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Emprego - 19/11/2014 - 06h28

Mão de obra some, desafia empresas e déficit chega a 40% na indústria




Por Caroline Maldonado do Campo Grande News / Redação Pantanal News

 A falta de mão de obra é a preocupação do momento para empregadores, tanto no setor industrial quanto no comércio de Campo Grande. Somente na indústria surgem, pelo menos, 500 vagas por semana, segundo o presidente do STACG (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Campo Grande), Rinaldo Salomão. Em supermercados, atacados e comércios pequenos também há vagas de sobra.

Boa parte dos empregadores precisa de funcionários capacitados ou pelo menos com experiência, mas os que preenchem esses requisitos estão “aprendendo a escolher emprego”, na avaliação do presidente da entidade. “Sabemos que muitos cargos exigem experiência e capacitação e entendo que é justo que os empregadores tenham que selecionar. Ainda mais na área de administração ou manutenção, por exemplo, que têm equipamentos cada vez mais modernos e requer conhecimento”, afirma Rinaldo.

Por outro lado, ele pondera, há vagas que não têm tanta necessidade de experiência e acabam não sendo preenchidas. “Acho que o motivo não é salário baixo, porque a remuneração é boa. Na área industrial, por exemplo, ninguém ganha menos de R$ 1.200”. Rinaldo acredita que aproximadamente 40% das vagas não são preenchidas por algum outro motivo que não a questão da falta de experiência, já que podem ser preenchidas mesmo por quem não tem tanto tempo de trabalho. “Na indústria mesmo, os funcionários admitidos passam por capacitação. Eu acho que acontece é que o brasileiro está aprendendo a escolher emprego”, opina.

Com muitas vagas, as pessoas escolhem as oportunidades com carga horária menor e que facilitem a rotina pessoal, na opinião do sindicalista. Essa é a aposta do proprietário de uma casa de carnes no bairro Tiradentes, Luiz Silveira. Há 10 anos nesse ramo e há três meses em busca de um açougueiro e dois moto entregadores, Luiz conta que a situação é inédita e tenta entender o porquê da falta de mão de obra. “Vejo que eles preferem prestar serviço por diárias do que ficar empregado. Talvez porque conciliem com outra atividade e tenham o serviço mais com um complemento”.

Falta experiência - O empresário acredita ainda que muitas pessoas que antes não tinham muitas alternativas, agora contam ainda com políticas assistencialistas do governo. “Eu converso com vários colegas de outros segmentos, que também não conseguem empregados. A gente até comenta que esses benefícios do governo podem estar influenciando e as pessoas não querem trabalhar”, palpita.

Proprietária de um hortifrúti no bairro Arnaldo Estevão Figueiredo, Inês Shirado concorda que a falta de interesse pelas vagas tenha relação com benefícios governamentais, mas admite que deixa de contratar muitos candidatos pela questão da falta de experiência. “Acho que as pessoas sabem que podem ganhar um pouco dali, um pouco daqui e não querem pegar um emprego”, diz.

Segundo a proprietária, não há como contratar pessoas sem alguma experiência. “Não tem como admitir uma pessoa que nem frequenta um mercado, não sabe de mercadoria. Tem casos que contratamos gente que nunca trabalhou, mas a pessoa tem que ter muita força de vontade e isso é difícil também”, lamenta Inês, que há 3 meses oferece duas vagas para repositor, com salário de R$ 900.

Desde o início do ano, a Funsat conseguiu preencher apenas 38 vagas na construção civil. De acordo com a agência de empregos da fundação, o principal motivo da falta de mão de obra no setor é que as funções podem ser desempenhadas também de modo autônomo, por isso muitos avaliam o salário e as condições da vaga oferecida, mas rejeitam a oportunidade para ganhar dinheiro por conta própria.

Olho no futuro - Os jovens, por sua vez, pensam em investir no futuro. Muitos preferem fazer estágio remunerado ou voluntário ao invés de trabalhar com carteira assinada e investir no estudo para garantir a qualificação que vai abrir caminho para a conquista de um cargo com melhor remuneração. Esse é o plano daestudante do 2º ano do Ensino Médio, Mariane Siqueira dos Santos, 17 anos.

“Minha mãe falou para eu focar nos estudos e depois pensar em trabalhar. Eu curso Gestão Empresarial, pretendo tentar entrar em uma faculdade de Engenharia Civil e conseguir um estágio”, conta aestudante. Se tudo der certo, afirma ela, não vai precisar trabalhar no comércio.

Atendente em uma loja há três meses, Christian Marques, 18 anos, não pensou nas dificuldades que a rotina de trabalho traria aos estudos e acabou se atrapalhando. “As vezes os pais não deixam trabalhar, porque pensam que pode atrapalhar o estudo. No meu caso, parei de estudar depois de começar a trabalhar, mas vou voltar à escola ano que vem”, conta o rapaz, convencido de que é melhor investir nos estudos antes de tudo.

O vice-presidente AMAS (Associação Sul-mato-grossense de Supermercados), Luiz Tadeu Gaetedicke, concorda que a dificuldade em preencher vagas que antes atraiam os jovens é, de fato, o acesso facilitado aos estágios e oportunidades semelhantes. “Acredito que muitas pessoas jovens estão estudando, buscando completar os estudos e têm outras opções por isso não querem trabalhar”, opina Luiz Tadeu, presidente da Rede Econômica de Supermercados, que oferece diversas vagas para caixa e repositor.

No Atacadão, por exemplo, a faixa e as placas contratando funcionários disputam o mesmo espaço destinado às promoções. A rede atacadista não é a única do setor apelando para contratar funcionários. No Walmart, o espaço destinado para as oportunidades de emprego ocupam espaço maior do que o destinado às promoções para atrair a clientela. 

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