de coração, Arnaud Desbiez, de 40 anos, iniciou a pesquisa sobre o tatu-canastra em 2010 quando uma organização não governamental (ONG) escocesa fechou parceria com uma ONG brasileira para estudar a conservação da espécie na região do Pantanal.

“É a grande confirmação pela comunidade internacional, principalmente porque é um animal que pouco conhece. É um prêmio internacional”, disse o coordenador da pesquisa que disputa pela primeira vez um dos maiores prêmios na área ambiental.

O prêmio foi disputado por quase 200 pessoas e sete chegaram à final. Além de Arnaud, disputam a final pesquisadores da Philipinas, Colômbia, Indonésia, África e Índia. A cerimônia vai ser no prestigioso Royal Geographical Society in London.

Projeto
O tatu-canastra tem o hábito de viver embaixo da terra e em baixas densidades populacionais. O comportamento contribui para que a espécie ameaçada seja muito pouco conhecida.

Tatu-canastra sofre ameaça de extinção e é pouco conhecido (Foto: Claudia Gaigher/ TV Morena)Tatu-canastra sofre ameaça de extinção e é pouco
conhecido (Foto: Claudia Gaigher/ TV Morena)

O projeto “Tatu-Canastra – Pantanal” é o primeiro projeto de pesquisa a longo prazo dedicado a conhecer sua ecologia neste bioma utilizando radiotransmissores, armadilhas fotográficas, levantamento e pesquisa de suas tocas, monitoramento de indivíduos e mapeamento de sua área de uso, além de entrevistas com a comunidade local.

Recentemente, o projeto expandiu seus estudos a outras espécies de Xenarthras, como tamanduás e os tatus como por exemplo o tatu-de-rabo-mole (Cabassous unicinctus).

O tatu-canastra, junto com outras espécies de Xenarthras, é considerado um dos embaixadores da biodiversidade brasileira, servindo como excelente modelo para a educação ambiental e programas para iniciativas de conservação de espécies ou preservação de biomas nacionais e internacionais.

Arnaud tem uma equipe de quatro pessoas, composta pelo biólogo Gabriel Massocato e pelos médicos veterinários Danilo Kluyber e Renata Santos. Apesar disso, apenas o idealizador vai representar o Brasil.

O próximo passo, é expandir a pesquisa do tatu-canastra para a região do Cerrado. “O Pantanal é mais conservado e o Cerrado teve mais impacto da civilização”, explicou o pesquisador.

Biografia 
Arnaud Desbiez é formado em biologia pela McGill University, no Canadá, e doutor em “Manejo de biodiversidade” pela Universidade de Cranfield, na Inglaterra. O pesquisador já passou por Belize, Bolívia, Argentina, Nepal, França, Inglaterra, Estados Unidos da América, Canadá.

Depois de passar por tantos países, o francês veio para Brasil há 13 anos quando foi escolhido para desenvolver uma pesquisa sobre porco monteiro e plantas forrageiras, em Corumbá, município distante 415 quilômetros da capital. O projeto foi desenvolvido pela Embrapa Pantanal.

“Concorri um trabalho e vim para Pantanal. Achei que fosse ficar dois ou três anos”, disse. Mas a decisão de escolher o país para morar aconteceu mesmo quando Arnaud se apaixonou. Hoje ele é casado com uma brasileira e tem dois filhos. “Me considero brasileiro, já tenho até família aqui”, ressaltou.

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