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Saúde - 20/03/2015 - 08h30

Prevenção e controle da obesidade: por uma visão intersetorial




Por Assessoria / Redação Pantanal News

A obesidade não pode ser considerada um resultado de escolhas individuais: é uma questão complexa que deve envolver vários campos do saber e setores do governo. Para ser enfrentada, exige mobilização popular e vontade política. É o que defende Maria Emília Lisboa Pacheco, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Maria Emília é antropóloga e nasceu em Leopoldina (MG). Participa do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia e foi indicada à presidência do Consea devido a sua atuação, junto à ONG Fase Solidariedade e Educação, no Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional.

Ideias na Mesa - O Consea incorpora, à agenda de prevenção e de controle da obesidade, a perspectiva de que esta estratégia deve ser intersetorial. Qual o diferencial desta visão? 

Maria Emília - O Brasil passou por mudanças profundas na produção, na distribuição e no consumo de alimentos. Não é mais possível compreender a obesidade com a abordagem restrita da medicalização. É preciso compreendê-la como um problema intersetorial.O diálogo com outras percepções ajuda a entender a complexidade da obesidade, quando vemos, por exemplo, a relação entre abastecimento e saúde. A escolha alimentar não é individual, pois a alimentação é uma prática social. Por isso, um aspecto para a prevenção da obesidade é a definição de uma política de abastecimento, já que em certos lugares a escolha social é limitada pela falta de feiras e de mercados. A interação entre nutrição e conservação da biodiversidade também precisa ser aprofundada: estamos perdendo espécies que eram conservadas pelas populações tradicionais. Os frutos da Amazônia, por exemplo, estão menos presentes nas feiras em Manaus. Se estes frutos têm sua presença reduzida, outros produ tos os substituem e passam a ser mais consumidos.

Ideias na Mesa - Quais os problemas da homogeneização do consumo de alimentos, a importância dos alimentos regionais e sua relação com a obesidade? 

Maria Emília - A padronização dos alimentos e do consumo é grave. O coordenador científico do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo, Carlos Monteiro, alerta que a quantidade de gordura, açúcar, sódio e aditivos nos alimentos processados é tão grande que não sabemos mais o que consumimos. Está na hora de agregar ao direito à alimentação, o direito à diversificação do gosto. Para valorizar o produto regional, é preciso entender a comida como um patrimônio. A comida do Mediterrâneo, por exemplo, é assim considerada por causa de uma territorialidade construída historicamente. É preciso saber mais sobre o significado dos alimentos para os diferentes segmentos da população e sobre as potencialidades dos biomas do Brasil.

Ideias na Mesa - Quais desafios o Consea identifica na implementação da agenda de prevenção e controle da obesidade no Brasil? 

Maria Emília - Precisamos avançar na interação entre as plataformas dos movimentos sociais, articular políticas pú- blicas e colocar a alimentação no centro dos debates. Eu saúdo como boa medida a Estratégia Intersetorial de Prevenção e Controle da Obesidade, que incorpora várias dimensões do excesso de peso e a integralidade do sistema alimentar desde a produção até o acesso, a escolha e o consumo. É preciso rever a composição das cestas de alimento e monitorar os cardápios das escolas, por meio dos Conselhos de Alimentação Escolar. Cabe ainda ao Ministério da Educação reforçar o compromisso com a alimentação das escolas, sem deixar esta responsabilidade restrita ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Outro desafio é fazer o Brasil deixar o posto nada honroso de país campeão no uso de agrotóxicos, substâncias que mudam até o metabolismo hormonal dos consumidores.

Ideias na Mesa - A obesidade ainda é considerada um problema de esfera individual. Como torná-la um tema de preocupação coletiva?

Maria Emília - Para a obesidade passar a ser uma preocupação coletiva, é preciso afirmar possibilidades. O foco da mobilização tem de estar num processo educativo, de adesão da sociedade para analisar e refletir: Como está a minha alimentação? Que tal discutir, nos bairros, como era a alimentação em tempos passados? O último encontro do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar girou em torno da pergunta: O que nós estamos ou (não) comendo? Esta é uma pergunta chave que está ligada também à desvalorização dos hábitos alimentares regionais. É preciso que haja regulamentação do Estado e uma política de estado e não de governo, que muda a cada 4 anos.

Ideias na Mesa - Como deve ser abordada a prevenção e controle da obesidade entre os diferentes setores da sociedade brasileira?

Maria Emília - É preciso pensar na prevenção da obesidade do ponto de vista dos sujeitos de direitos. Para promover modos de vida saudável, é preciso entender o significado do excesso de peso para diferentes segmentos: os indígenas, as comunidades tradicionais, a população urbana...

Ideias na Mesa - Qual sua avaliação da estratégia intersetorial para prevenção e controle da obesidade elaborada no âmbito da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar (Caisan)? 

Foi importantíssimo o trabalho feito pela Caisan. Agora é necessário dar o passo seguinte e, para tal, é necessá- rio que haja vontade política e pressão social. Precisamos retomar a obesidade como uma questão do Estado, reconhecer que o problema existe e que tem de ser enfrentado com as múltiplas determinações que o envolvem.

Ideias na Mesa - Como os Conseas estaduais e municipais podem contribuir com a agenda da obesidade no Brasil? 

Maria Emília - No âmbito estadual e municipal, seria muito bom se tivéssemos comitês intersetoriais para que a estraté- gia do governo (Estratégia Intersetorial de Prevenção e Controle da Obesidade) fosse submetida à análise dos Conseas estaduais e municipais. Ao tratar outros temas relacionados, devemos revisitar a questão da obesidade. Vamos insistir para o governo assumir o plano como expressão viva do compromisso com esta temática.

Ideias na Mesa - Frente a tantos desafios, quais seriam boas perspectivas para prevenir e controlar o excesso de peso?

Maria Emília - Um dia desses eu estava no metrô e fiquei assustada com a quantidade de pessoas com sobrepeso e obesidade. Algo tem de ser feito, mas percebo que a prevenção da obesidade está mais no campo das ideias. O que existe na prática é a visão curativa, com dietas, medicamentos, cirurgia bariátrica... Está na hora de transformar o excesso de peso num campo de debate intersetorial e de pressão por políticas públicas. Em resumo: prevenir e controlar a obesidade significa pressionar para que várias políticas sejam executadas simultaneamente em vários contextos.

Fonte: Ideias na Mesa

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